Etanol: Preços

Preços nos postos: Etanol tem o pior nível de competitividade em dez anos

A relação entre o preço do renovável e o da gasolina foi de 78,1% na semana analisada, a pior desde abril de 2011


NovaCana - 13 out 2021 - 11:33

Os destaques sobre o preço dos combustíveis na semana de 3 e 9 de outubro:

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  1. O preço médio da gasolina cresceu 0,41% nas cidades pesquisadas, enquanto o do etanol aumentou 0,82%

  2. O consumo de etanol é considerado economicamente desvantajoso em todos os estados do país

  3. O valor do hidratado teve aumento nas principais usinas mato-grossenses, paulistas e goianas

  4. Levantamento de preços da ANP foi realizado em 351 municípios, sete a mais do que na semana anterior


Na semana passada, a gasolina voltou a ter aumento de preço na média nacional após uma semana de estabilidade – já o etanol, emenda o seu décimo incremento consecutivo. Entre os dias 3 e 9 de outubro, o valor do combustível fóssil saiu de R$ 6,092 por litro para R$ 6,117/L, ampliação de 0,41%. O renovável, por sua vez, teve aumento de 0,82%, passando de R$ 4,736/L para R$ 4,775/L.

Os valores correspondem ao levantamento semanal realizado pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP).

Isso fez com que, no período analisado, o biocombustível custasse o equivalente a 78,1% do preço de seu correspondente fóssil, superior ao índice de 77,7% visto uma semana antes. Este também foi o resultado mais elevado desde o período de 24 a 30 de abril de 2011, quando a relação entre os valores chegou a 79%.

Com isso, o etanol segue cada vez mais distante do limite comercialmente estabelecido de 70% do custo da gasolina, faixa em que é considerado vantajoso para os consumidores.

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É importante reiterar que as comparações de valores nos postos não são exatamente precisas, já que o levantamento dos preços de combustíveis ainda não está sendo realizado em todas as cidades brasileiras.

Na semana analisada, foram levantados os dados de postos de 351 municípios, sete a mais do que na anterior. Desta forma, a comparação semanal segue comprometida, uma vez que o número de localidades pesquisadas muda a cada análise.

Usinas

De acordo com o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), da Esalq-USP, o etanol passou por aumentos nas usinas dos principais estados produtores.

Nas unidades paulistas, o preço do hidratado subiu 1,49%, passando de R$ 3,2922/L para R$ 3,3411/L. Enquanto isso, nas produtoras mato-grossenses a elevação foi de 0,53% e nas goianas de 0,91%.

Na semana passada, o especialista de preços da S&P Global Platts, Phillip Herring, já havia detalhado que o preço do hidratado nas usinas havia passado os R$ 4/L na região de Ribeirão Preto (SP) quando são considerados os impostos.

Os últimos acontecimentos

No último dia 8, o preço da gasolina aumentou 7,2% nas refinarias. O diesel já havia sido reajustado uma semana antes. Esta elevação, contudo, deve ser sentida pelos consumidores a partir da atual semana.

Entretanto, logo no início do período, o presidente da Petrobras, Joaquim Silva e Luna disse em entrevista à Reuters que o risco da Petrobras segurar os preços dos combustíveis é “zero”, ou seja, se os preços do petróleo ou o câmbio crescerem, a petroleira terá de reajustar os preços dos combustíveis para manter sua política de seguir o mercado internacional. Segundo o Cepea, a perspectiva de aumento já foi suficiente para afetar os preços do etanol.

Do lado do governo, o presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), reuniu-se com parlamentares para tentar fechar um acordo e possível solução conta as altas dos combustíveis.

Um dos alvos é a mudança na cobrança do ICMS. No entanto, enquanto Lira defende uma alíquota percentual que incida sobre o preço médio dos combustíveis nos últimos dois anos, o setor de petróleo discorda. Eles creem que o ideal seria votar o projeto de lei que altera a cobrança para um valor fixo em reais no lugar de uma alíquota percentual sobre o preço final como funciona hoje.

Além disso, outro assunto pode impactar na discussão dos preços dos combustíveis: uma possível redução na mistura do etanol anidro à gasolina, algo defendido pelo presidente Jair Bolsonaro (sem partido). Segundo entidades consultadas pelo NovaCana, a ação não traria redução dos preços e ainda impactaria negativamente o setor de etanol.

Variações nos estados

Segundo a ANP, entre 3 a 9 de outubro, o preço do etanol subiu na média de 17 estados e no Distrito Federal, caiu em sete, não foi analisado em Roraima e se manteve no Amapá. A gasolina, por sua vez, teve aumento em 17 unidades da federação.

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Em São Paulo, o maior estado produtor e consumidor de etanol do país, o biocombustível teve um incremento de 0,57%, custando R$ 4,564/L na média semanal. Já a gasolina foi vendida a R$ 5,808/L, crescimento de 0,28%.

A maior elevação para o renovável ocasionou uma piora na relação entre os preços, que ficou em 78,6%, ante os 78,3% do período anterior. Com isso, o índice fica ainda mais distante da marca de 70%, limite da faixa em que o etanol é considerado economicamente favorável ao consumidor. A pesquisa foi feita em 104 cidades, uma a mais do que na semana anterior.

Já em Goiás, o etanol foi vendido a R$ 4,879/L na média da semana analisada. No período, houve um aumento de 1,14% no preço do biocombustível, enquanto a gasolina sofreu um acréscimo de 0,94%, sendo vendida a R$ 6,565/L.

Assim, com o aumento mais significativo para o combustível fóssil, a relação entre os preços dos combustíveis ficou em 74,3% no estado, acima dos 74,2% de uma semana antes; com isso, o etanol segue não sendo considerado competitivo. Segundo a ANP, 13 cidades goianas foram consideradas no levantamento, mesma quantidade do período anterior.

Por sua vez, Minas Gerais registrou o maior aumento no preço médio do etanol dentre os seis estados que mais produzem, de 1,78%, sendo comercializado a R$ 4,865/L. A gasolina também passou por um acréscimo, de 1,27%, e foi negociada a R$ 6,396/L, em média. Com isso, o renovável custou o equivalente a 76,1% do preço do combustível fóssil, índice pouco superior ao da semana anterior, quando era de 75,7%. No total, 42 municípios mineiros participaram da pesquisa, um a menos do que na semana anterior.

Em Mato Grosso, o etanol teve um incremento de 0,18% e foi vendido a R$ 4,519/L – o preço médio mais baixo dentre todas as unidades da federação. Já a gasolina teve uma ampliação de 0,18%, passando a custar R$ 6,134/L. Desta forma, a relação entre os preços foi de 73,7%, a mesma de uma semana antes e, também, a melhor relação dentre todos os estados. A ANP fez a pesquisa em sete municípios mato-grossenses, mantendo a quantia do período anterior.

Em Mato Grosso do Sul, o valor do etanol cresceu 0,58%, para R$ 4,832/L. A gasolina, por sua vez, teve um aumento de 0,53%, ficando em R$ 6,019/L. Assim, o biocombustível passou a custar o equivalente a 80,3% do preço de seu concorrente fóssil, superior ao índice de 80,2% de uma semana antes. Somente Campo Grande, Corumbá, Dourados e Três Lagoas participaram do levantamento.

Por fim, o Paraná segue apresentando a mais alta relação entre os preços dentre os seis principais estados produtores de etanol do país, com o produto custando o equivalente a 82,3% do preço da gasolina.

No período, o renovável teve uma elevação de 0,31%, sendo vendido por R$ 4,889/L na média estadual, também o maior valor dentre os seis grandes produtores. Já a gasolina teve uma redução de 0,1%, ficando em R$ 5,941/L. No total, 22 cidades foram pesquisadas no estado, duas a mais do que uma semana antes.

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Os preços do etanol e da gasolina por região, estado ou cidade desde 2018 estão disponíveis na planilha interativa (exclusiva para assinantes). Também estão disponíveis gráficos avançados e filtros interativos sobre o comportamento dos preços.

Comparação comprometida

Após mais de dois meses em pausa, o levantamento de preços nos postos voltou a ser realizado semanalmente no final de outubro de 2020. Ainda assim, as comparações entre as análises não são precisas, já que o número de municípios pesquisados vem mudando semanalmente, conforme já era previsto pela ANP.

Entre 3 e 9 de outubro, 351 cidades foram pesquisadas, sete a mais do que no período anterior. O levantamento inclui todas as capitais dos estados brasileiros. Algumas localidades deixaram de participar no comparativo semanal, mudando o número de municípios de alguns estados.

Apesar da progressão no número de cidades, o total está abaixo do objetivo divulgado pela ANP: 459. A agência vem demonstrando dificuldades em cumprir com o esperado em relação ao levantamento desde a pausa, quando tinha uma expectativa de data de retomada que não foi atingida e atrasou mais de um mês.

Com este retorno gradual, os números seguem não correspondendo à média dos postos dos estados como ocorria antes da pausa. A comparação semanal também deve ser observada com cautela, já que a amostra pode aumentar ou diminuir semanalmente.

Gabrielle Rumor Koster – NovaCana