Etanol: Preços

Etanol perde competitividade nos postos pela terceira semana consecutiva

Aumentos menores para a gasolina fizeram com que, na média nacional, o combustível renovável custasse o equivalente a 72,3% do valor de seu concorrente fóssil


NovaCana - 10 mai 2021 - 11:29

Os destaques sobre o preço do etanol na semana de 2 a 8 de maio:

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  1. Preço médio da gasolina nas cidades pesquisadas subiu 0,91% e o do etanol, 2,10%

  2. Na média nacional, o valor do combustível renovável correspondeu a 72,3% do preço de comercialização do fóssil

  3. O consumo de etanol segue economicamente vantajoso somente em Mato Grosso e Minas Gerais

  4. O valor do biocombustível subiu nas principais usinas mato-grossenses, goianas e paulistas

  5. O levantamento de preços da ANP foi realizado em 219 municípios, três a mais do que na semana anterior


Pela terceira semana consecutiva, os combustíveis sofreram aumento de preços nas bombas dos postos – e, no caso do etanol, também nas usinas.

O movimento de ampliação foi bastante significativo nas produtoras do renovável, aponta o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), da Esalq-USP. Nas usinas mato-grossenses, a ampliação semanal foi de 7,22%; já nas goianas, o preço subiu 8,94%. A elevação foi ainda maior na média nas unidades de São Paulo, saindo de R$ 2,659 por litro para R$ 2,926/L – crescimento de 10,05%.

Estes aumentos já haviam sido observados pela S&P Global Platts ao longo da semana passada. A companhia relatou uma alta histórica nos preços de anidro e valores recordes de hidratado. A análise é que a baixa oferta colocou o mercado do biocombustível do Centro-Sul em uma fase altista.

Nas bombas, o etanol foi comercializado a R$ 3,99/L considerando a média nacional de 2 a 8 de maio. O valor corresponde a um aumento de 2,1% no comparativo com a semana anterior, quando o preço era de R$ 3,908/L. Mesmo sendo um acréscimo, a variação foi menor que a vista de 25 de abril a 1º de maio.

A gasolina, por sua vez, aumentou 0,91% no mesmo período, passando de R$ 5,465/L para R$ 5,515/L. Como seu aumento foi mais baixo do que o do renovável, o segundo vem perdendo competividade.

A relação entre os preços dos combustíveis cresceu para 72,3% ante 71,5% de uma semana antes. Desta forma, o resultado segue acima do limite comercialmente estabelecido como favorável para o etanol, de 70%.

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É importante reiterar que todas essas comparações não são exatamente precisas, já que o levantamento dos preços de combustíveis (LPC) ainda não está sendo realizado em todas as cidades brasileiras.

Na semana analisada, foram pesquisados os postos de 219 municípios, três a mais do que os do período anterior. Desta forma, a comparação semanal segue comprometida, uma vez que o número de localidades pesquisadas muda a cada análise.

Variações nos estados

Na semana de 2 a 8 de maio, os preços do etanol nos postos subiram na média de 20 estados do país e no Distrito Federal, e caíram em seis. Já a gasolina apresentou aumento na média de 22 estados.

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São Paulo, maior produtor e consumidor de etanol no país, teve um preço médio de R$ 3,774/L, aumento de 2,17% no comparativo semanal; já a gasolina subiu 0,57%. Com estas variações, a relação entre os preços subiu para 71,3%, desfavorecendo o biocombustível. A pesquisa foi feita em 77 cidades paulistas, incluindo a capital, oito a mais do que na semana anterior.

Já Minas Gerais apresentou a segunda relação mais competitiva para o renovável, de 69,7%, ainda que o indicador tenha ficado acima do da semana anterior por conta de um aumento de 0,15% no valor do hidratado. O estado foi um dos poucos em que a gasolina caiu, com 0,19%. A pesquisa feita em 22 municípios mineiros, um a mais no comparativo semanal, constatou o preço médio de R$ 4,031/L para o biocombustível.

O estado com a menor relação entre os combustíveis, ou seja, com o etanol mais competitivo segue sendo Mato Grosso, com 68,5%, resultado um pouco menor do que no período anterior. Além disso, o estado apresentou o menor valor médio do renovável, R$ 3,738/L; na semana anterior, São Paulo havia registrado o menor preço. O valor sofreu uma queda de 0,69% no comparativo semanal.

Enquanto isso, o preço da gasolina no estado aumentou 0,11%, deixando o mercado mais favorável ao etanol. A quantidade de cidades participantes do levantamento caiu de seis para quatro.

Goiás, por sua vez, registrou elevação de 5,54% no preço médio do etanol – o terceiro maior de toda a análise – e de 2,22% no da gasolina. O renovável, que ficou em R$ 4,268/L, passou a corresponder a 72,9% do valor do seu concorrente fóssil, resultado ainda mais desfavorável para o primeiro do que na semana anterior. Foram pesquisadas cinco cidades goianas.

Mato Grosso do Sul registrou o acréscimo de 0,78% no preço do etanol, que chegou aos R$ 4,130/L. Como a gasolina caiu 0,25%, a relação entre os preços foi para 74,2%, ainda acima do limite estabelecido em 70% e maior do que a da semana anterior. No estado, a pesquisa novamente foi realizada apenas na capital Campo Grande e em Dourados.

Já o Paraná apresentou o aumento de 0,28% no preço do renovável, que ficou em R$ 3,979/L. Como a gasolina caiu 0,51%, a relação entre os valores foi para 75,3%, acima do limite comercialmente estabelecido como favorável e pior no comparativo semanal. No estado, o número de cidades pesquisadas se manteve em 15.

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Os preços do etanol e da gasolina por região, estado ou cidade desde 2018 estão disponíveis na planilha interativa (exclusiva para assinantes). Também estão disponíveis gráficos avançados e filtros interativos sobre o comportamento dos preços.

Comparação comprometida

Após mais de dois meses em pausa, o levantamento de preços nos postos voltou a ser realizado semanalmente no final de outubro de 2020. Ainda assim, as comparações entre as análises não são precisas, já que o número de municípios pesquisados vem mudando semanalmente, conforme já era previsto pela ANP.

Entre 2 e 8 de maio, 219 cidades foram pesquisadas, três a mais do que no período anterior. O levantamento inclui todas as capitais dos estados brasileiros. Algumas localidades, porém, deixaram de participar no comparativo semanal, mudando o número de municípios de alguns estados.

Apesar da progressão no número de cidades, o total está bem abaixo do objetivo divulgado pela ANP: 459. A agência vem demonstrando dificuldades em cumprir com o esperado em relação ao levantamento desde a pausa, quando tinha uma expectativa de data de retomada que não foi atingida e atrasou mais de um mês.

Com este retorno gradual, os números seguem não correspondendo à média dos postos dos estados como ocorria antes da pausa. A comparação semanal também deve ser observada com cautela, já que a amostra pode aumentar ou diminuir semanalmente.

Gabrielle Rumor Koster – NovaCana


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