Os destaques sobre o preço dos combustíveis na semana de 30 de janeiro a 5 de fevereiro:

Etanol caiu em 19 estados e no Distrito Federal, já gasolina teve retração em 19 unidades da federação
O consumo de etanol é considerado economicamente desvantajoso em todos os estados do país
O valor do hidratado caiu nas usinas paulistas, goianas e mato-grossenses
Levantamento de preços da ANP foi realizado em 378 municípios, dois a mais do que na semana anterior
Pela segunda semana consecutiva, os preços dos combustíveis registraram queda nos postos brasileiros. Entre 30 de janeiro a 5 de fevereiro, o biocombustível passou por uma retração de 1,38%, indo de R$ 5,007 por litro para R$ 4,938/L na média nacional. A gasolina, por sua vez, saiu de R$ 6,658/L para R$ 6,637/L, queda de 0,32%.
Na semana, a relação entre o preço do biocombustível e o de seu concorrente fóssil foi de 74,4%, abaixo do resultado do período anterior, quando era de 75,2%. Isso ocorreu porque a queda da gasolina foi menor que a vista pelo etanol.
Embora esta seja a quarta semana consecutiva de queda no indicador, o biocombustível ainda não é considerado comercialmente competitivo. O resultado segue distante do limite de 70% do custo da gasolina, faixa em que o etanol é tido como vantajoso para os consumidores.
Os valores correspondem ao levantamento semanal realizado pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP).

As comparações de valores nos postos não são exatamente precisas, já que o levantamento dos preços de combustíveis ainda não está sendo realizado em todas as cidades brasileiras e o número de localidades pesquisadas muda. Na semana analisada, foram levantados os dados de 378 municípios, dois a mais do que no período anterior.
Por sua vez, o preço do hidratado caiu 8,14% nas usinas paulistas, de R$ 3,1648/L para R$ 2,9073/L. Os dados são do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), da Esalq-USP. Também houve uma redução de 10,6% nas produtoras goianas e de 3,79% nas mato-grossenses.
Já em relação à gasolina, o mercado acredita que os preços devem voltar a subir. Conforme a Associação Brasileira dos Importadores de Combustíveis (Abicom), a defasagem ante o produto importado é de 9%.
Na última quinta-feira, 3, O deputado federal Christino Áureo (PP-RJ) apresentou uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que permitiria a União, estados e municípios uma redução parcial ou até total os impostos para o diesel, gás de cozinha e gasolina em 2022 e 2023 sem necessidade de compensação na queda de arrecadação.
O projeto é mais amplo do que o defendido pelo Ministro da Economia, Paulo Guedes, que acredita que apenas os tributos federais do diesel devam ser zerados – gasolina e etanol estariam de fora.
Além disso, também circula outra PEC, proposta pelo senador Carlos Fávaro (PSD-MT). O texto visa permitir a redução de impostos sobre combustíveis em 2022 e 2023, sem compensação fiscal, mas também incluir o pagamento de um auxílio-diesel mensal de R$ 1.200 a caminhoneiros autônomos por até dois anos. Além disso, também inclui subsídios ao transporte público e aumento da cobertura do vale-gás a famílias de baixa renda.
Neste caso, a equipe econômica do governo quer barrar o projeto, que apelidou de “PEC Kamikaze”. O impacto para os cofres públicos foi calculado mais de R$ 100 bilhões.
Em paralelo, conforme Jean Paul Prates (PT-RN), o Senado deve votar em 15 de fevereiro projetos sobre os preços dos combustíveis. Uma das propostas cria um fundo de compensação para as variações do preço dos combustíveis. A outra visa mudar o cálculo para a incidência do ICMS.
O tema dos combustíveis – em particular, a política de precificação da Petrobras – tem movimentado também as discussões entre os pré-candidatos à Presidência. Além de Jair Bolsonaro (PL), já se manifestaram Lula (PT), Ciro Gomes (PDT), Sérgio Moro (Podemos) e João Doria (PSDB).
Segundo a ANP, entre 30 de janeiro a 5 de fevereiro, o preço do etanol subiu na média de seis estados, caiu em 19 e no Distrito Federal e não foi contabilizado no Amapá. A gasolina, por sua vez, caiu em 19 unidades da federação.

Em São Paulo, maior produtor e consumidor de etanol do país, o biocombustível teve uma redução de 1,73%, custando R$ 4,706/L na média. Já a gasolina foi vendida a R$ 6,366/L, retração de 0,06%. Com isso, a relação entre os preços caiu, ficando em 73,9% ante os 75,2% do período anterior. A pesquisa foi feita em 105 cidades paulistas, uma a menos do que na semana anterior.
Em Goiás, o etanol foi comercializado a R$ 4,943/L na média da semana analisada, com uma redução semanal de 2,6%. Enquanto isso, a gasolina apresentou diminuição de 2,03%, para R$ 6,963/L. Assim, a relação entre os preços dos combustíveis ficou em 71%, pouco abaixo dos 71,4% de uma semana antes e a mais favorável ao etanol dentre todos os estados. Segundo a ANP, 15 cidades goianas foram consideradas no levantamento, uma a mais do que uma semana antes.
Por sua vez, Minas Gerais registrou redução de 0,91% no preço médio do etanol, que foi comercializado a R$ 5,127/L. A gasolina passou por uma queda de 0,17% e foi negociada a R$ 6,954/L, em média. Com isso, o renovável custou o equivalente a 73,7% do preço do combustível fóssil, índice inferior ao visto na semana anterior, de 74,3%. No total, 46 municípios mineiros participaram da pesquisa, mesma quantidade da semana anterior.
Em Mato Grosso, o preço médio do etanol teve uma queda de 2,32%, para R$ 4,665/L, o valor mais baixo dentre todas as unidades da federação. Na semana, a gasolina também caiu 0,48%, passando a custar R$ 6,491/L. Desta forma, a relação entre os preços ficou em 71,9%, abaixo dos 73,2% de uma semana. A ANP fez a pesquisa em sete municípios mato-grossenses, mesma quantia do último levantamento.
Já em Mato Grosso do Sul, o valor do etanol diminuiu 1,37%, ficando em R$ 5,114/L. A gasolina, por sua vez, teve uma redução de 0,65%, para R$ 6,433/L. Assim, o biocombustível custou o equivalente a 79,5% do preço de seu concorrente fóssil, inferior aos 80,1% de uma semana antes, mas ainda assim a mais alta relação dentre os seis principais estados produtores de etanol do país. Somente cinco cidades do estado participaram do levantamento.
Por fim, no Paraná, o biocombustível custou o equivalente a 77,9% do preço da gasolina. No período, o renovável teve uma redução de 0,94%, sendo vendido por R$ 5,038/L na média estadual. Já a gasolina subiu 0,89%, para R$ 6,466/L. No total, 23 cidades foram pesquisadas no estado, uma a menos do que que o total visto uma semana antes.

Os preços do etanol e da gasolina por região, estado ou cidade desde 2018 estão disponíveis na planilha interativa (exclusiva para assinantes). Também estão disponíveis gráficos avançados e filtros interativos sobre o comportamento dos preços.
Após mais de dois meses em pausa, o levantamento de preços nos postos voltou a ser realizado semanalmente no final de outubro de 2020. Ainda assim, as comparações entre as análises não são precisas, já que o número de municípios pesquisados vem mudando semanalmente, conforme já era previsto pela ANP.
Entre 30 de janeiro e 05 de fevereiro, 378 cidades foram pesquisadas, duas a mais do que no período anterior. O levantamento inclui todas as capitais dos estados brasileiros. Algumas localidades deixaram de participar no comparativo semanal, mudando o número de municípios de alguns estados.
Apesar da progressão no número de cidades, o total está abaixo do objetivo divulgado pela ANP: 459. A agência vem demonstrando dificuldades em cumprir com o esperado em relação ao levantamento desde a pausa, quando tinha uma expectativa de data de retomada que não foi atingida e atrasou mais de um mês.
Com este retorno gradual, os números seguem não correspondendo à média dos postos dos estados como ocorria antes da pausa. A comparação semanal também deve ser observada com cautela, já que a amostra pode aumentar ou diminuir semanalmente.
Gabrielle Rumor Koster – NovaCana