Os destaques sobre o preço dos combustíveis na semana de 8 a 14 de janeiro:

Os valores do etanol caíram em 14 estados e os da gasolina em 20
O consumo do biocombustível não é considerado economicamente vantajoso em nenhuma unidade da federação
O preço do etanol hidratado teve redução nas usinas paulistas, mato-grossenses e goianas
Levantamento de preços da ANP foi realizado em 311 cidades brasileiras, 68 a mais em relação à semana anterior
Na segunda semana de 2023, os preços dos combustíveis voltaram a cair, após o período anterior ter apresentado alta. A retração pode ser reflexo da manutenção da desoneração dos impostos PIS/Cofins determinada pelo governo que tomou posse em 1º de janeiro.
De 8 a 14 de janeiro, o valor do biocombustível baixou 1,7%, saindo de R$ 4,01 por litro para R$ 3,94/L. A gasolina, por sua vez, registrou uma queda de 1,6%, indo de R$ 5,12/L para R$ 5,04/L.
Os valores foram divulgados pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) e correspondem a 311 cidades, incluindo a maioria das capitais brasileiras.
Nas últimas semanas de 2022, tanto o combustível fóssil quanto o renovável haviam apresentado três quedas de preço, mas finalizaram o ano com um aumento.
Ainda que o etanol tenha caído mais que a gasolina, o biocombustível segue em desvantagem comercial ante o fóssil. De acordo com a ANP, a relação entre o preço do renovável e o de seu concorrente nos postos foi de 78,2% na média nacional, pouco abaixo de uma semana antes. Ainda assim, ela supera o limite considerado economicamente vantajoso para o etanol, de 70%.
Nas médias estaduais, por sua vez, o renovável também não é considerado competitivo.

Nas usinas paulistas, o etanol hidratado saiu de R$ 2,8092/L para R$ 2,5896/L. A redução foi de 7,8%, conforme dados do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), da Esalq-USP. Além disso, houve baixa de 9,2% produtoras goianas e de 2,4% nas mato-grossenses.
Com a troca da empresa terceirizada responsável pelo levantamento da ANP, a amostragem de municípios tem mudado a cada análise. No período mais recente, a pesquisa foi feita em 311 cidades, 68 a mais do que uma semana antes. Com um aumento gradual, a diferença no número compromete a comparação.
Segundo a ANP, de 8 a 14 de janeiro, os preços do etanol subiram em dez estados e caíram em 13 e no Distrito Federal, ficaram estáveis em um e não foram apresentados em dois. Já os da gasolina caíram em 20 unidades da federação, tiveram alta em cinco, ficaram estáveis em uma e não foram apresentados em uma.

Em São Paulo, o biocombustível teve uma baixa de 2,3%, custando R$ 3,85/L em média. Já a gasolina foi vendida a R$ 4,95/L, redução de 2,4%. Com isso, a relação entre os preços ficou em 77,8%, um resultado que não é economicamente favorável ao renovável e que está levemente acima de uma semana antes.
Já em Goiás, o etanol foi comercializado a R$ 3,76/L na média, retração semanal de 5,1%. A gasolina caiu 3,1%, para R$ 4,95/L. Assim, a relação entre os preços dos combustíveis ficou em 76%, desfavorável ao etanol e acima do período anterior.
Por sua vez, Minas Gerais registrou uma baixa de 1,7% no preço médio do etanol, que foi comercializado a R$ 3,93/L, enquanto a gasolina reduziu 2,4%, sendo comercializada por R$ 4,93/L, em média. Desta forma, o renovável custou o equivalente a 79,7% do preço do combustível fóssil, com o etanol ainda sem competitividade.
Em Mato Grosso, o preço médio do etanol teve uma retração de 1,4%, indo para R$ 3,61/L – menor valor entre todos os estados. No período, a gasolina reduziu 0,8%, indo para R$ 5,02/L. Com isso, a relação entre os preços ficou em 71,9%, abaixo de uma semana antes, ainda desvantajosa ao biocombustível, mas a menor média entre os principais produtores.
Já em Mato Grosso do Sul, o etanol baixou 0,3%, para R$ 3,84/L. A gasolina, por sua vez, caiu 0,6%, para R$ 4,78/L. Assim, o valor biocombustível correspondeu a 80,3% do preço de seu concorrente fóssil, acima de uma semana antes.
Por fim, no Paraná, o biocombustível custou o equivalente a 82,1% do preço da gasolina, a mais alta relação dentre os seis principais estados produtores de etanol do país. No período, o renovável teve um aumento de 0,5%, sendo vendido por R$ 4,27/L na média estadual, também o maior valor entre os maiores fabricantes do biocombustível. Já a gasolina teve uma alta de 2%, para R$ 5,20/L.

Os preços do etanol e da gasolina por região, estado ou cidade desde 2018 estão disponíveis na planilha interativa (exclusiva para assinantes). Também estão disponíveis gráficos avançados e filtros interativos sobre o comportamento dos preços.
No ano passado, os dados estaduais de preços dos combustíveis referentes à semana de 18 a 24 de setembro não foram divulgados pela ANP e, portanto, não puderam ser comparados. Isso ocorreu, conforme a agência, por conta do fim do contrato com a empresa que realizava o levantamento de preços de combustíveis, em 13 de setembro.
Nas semanas de 25 de setembro a 1º de outubro e de 2 a 8 de outubro, foram divulgados números apenas das capitais brasileiras. Nas semanas subsequentes, outras cidades passaram a elencar a pesquisa, sendo que o levantamento mais recente totalizou 311 municípios.
Atualmente, a empresa contratada pela ANP para a realização do levantamento é a Triad Research Consultoria e Pesquisa de Mercado. A vigência do acordo começou em 26 de setembro e o cronograma prevê um crescimento gradual da amostragem, atingindo 459 municípios até 16 de abril deste ano.
Gabrielle Rumor Koster – NovaCana