Etanol: Preços

Preços nos postos: Etanol atinge limite de competitividade em Mato Grosso

Vantagem para o renovável no estado não ocorria desde 15 de maio; na média nacional, biocombustível custa 75,4% do preço da gasolina


NovaCana - 05 jul 2021 - 10:59

Os destaques sobre o preço do etanol na semana de 27 de junho a 3 de julho:

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  1. O preço médio da gasolina nas cidades pesquisadas caiu 0,16%, enquanto o do etanol teve queda de 1,47%

  2. Na média nacional, o valor do combustível renovável correspondeu a 75,4% do preço de comercialização do fóssil

  3. O consumo de etanol é considerado economicamente vantajoso apenas em Mato Grosso

  4. O hidratado caiu nas principais usinas mato-grossenses e subiu nas goianas e paulistas

  5. O levantamento de preços da ANP foi realizado em 310 municípios, sete a mais do que na semana anterior


Duas semanas de aumento, seguidas por duas de queda. Este é o cenário que se desenha para os preços do etanol nos postos brasileiros. Já a gasolina apresentou uma redução após dez semanas consecutivas de elevação; ainda assim, o preço vem se mantendo relativamente estável desde o início de junho.

Entre os dias 27 junho e 3 de julho, o litro do biocombustível custou, na média, R$ 4,29. O valor corresponde a uma queda de 1,47% no comparativo com a semana anterior, quando o renovável foi comercializado a R$ 4,354/L. Por sua vez, a gasolina teve uma breve redução de 0,16%, passando de R$ 5,695/L para R$ 5,686/L.

Os valores correspondem ao levantamento semanal realizado pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP).

A redução ajudou o etanol a ganhar um pouco de competitividade, saindo de uma relação de preço com a gasolina de 76,5% para 75,4%. Com isso, o produto voltou a ser vantajoso em ao menos um estado do país, Mato Grosso, como não ocorria desde o período de 9 a 15 de maio.

Entretanto, a redução não foi suficiente para que o preço do renovável ficasse abaixo do limite comercialmente estabelecido de 70% ante o valor do combustível fóssil. Ou seja, na média nacional, ele ainda não é considerado economicamente vantajoso.

Ao mesmo tempo, o preço do etanol nas usinas paulistas e goianas está fazendo o movimento inverso ao dos postos. Nas unidades de São Paulo, o etanol teve um aumento semanal de 1,01%, indo de R$ 2,8057/L para R$ 2,8339/L. Já nas produtoras de Goiás, o aumento foi de 1,73%. Na contramão, em Mato Grosso, o produto caiu 1,15%.

Os dados são do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), da Esalq-USP.

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É importante reiterar que as comparações de preços nos postos não são exatamente precisas, já que o levantamento da ANP ainda não está sendo realizado em todas as cidades brasileiras.

Na semana analisada, foram levantados os dados de postos de 310 municípios, sete a mais do que no período anterior. Desta forma, a comparação semanal segue comprometida, uma vez que o número de localidades pesquisadas muda a cada análise.

Variações nos estados

Entre 27 de junho e 3 de julho, os preços do etanol nos postos subiram na média de 15 estados, caíram em dez e no Distrito Federal e não foram apurados no Amapá. Já a gasolina teve alta em 13 unidades da federação.

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Em São Paulo, o maior estado produtor e consumidor de etanol do país, o renovável teve uma retração de preço de 1,75%, indo para R$ 4,095/L. Já gasolina custou R$ 5,388/L ao consumidor paulista, também com redução só que menos significativa, de 0,33%. A maior retração do biocombustível proporcionou uma melhoria na relação de preços em favor do etanol, ficando em 76% ante os 77,1% do período anterior. Ainda assim, o consumo do renovável segue economicamente desfavorável no estado. A pesquisa foi feita em 104 cidades paulistas, uma a menos do que na semana anterior.

Já em Goiás, o etanol foi negociado a R$ 4,246/L na média da semana analisada. A queda de 3,13% fez com que o estado apresentasse a maior redução de preço da análise. Ainda assim, a gasolina também passou por diminuição, de 0,9%, deixando a relação entre os preços em 72,4%. O levantamento foi realizado em 14 cidades, quatro a mais que no período anterior.

Por sua vez, Minas Gerais teve uma retração no preço médio do etanol de 2,18%, a segunda maior do período analisado, ficando em R$ 4,313/L. A gasolina teve uma queda menor, de 0,69%, e foi vendida a R$ 5,869/L, em média. Com isso, o litro do renovável custou 73,5% do preço do fóssil no estado. No total, 27 municípios mineiros participaram da pesquisa, um a menos do que na semana anterior.

Mato Grosso segue detendo o preço médio mais baixo para o renovável dentre todos os estados e o único abaixo de R$ 4. Além disso, com a retração de 0,94% no preço – para R$ 3,990/L –,o biocombustível ficou economicamente vantajoso no estado pela primeira vez em sete semanas. Ainda assim, a relação entre os preços ficou bem perto do limite considerado vantajoso ao renovável: 69,9%.

A pequena margem de vantagem também foi possível porque a gasolina teve um breve aumento de 0,28%, para R$ 5,711/L na semana analisada. A ANP fez a pesquisa em seis municípios do estado, uma a mais do que período anterior.

Em Mato Grosso do Sul, o valor do etanol teve elevação de 0,1%, sendo vendido a R$ 4,504/L – o maior preço para o biocombustível dentre os seis estados que mais o produzem. A gasolina também sofreu um aumento no preço, de 1,22%, ficando em R$ 5,743/L. Assim, o biocombustível passou a custar o equivalente a 78,4% do preço de seu concorrente fóssil, pouco abaixo do desempenho visto uma semana antes. Somente Campo Grande, Corumbá e Dourados participaram do levantamento.

Por fim, o Paraná segue apresentando a mais alta relação entre os preços dentre os seis maiores produtores de etanol do país, com 79,67%. Ainda assim, houve uma pequena melhora no comparativo semanal, pois o preço do etanol teve uma diminuição de 0,88%, ficando em R$ 4,303/L; já a gasolina teve uma redução menor, de 0,35%. Foram 19 as cidades pesquisadas no estado, uma a menos do que uma semana antes.

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Os preços do etanol e da gasolina por região, estado ou cidade desde 2018 estão disponíveis na planilha interativa (exclusiva para assinantes). Também estão disponíveis gráficos avançados e filtros interativos sobre o comportamento dos preços.

Comparação comprometida

Após mais de dois meses em pausa, o levantamento de preços nos postos voltou a ser realizado semanalmente no final de outubro de 2020. Ainda assim, as comparações entre as análises não são precisas, já que o número de municípios pesquisados vem mudando semanalmente, conforme já era previsto pela ANP.

Entre 27 de junho e 03 de julho, 310 cidades foram pesquisadas, sete a mais do que no período anterior. O levantamento inclui todas as capitais dos estados brasileiros. Algumas localidades deixaram de participar no comparativo semanal, mudando o número de municípios de alguns estados.

Apesar da progressão no número de cidades, o total está abaixo do objetivo divulgado pela ANP: 459. A agência vem demonstrando dificuldades em cumprir com o esperado em relação ao levantamento desde a pausa, quando tinha uma expectativa de data de retomada que não foi atingida e atrasou mais de um mês.

Com este retorno gradual, os números seguem não correspondendo à média dos postos dos estados como ocorria antes da pausa. A comparação semanal também deve ser observada com cautela, já que a amostra pode aumentar ou diminuir semanalmente.

Gabrielle Rumor Koster – NovaCana