Etanol: Preços

Preço nos postos: Primeira semana útil de 2021 traz aumento para etanol e gasolina

Biocombustível só é economicamente favorável em dois estados brasileiros: Minas Gerais e Goiás


novaCana.com - 11 jan 2021 - 11:29

Os destaques sobre o preço do etanol na semana de 3 a 9 de janeiro:

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  1. Preço médio da gasolina nas cidades pesquisadas subiu 1,06%, enquanto etanol teve acréscimo de 0,75%

  2. Na média nacional, o valor do combustível renovável correspondeu a 70,2% do preço de comercialização do fóssil

  3. O consumo de etanol é economicamente vantajoso apenas em algumas cidades de Minas Gerais e Goiás

  4. O preço do biocombustível subiu nas usinas de São Paulo, Mato Grosso e Goiás


Após iniciar o ano com uma pequena queda, o etanol volta a subir de preço nos postos brasileiros – com a gasolina, não é diferente, só que em maior medida. Isso favoreceu timidamente a competitividade do renovável na média nacional, ainda que o etanol siga economicamente vantajoso em apenas dois estados brasileiros: Minas Gerais e Goiás.

Entre 3 e 9 de janeiro, o biocombustível custou aos consumidores brasileiros R$ 3,204/L, na média da amostra analisada. O valor corresponde a um aumento de 0,75% no comparativo com o período anterior, quando o valor era de R$ 3,180/L.

O aumento vem na sequência de uma redução, vista entre a última semana de 2020 e primeira de 2021, de 0,09%.

Já a gasolina, teve um acréscimo de preços nas bombas de 1,06% na semana, indo de R$ 4,517/L para R$ 4,565/L, a terceira semana consecutiva de aumentos.

Com isso, a relação entre o valor do combustível fóssil e o do biocombustível foi, na média, de 70,2% – pouco acima do limite considerado como economicamente favorável ao etanol, de 70%. Ainda assim, o indicador foi levemente mais favorável ao biocombustível na comparação semanal, devido ao aumento de preço mais acentuado do combustível fóssil.

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Uma das possíveis motivações para a elevação no preço dos combustíveis pode a anúncio da Petrobras feito na última semana de dezembro, que estipulou um aumento de 5% para a gasolina nas refinarias.

Por outro lado, vale lembrar que o repasse que os consumidores sentem no bolso não são automáticos e dependem de uma série e fatores, como margem de distribuição e tributos.

Os dados, divulgados pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), fazem parte do levantamento dos preços de combustíveis realizado pela agência.

No período, foram consideradas 131 cidades; onze a mais que uma semana antes. Com isso, a comparação semanal segue comprometida, uma vez que o número de municípios pesquisados aumenta a cada análise.

Nas usinas, conforme dados do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), da Esalq-USP, os preços nas usinas dos principais estados produtores do biocombustível aumentaram entre os dias 30 de dezembro e 8 de janeiro. Em São Paulo, o valor cresceu 0,85%, enquanto em Goiás o aumento foi de 0,47% e, em Mato Grosso, de 0,72%.

Destaques nos estados

No período de 3 a 9 de de janeiro, o preço do etanol subiu em 17 estados, caiu em oito e no Distrito Federal, além de não poder ser comparado no Amapá. Enquanto isso, o preço da gasolina subiu em 24 unidades da federação.

O estado de maior produção e consumo de etanol no país, São Paulo, teve um acréscimo de 0,96% no preço do biocombustível, ficando em R$ 3,039/L. Por sua vez, a gasolina passou por um aumento de 1,13%, para R$ 4,283/L, fazendo com que a relação entre os preços dos dois combustíveis ficasse em 71%.

Ainda que o índice tenha ficado acima do limite considerado comercialmente favorável para o etanol, o valor do renovável nas bombas segue sendo o menor entre todos os estados. No total, 40 cidades paulistas fizeram parte da pesquisa, cinco a mais do que uma semana antes.

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Já dentre as dez cidades analisadas em Minas Gerais, o valor médio do etanol aumentou 0,41%, para R$ 3,215/L, e o da gasolina subiu 1,13%, para R$ 4,670/L. Com isso, a relação entre os preços ficou em 68,8%, ainda dentro do limite considerado favorável ao biocombustível.

A mesma relação percentual entre etanol e gasolina se deu em Goiás, onde a consulta da ANP segue ocorrendo em apenas duas cidades. No estado, o etanol subiu 0,83% na semana, atingindo R$ 3,298/L. Porém, a gasolina também sofreu aumento, de 1,48%, ficando em R$ 4,792/L.

Já em Mato Grosso, onde também somente dois municípios participaram do levantamento, o preço do etanol caiu 0,34% e o da gasolina subiu 0,02%, ficando em R$ 3,245/L e R$ 4,559/L, respectivamente. Apesar da queda para o biocombustível, a relação entre os valores segue acima da marca de 70%, ficando em 71,2% na semana.

Em Mato Grosso do Sul, a relação entre os combustíveis foi de 71,4%, em um cenário de aumento do preço tanto para etanol quanto para a gasolina, com 0,76% e 1,51%, respectivamente.

No Paraná, não foi diferente, já que tanto etanol quando gasolina tiveram aumentos: o primeiro em 0,29%, e a segunda em 1,61%. Com isso, a relação de preços foi de 74,7%, resultado desfavorável ao biocombustível.

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Os preços do etanol e da gasolina por região, estado ou cidade desde 2001 estão disponíveis na planilha interativa (exclusiva para assinantes). Também estão disponíveis gráficos avançados e filtros interativos sobre o comportamento dos preços.

Comparação comprometida

Após mais de dois meses em pausa, o levantamento de preços nos postos voltou a ser realizado semanalmente no final de outubro de 2020. Ainda assim, as comparações entre as análises não são precisas, já que o número de municípios pesquisados vem mudando semanalmente, conforme já era previsto pela ANP.

No período de 3 a 9 de dezembro, 131 cidades foram pesquisadas pela entidade, 11 a mais do que no período anterior. Todas as capitais foram incluídas, menos a do Amapá, no caso do etanol. O estado que não apresenta qualquer dado desde o retorno da consulta de preços.

Apesar da progressão no número de cidades, o total está bem abaixo do objetivo divulgado pela ANP, que é de 459 municípios.

A ANP vem demonstrando dificuldade em cumprir com o esperado em relação ao levantamento desde a pausa, quando tinha uma expectativa de data de retomada que não foi cumprida e atrasou mais de um mês.

Com este retorno gradual, os números seguem não correspondendo à média dos postos dos estados, como ocorria antes da pausa. A comparação semanal também deve ser observada com cautela, já que a amostra pode aumentar ou diminuir semanalmente.

Gabrielle Rumor Koster – novaCana.com