Etanol: Preços

Preço nos postos: Etanol tem primeira queda em oito semanas

Renovável caiu 0,3% enquanto a gasolina teve um decréscimo de 0,2%; relação entre valores foi de 76,5%


NovaCana - 05 dez 2022 - 11:26 - Última atualização em: 13 dez 2022 - 11:55

Os destaques sobre o preço dos combustíveis na semana de 27 de novembro a 3 de dezembro:

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  1. O valor do etanol subiu em 13 estados e no Distrito Federal, já o da gasolina aumentou em sete unidades da federação

  2. O consumo do biocombustível não é considerado economicamente vantajoso em qualquer estado

  3. O preço do etanol hidratado teve redução nas usinas paulistas e aumento nas mato-grossenses e goianas 

  4. Levantamento de preços da ANP foi realizado em 230 cidades brasileiras, oito a mais ante a semana anterior


O preço da gasolina nos postos brasileiros apresentou a sua segunda queda semanal seguida, depois de seis aumentos consecutivos. Já o etanol apresentou uma pequena baixa após oito semanas consecutivas de elevação.

De 27 de novembro a 3 de dezembro, na média nacional, o biocombustível passou de R$ 3,86 por litro para R$ 3,85/L, queda de 0,3%. E a gasolina foi de R$ 5,04/L para R$ 5,03/L, redução de 0,2%.

Os valores foram divulgados pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) e correspondem a 230 cidades, incluindo a maioria das capitais brasileiras.

Especialistas ouvidos pela agência de notícias Reuters justificaram a disparada do etanol nas últimas semanas pela entrada da entressafra das usinas de cana-de-açúcar, o que diminui a oferta, e também pela incerteza tributária. Eles ainda afirmam que, apesar de atualmente estável, a tendência é de alta para o etanol.

Ainda não se sabe se a equipe de transição do novo governo irá manter ou não a isenção dos impostos federais, o que abalou a competitividade do biocombustível perante a gasolina. Mas, de acordo com análise feita pelo Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), da Esalq-USP, boa parte dos vendedores e compradores acredita na volta dos impostos.

De acordo com a ANP, a relação entre o preço do biocombustível e o de seu concorrente fóssil nos postos foi de 76,5% na semana. Com a redução do etanol, o resultado ficou levemente abaixo do visto uma semana antes, de 76,6%. Mas ainda superior ao limite considerado economicamente vantajoso para o etanol, de 70%.

Nas médias estaduais, por sua vez, o renovável não é mais vantajoso em nenhum caso.

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Nas usinas paulistas, o etanol hidratado saiu de R$ 2,8094/L para R$ 2,7757/L. A redução foi de 1,2%, conforme dados do Cepea, da Esalq-USP. Além disso, houve aumento de 0,1% tanto nas produtoras goianas quanto nas mato-grossenses.

Variações nos estados

Em meio à troca da empresa terceirizada responsável pelo levantamento da ANP, a amostragem de municípios tem mudado a cada análise. No período mais recente, a pesquisa foi feita em 230 cidades, oito a mais do que uma semana antes. Esta diferença no número compromete a comparação.

Segundo a ANP, de 27 de novembro a 3 de dezembro, os preços do etanol caíram em dez estados, subiram em 13 e no Distrito Federal, ficaram estáveis em dois e não foram divulgadas no Amapá. Já os da gasolina tiveram redução em 15 estados, subiram em sete e ficaram estáveis em cinco.

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Em São Paulo, o biocombustível teve um decréscimo de 0,3%, custando R$ 3,77/L em média. Já a gasolina foi vendida a R$ 4,92/L, queda de 0,2%. Com isso, a relação entre os preços ficou em 76,6%, um resultado que não é economicamente favorável ao renovável, ainda que levemente abaixo dos 76,7% de uma semana antes.

Já em Goiás, o etanol foi comercializado a R$ 3,71/L na média, diminuição de 1,1%. A gasolina também caiu 2%, para R$ 4,97/L. Assim, a relação entre os preços dos combustíveis ficou em 74,6%, com elevação ante os 74% do período anterior e também desfavorável ao etanol.

Por sua vez, Minas Gerais registrou novamente estabilidade no preço médio do etanol, que foi comercializado a R$ 3,84/L, enquanto a gasolina, caiu 0,2%, sendo comercializada por R$ 4,92/L, em média. Desta forma, o renovável custou o equivalente a 78% do preço do combustível fóssil, acima do resultado anterior de 77,9% e com o etanol ainda sem competitividade.

Em Mato Grosso, o preço médio do etanol teve uma alta de 2,2%, indo para R$ 3,69/L – ainda o menor valor entre os seis maiores produtores. No período, a gasolina se manteve estável em R$ 5,11/L. Com isso, a relação entre os preços subiu para 72,2%, ante 70,6% na semana anterior. Deste modo, a relação entre os preços continua desvantajosa ao biocombustível no estado.

Já em Mato Grosso do Sul, o etanol caiu 0,8%, para R$ 3,74/L. A gasolina, por sua vez, caiu para R$ 4,77/L. Assim, o valor biocombustível correspondeu a 78,4% do preço de seu concorrente fóssil, abaixo dos 78,5% registrados uma semana antes.

Por fim, no Paraná, o biocombustível custou o equivalente a 79,7% do preço da gasolina, a mais alta relação dentre os seis principais estados produtores de etanol do país. No período, o renovável teve uma queda de 0,7%, sendo vendido por R$ 4,21/L na média estadual, também o maior valor entre os maiores fabricantes do biocombustível. Já a gasolina teve um decréscimo de 0,2%, para R$ 5,28/L.

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Os preços do etanol e da gasolina por região, estado ou cidade desde 2018 estão disponíveis na planilha interativa (exclusiva para assinantes). Também estão disponíveis gráficos avançados e filtros interativos sobre o comportamento dos preços.

Ausência de dados

Os dados estaduais de preços dos combustíveis referentes à semana de 18 a 24 de setembro não foram divulgados pela ANP e, portanto, não puderam ser comparados. Isso ocorreu, conforme a agência, por conta do fim do contrato com a empresa que realizava o levantamento de preços de combustíveis, em 13 de setembro.

Nas semanas de 25 de setembro a 1º de outubro e de 2 a 8 de outubro, foram divulgados números apenas das capitais brasileiras. Nas semanas subsequentes, outras cidades passaram a elencar a pesquisa, sendo que o levantamento mais recente totalizou 230 municípios.

Atualmente, a empresa contratada pela ANP para a realização do levantamento é a Triad Research Consultoria e Pesquisa de Mercado. A vigência do acordo começou em 26 de setembro e o cronograma prevê um crescimento gradual da amostragem, atingindo 459 municípios até 16 de abril de 2023.

Giully Regina – NovaCana


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