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Etanol: Preços

Preço nos postos: Etanol segue em queda, mas gasolina tem primeira alta em oito semanas

Preço do renovável teve retração de 0,1%, enquanto seu concorrente fóssil sofreu incremento de 0,18%


NovaCana - 17 jan 2022 - 11:52

Os destaques sobre o preço dos combustíveis na semana de 9 a 15 de janeiro:

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  1. O preço médio da gasolina subiu 0,18% nas cidades pesquisadas, enquanto o do etanol caiu 0,1%

  2. O consumo de etanol é considerado economicamente desvantajoso em todos os estados do país

  3. O valor do hidratado aumentou nas usinas paulistas e caiu nas goianas e mato-grossenses

  4. Levantamento de preços da ANP foi realizado em 360 municípios, 12 a mais do que na semana anterior


A tendência de queda do preço do etanol segue firme na média dos postos brasileiros considerando a segunda semana do ano. No período de 9 a 15 de janeiro, o biocombustível passou por uma redução de 0,1%, de R$ 5,051 por litro para R$ 5,046/L. Apesar da diminuição ser pequena, esta já é a oitava semana consecutiva de retração para o produto.

A gasolina, por outro lado, teve seu primeiro incremento após oito semanas de queda. No período, o valor do combustível fóssil saiu de R$ 6,596/L para R$ 6,608/L na média nacional, alta de 0,18%.

Os valores correspondem ao levantamento semanal realizado pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP).

A alteração da tendência ocorre logo após o aumento dos preços da gasolina e do diesel para as distribuidoras, anunciado pela Petrobras na última terça-feira, 11. Entretanto, esta transferência não é necessariamente imediata, tendo diversos outros fatores que influenciam nos preços.

Com isso, a relação entre o preço do biocombustível e o de seu concorrente fóssil no período foi de 76,4%, levemente abaixo do resultado de uma semana antes, quando era de 76,6%.

Ainda assim, o biocombustível não é considerado comercialmente competitivo e segue distante do limite estabelecido de 70% do custo da gasolina, faixa em que é tido como vantajoso para os consumidores.

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As comparações de valores nos postos não são exatamente precisas, já que o levantamento dos preços de combustíveis ainda não está sendo realizado em todas as cidades brasileiras e o número de localidades pesquisadas muda. Na semana analisada, foram levantados os dados de 360 municípios, 12 a mais do que no período anterior.

Nas usinas paulistas, por sua vez, o preço do hidratado aumentou 0,02%, de R$ 3,3510/L para R$ 3,3516/L. Os dados são do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), da Esalq-USP. Enquanto isso, houve uma redução de 0,93% nas produtoras goianas e de 0,08% nas mato-grossenses.

Reação à alta

O aumento do preço dos combustíveis gerou diversas reações na última semana, especialmente no campo político. O coordenador do Fórum de Governadores, Wellington Dias (PT-PI), disse que o fato deixou claro que a responsabilidade pela alta de preços é da Petrobras.

Além disso, senadores como Alvaro Dias (Podemos-PR), Humberto Costa (PT-PE), Jean Paul Prates (PT-RN) e Omar Aziz (PSD-AM), alertaram sobre os novos percentuais de reajuste. “O brasileiro já não aguenta mais tanto aumento. A medida pode impactar outros setores da economia, como os alimentos”, expôs Costa.

Em contrapartida, a Associação Brasileira dos Importadores de Combustíveis (Abicom) informou, logo após anúncio da alta dos preços, que os valores seguem defasados no mercado interno. De acordo com a entidade, a gasolina está, em média, 6% abaixo do preço praticado no mercado internacional, e o óleo diesel, 7%.

Já o presidente do executivo, Jair Bolsonaro (PL), não perdeu a oportunidade de criticar a petroleira, dizendo que “se pudesse, ficaria livre da Petrobras”. Além disso, ele afirmou que não tem responsabilidade sobre os preços dos combustíveis.

Descongelamento do ICMS

Outro tópico discutido durante os últimos dias foi o fim do congelamento do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) sobre os combustíveis, previsto para o dia 31 deste mês, mas que dividia opiniões.

Na última sexta-feira, 14, o Comitê Nacional de Secretários da Fazenda (Comsefaz) divulgou que vai encerrar o congelamento na data prevista.

Segundo o Sindicato do Comércio Varejista de Derivados de Petróleo (Sincopetro), o impacto da decisão deve chegar ao consumidor já no próximo mês e o litro da gasolina na bomba pode ficar R$ 0,027 mais caro em São Paulo.

Por sua vez, o presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira (PP-AL), criticou no último domingo, 16, a postura de governadores em relação ao preço dos combustíveis e afirmou que as cobranças sobre o tema precisam ser dirigidas ao Senado, uma vez que a Câmara já aprovou um projeto sobre o tema.

Variações nos estados

Segundo a ANP, entre 9 e 15 de janeiro, o preço do etanol subiu na média de sete estados e no Distrito Federal, caiu em 17, ficou estável na Paraíba e não foi contabilizado no Amapá. A gasolina, por sua vez, aumentou em 15 unidades da federação.

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Em São Paulo, maior produtor e consumidor de etanol do país, o biocombustível teve uma redução de 0,18%, custando R$ 4,869/L na média. Já a gasolina foi vendida a R$ 6,339/L, aumento de 0,3%. Com isso, a relação entre os preços caiu, ficando em 76,8% ante os 77,2% do período anterior. A pesquisa foi feita em 105 cidades paulistas, mesma quantidade que na semana anterior.

Em Goiás, o etanol foi comercializado a R$ 4,980/L na média da semana analisada, com uma retração semanal de 1,18%. Enquanto isso, a gasolina apresentou recuo de 1,67%, para R$ 6,923/L. Assim, a relação entre os preços dos combustíveis ficou em 71,9%, abaixo dos 72,3% de uma semana antes. Segundo a ANP, 13 cidades goianas foram consideradas no levantamento, uma a menos do que no período anterior.

Por sua vez, Minas Gerais registrou aumento de 0,04% no preço médio do etanol, que foi comercializado a R$ 5,247/L. A gasolina passou por um incremento de 0,71% e foi negociada a R$ 6,938/L, em média. Com isso, o renovável custou o equivalente a 75,6% do preço do combustível fóssil, índice inferior ao visto na semana anterior, de 76,1%. No total, 45 municípios mineiros participaram da pesquisa, três a mais do que na semana anterior.

Em Mato Grosso, o preço médio do etanol teve um aumento de 1,24%, para R$ 4,667/L. Ainda assim, este é o menor valor para o produto dentre todas as unidades da federação. Na semana, a gasolina caiu 0,26%, passando a custar R$ 6,526/L. Desta forma, a relação entre os preços ficou em 71,5%, acima dos 70,5% de uma semana; mesmo assim, Mato Grosso é o estado com o biocombustível mais competitivo do país. A ANP fez a pesquisa em sete municípios mato-grossenses, dois a mais do que no último levantamento.

Já em Mato Grosso do Sul, o valor do etanol caiu 0,06%, ficando em R$ 5,228/L. A gasolina, por sua vez, teve um aumento de 1,26%, para R$ 6,489/L. Assim, o biocombustível custou o equivalente a 80,6% do preço de seu concorrente fóssil, inferior aos 81,6% de uma semana antes. Somente Campo Grande, Corumbá, Dourados, Ponta Porã e Três Lagoas participaram do levantamento.

Por fim, no Paraná, o biocombustível custou o equivalente a 80,7% do preço da gasolina, a mais alta relação dentre os seis principais estados produtores de etanol do país. No período, o renovável teve um decréscimo de 0,83%, sendo vendido por R$ 5,112/L na média estadual. Já a gasolina caiu 0,09%, para R$ 6,335/L. No total, 22 cidades foram pesquisadas no estado, mesma quantidade do que o total visto uma semana antes.

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Os preços do etanol e da gasolina por região, estado ou cidade desde 2018 estão disponíveis na planilha interativa (exclusiva para assinantes). Também estão disponíveis gráficos avançados e filtros interativos sobre o comportamento dos preços.

Comparação comprometida

Após mais de dois meses em pausa, o levantamento de preços nos postos voltou a ser realizado semanalmente no final de outubro de 2020. Ainda assim, as comparações entre as análises não são precisas, já que o número de municípios pesquisados vem mudando semanalmente, conforme já era previsto pela ANP.

Entre 9 e 15 de janeiro, 360 cidades foram pesquisadas, 12 a mais do que no período anterior. O levantamento inclui todas as capitais dos estados brasileiros. Algumas localidades deixaram de participar no comparativo semanal, mudando o número de municípios de alguns estados.

Apesar da progressão no número de cidades, o total está abaixo do objetivo divulgado pela ANP: 459. A agência vem demonstrando dificuldades em cumprir com o esperado em relação ao levantamento desde a pausa, quando tinha uma expectativa de data de retomada que não foi atingida e atrasou mais de um mês.

Com este retorno gradual, os números seguem não correspondendo à média dos postos dos estados como ocorria antes da pausa. A comparação semanal também deve ser observada com cautela, já que a amostra pode aumentar ou diminuir semanalmente.

Gabrielle Rumor Koster – NovaCana


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