Etanol: Preços

Preço nos postos: Etanol registra nova queda, mas ainda não é competitivo

Na média nacional, valor do biocombustível é desvantajoso perante o da gasolina pela sexta semana consecutiva


NovaCana - 08 jun 2021 - 11:35

Os destaques sobre o preço do etanol na semana de 30 de maio a 5 de junho:

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  1. O preço médio da gasolina nas cidades pesquisadas subiu 0,05%, enquanto o do etanol caiu 0,62%

  2. Na média nacional, o valor do combustível renovável correspondeu a 76,6% do preço de comercialização do fóssil

  3. O consumo de etanol não é considerado economicamente vantajoso em todos os estados do país

  4. O levantamento de preços da ANP foi realizado em 266 municípios, 16 a mais do que na semana anterior


A transição de maio para junho, apesar do feriado de Corpus Christi, manteve a tendência vista na semana anterior quanto às variações nos preços dos combustíveis do ciclo Otto nos postos, com uma leve queda de 0,62% para o etanol hidratado e um pequeno aumento para a gasolina, de 0,05%. Os valores correspondem ao levantamento semanal realizado pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP).

De 30 de maio a 5 de junho, o preço médio do litro do etanol foi de R$ 4,334, com variações de R$ 3,549/L a R$ 6,89/L. Por sua vez, a gasolina foi vendida a R$ 5,656/L em média, com mínima de R$ 4,398/L e máxima também de R$ 6,89/L.

Desta forma, na média nacional, o biocombustível não pode ser considerado competitivo ante seu concorrente fóssil, repetindo o cenário das cinco semanas anteriores. O preço do etanol foi equivalente a 76,6% o valor da gasolina – ainda que o resultado esteja 0,5 ponto percentual abaixo do visto no período anterior, ele segue acima do limite comercialmente estabelecido, de 70%.

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É importante reiterar que essas comparações não são exatamente precisas, já que o levantamento dos preços de combustíveis ainda não está sendo realizado em todas as cidades brasileiras.

Na semana analisada, foram levantados os dados de postos de 266 municípios, 16 a mais do que no período anterior. Desta forma, a comparação semanal segue comprometida, uma vez que o número de localidades pesquisadas muda a cada análise.

Variações nos estados

Entre 30 de maio e 5 de junho, os preços do etanol nos postos subiram na média de 19 estados, caindo nos sete restantes e no Distrito Federal. Já a gasolina apresentou alta em 15 unidades da federação, incluindo o Distrito Federal, e queda em 12.

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Em São Paulo, o maior estado produtor e consumidor de etanol do país, tanto a gasolina quanto o etanol tiveram queda, de 0,17% e de 0,89%, respectivamente. Com isso, o biocombustível foi negociado, em média, a R$ 4,122 e custou o equivalente a 76,6% do preço da gasolina.

Assim, apesar da queda no valor cobrado pelo etanol nos postos e do fato deste ser o menor preço médio entre todos os estados, o consumo de etanol segue desfavorável economicamente para os motoristas paulistas. A pesquisa foi feita em 98 cidades, quatro a mais do que na semana anterior.

Já Goiás é o estado que apresenta a relação de preços menos desfavorável ao biocombustível, ainda que acima do limite da competitividade, com 74,7%. Na semana, o etanol apresentou uma queda de 1,23% – superior à vista pela gasolina, de 0,34% – e foi negociado, em média, a R$ 4,426/L. Apenas cinco cidades foram consideradas no levantamento, duas a menos ante o período anterior.

Por sua vez, Minas Gerais teve a maior diminuição no preço médio do etanol, com 1,96%, e o litro sendo negociado a R$ 4,395. Enquanto isso, a gasolina teve redução de 0,39% e foi vendida a R$ 5,858/L, em média. No total, 21 municípios mineiros participaram da pesquisa, mantendo o patamar da semana anterior.

Contrariando a tendência vista nos demais estados produtores de cana-de-açúcar, Mato Grosso registrou aumento semanal de 6,29% para o etanol – o mais alto do país – e de 0,16% para a gasolina. Desta forma, os combustíveis foram comercializados a R$ 4,34/L e R$ 5,677/L, respectivamente, e a relação entre os preços subiu para 76,4%. Neste caso, a ANP manteve cinco municípios participando da pesquisa.

Outro estado que teve uma elevação no indicador foi Mato Grosso do Sul, onde o valor da gasolina caiu 0,42%, uma taxa maior que a do etanol, de 0,35%. Assim, o biocombustível passou a custar o equivalente a 78,6% do preço de seu concorrente fóssil. Além da capital Campo Grande, apenas Dourados e Corumbá participaram do levantamento.

Por fim, o Paraná apresenta a mais alta relação entre os preços quando se considera os seis maiores produtores de etanol do país, com 80,5%. No estado, o etanol teve uma queda de 1,96% na semana, enquanto a gasolina teve uma redução de 0,39%. Assim, apesar do biocombustível não ser considerado competitivo, o indicador caiu 0,8 ponto percentual ante a semana anterior.

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Os preços do etanol e da gasolina por região, estado ou cidade desde 2018 estão disponíveis na planilha interativa (exclusiva para assinantes). Também estão disponíveis gráficos avançados e filtros interativos sobre o comportamento dos preços.

Comparação comprometida

Após mais de dois meses em pausa, o levantamento de preços nos postos voltou a ser realizado semanalmente no final de outubro de 2020. Ainda assim, as comparações entre as análises não são precisas, já que o número de municípios pesquisados vem mudando semanalmente, conforme já era previsto pela ANP.

Entre 30 de maio e 5 de junho, 266 cidades foram pesquisadas, 16 a mais do que no período anterior. O levantamento inclui todas as capitais dos estados brasileiros. Algumas localidades deixaram de participar no comparativo semanal, mudando o número de municípios de alguns estados.

Apesar da progressão no número de cidades, o total está bem abaixo do objetivo divulgado pela ANP: 459. A agência vem demonstrando dificuldades em cumprir com o esperado em relação ao levantamento desde a pausa, quando tinha uma expectativa de data de retomada que não foi atingida e atrasou mais de um mês.

Com este retorno gradual, os números seguem não correspondendo à média dos postos dos estados como ocorria antes da pausa. A comparação semanal também deve ser observada com cautela, já que a amostra pode aumentar ou diminuir semanalmente.

Renata Bossle – NovaCana


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