Os destaques sobre o preço dos combustíveis na semana de 27 de março a 2 de abril:

Etanol subiu em 20 estados e no Distrito Federal, enquanto a gasolina aumentou em oito unidades da federação
O consumo de etanol é considerado economicamente vantajoso em Minas Gerais, Goiás e São Paulo
O valor do hidratado subiu nas usinas paulistas, goianas e mato-grossenses
Levantamento de preços da ANP foi realizado em 390 municípios, seis a menos do que na semana anterior
Pela quarta semana consecutiva, o etanol sofreu um aumento de preço na média dos postos brasileiros; a gasolina, por outro lado, caiu pela segunda vez depois de três semanas seguidas de acréscimos.
Entre 27 de março e 2 de abril, o biocombustível passou de R$ 4,952 por litro para R$ 4,990/L na média nacional, aumento de 0,77%. Já a gasolina foi de R$ 7,210/L para R$ 7,202/L, queda de 0,11%.
Desta forma, na semana, a relação entre o preço do biocombustível e o de seu concorrente fóssil foi de 69,3%, acima do resultado do período anterior, quando era de 68,7%.
Este é o segundo aumento depois de dez semanas de redução no indicador. Ainda assim, o etanol segue comercialmente competitivo na média nacional. Ou seja, o preço do biocombustível ficou abaixo de 70% do custo da gasolina, faixa em que o renovável é tido como vantajoso para os consumidores.
Considerando as médias estaduais, o biocombustível está economicamente favorável nos estados de Minas Gerais, Goiás e São Paulo, com Mato Grosso saindo da lista.
Os valores correspondem ao levantamento semanal realizado pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP).

As comparações de valores nos postos não são exatamente precisas, já que o levantamento dos preços de combustíveis ainda não está sendo realizado em todas as cidades brasileiras e o número de localidades pesquisadas muda. Na semana analisada, foram levantados os dados de 390 municípios, seis a menos do que no período anterior.
Por sua vez, nas usinas paulistas, o etanol hidratado saiu de R$ 3,2739/L para R$ 3,4135/L, aumento de 4,26%. Os dados são do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), da Esalq-USP. Também houve acréscimo de 3,26% nas produtoras goianas e de 0,42% nas mato-grossenses.
A maior movimentação no mercado de combustíveis na última semana, se deu principalmente pelo anúncio da demissão do presidente da Petrobras, Joaquim Silva e Luna, na segunda-feira, 28. Quem possivelmente irá assumir o cargo em seu lugar é o economista Adriano Pires. O nome será confirmado na próxima reunião dos acionistas, no dia 13 de abril.
Em entrevista à Veja, Pires afirmou que espera que o presidente Jair Bolsonaro “resista à tentação” de intervir na estatal. Por outro lado, ele já defendeu publicamente a necessidade do governo não repassar a volatilidade do petróleo ao consumidor.
Ainda assim, agentes do mercado veem pouca chance de mudança na política de preços, com a avaliação de pessoas da área de que o novo presidente manterá posição favorável à prática de preços do mercado.
Do lado da estatal, a petroleira alertou seus investidores de que sua política de preços de combustíveis pode mudar no futuro, com base nas declarações de Bolsonaro.
Segundo a ANP, entre 27 de março e 2 de abril, o preço do etanol subiu na média de 20 estados e no Distrito Federal, caiu em cinco e ficou estável no Amapá. A gasolina, por sua vez, subiu em oito unidades da federação.

Em São Paulo, maior produtor e consumidor de etanol do país, o biocombustível teve um acréscimo de 0,66%, custando R$ 4,717/L em média, o menor valor entre todos os estados do país. Já a gasolina foi vendida a R$ 6,877/L, aumento de 0,29%. Com isso, a relação entre os preços subiu, ficando em 68,6%, mas ainda se mantendo favorável ao etanol. A pesquisa foi feita em 107 cidades paulistas, mesma quantidade do que na semana anterior.
Em Goiás, o etanol foi comercializado a R$ 4,937/L na média da semana analisada, aumento de 0,35%. Enquanto isso, a gasolina caiu 0,08%, para R$ 7,381/L. Assim, a relação entre os preços dos combustíveis ficou em 66,9%, acima dos 66,6% de uma semana antes, mas ainda favorável ao etanol. Segundo a ANP, 16 cidades goianas foram consideradas no levantamento, mesmo número do que uma semana antes.
Por sua vez, Minas Gerais registrou retração de 0,14% no preço médio do etanol, que foi comercializado a R$ 5,114/L. A gasolina passou por uma queda de 0,11% e foi negociada a R$ 7,522/L, em média. Com isso, o renovável custou o equivalente a 68% do preço do combustível fóssil, mesmo índice do que o visto na semana anterior, mantendo a competitividade no estado. No total, 50 municípios mineiros participaram da pesquisa, um a mais do que na semana anterior.
Em Mato Grosso, o preço médio do etanol teve uma alta de 6,14%, a maior elevação de todas as unidades da federação, indo para R$ 5,062/L. Na semana, a gasolina subiu 1,03%, passando a custar R$ 7,053/L. Desta forma, a relação entre os preços ficou em 71,8%, acima dos 68,3% de uma semana antes, e deixando de ser economicamente vantajoso ao consumidor. A ANP fez a pesquisa em sete municípios mato-grossenses, um a mais do que o total registrado no último levantamento.
Já em Mato Grosso do Sul, o etanol subiu 0,27%, ficando em R$ 5,165/L. A gasolina, por sua vez, teve uma queda de 0,16%, para R$ 6,997/L. Assim, o biocombustível custou o equivalente a 73,8% do preço de seu concorrente fóssil, abaixo dos 73,5% de uma semana antes, mas ainda a mais alta relação entre os seis principais estados produtores de etanol do país. Sete cidades participaram do levantamento.
Por fim, no Paraná, o biocombustível custou o equivalente a 73,3% do preço da gasolina. No período, o renovável teve um incremento de 1,32%, sendo vendido por R$ 5,306/L na média estadual, o valor mais alto entre os maiores produtores do biocombustível. Já a gasolina caiu 0,12%, indo para R$ 7,241/L. No total, 26 cidades foram pesquisadas no estado, mesmo número do que o visto uma semana antes.

Os preços do etanol e da gasolina por região, estado ou cidade desde 2018 estão disponíveis na planilha interativa (exclusiva para assinantes). Também estão disponíveis gráficos avançados e filtros interativos sobre o comportamento dos preços.
Após mais de dois meses em pausa, o levantamento de preços nos postos voltou a ser realizado semanalmente no final de outubro de 2020. Ainda assim, as comparações entre as análises não são precisas, já que o número de municípios pesquisados vem mudando semanalmente, conforme já era previsto pela ANP.
Entre 27 de março a 2 de abril, 390 cidades foram pesquisadas, seis a menos do que no período anterior. O levantamento inclui todas as capitais dos estados brasileiros. Algumas localidades deixaram de participar no comparativo semanal, mudando o número de municípios de alguns estados.
Apesar da progressão no número de cidades, o total está abaixo do objetivo divulgado pela ANP: 459. A agência vem demonstrando dificuldades em cumprir com o esperado em relação ao levantamento desde a pausa, quando tinha uma expectativa de data de retomada que não foi atingida e atrasou mais de um mês.
Com este retorno gradual, os números seguem não correspondendo à média dos postos dos estados como ocorria antes da pausa. A comparação semanal também deve ser observada com cautela, já que a amostra pode aumentar ou diminuir semanalmente.
Gabrielle Rumor Koster – NovaCana