Os destaques sobre o preço do etanol na semana de 28 de fevereiro a 6 de março:

Preço médio da gasolina nas cidades pesquisadas subiu 2,32% e o do etanol, 6,91%
Na média nacional, o valor do renovável correspondeu a 73,7% do preço de comercialização do fóssil
O consumo de etanol segue economicamente vantajoso apenas em algumas cidades de Goiás e Mato Grosso
O valor do biocombustível continua subindo nas usinas de São Paulo, Mato Grosso e Goiás
Levantamento de preços da ANP foi realizado em 183 municípios, oito a mais que na semana anterior
A primeira semana de março novamente registrou aumentos nos preços dos combustíveis nos postos do país. Conforme os dados divulgados pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), entre 28 de fevereiro e 6 de março, tanto a gasolina quanto o etanol subiram nas médias de todos os estados.
No caso do renovável, o aumento também vem sendo observado nas usinas produtoras. Conforme os dados do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), da Esalq-USP, entre 1º e 5 de março, ele subiu 7,27% nas unidades de São Paulo, indo de R$ 2,71 para R$ 2,91 o litro. Em Mato Grosso, a elevação foi de 8,28% e, em Goiás, de 11,44%.
Nos postos, por sua vez, o preço médio do hidratado passou de R$ 3,646/L para R$ 3,898/L, um aumento de 6,91%. A elevação foi um pouco menor do que a registrada na semana passada, porém ainda uma das maiores de 2021.
A gasolina, por sua vez, registrou um aumento menor – tanto em relação ao etanol quanto ao que foi visto na semana anterior. Com a média dos preços saindo de R$ 5,17/L para R$ 5,29/L, a variação foi de 2,32%.
A valorização de ambos os combustíveis nos postos também está relacionada aos recentes reajustes de preços da gasolina promovidos pela Petrobras, devido à alta do petróleo no exterior. No acumulado de 2021, o preço do etanol hidratado acumula alta de 21,1%, enquanto a gasolina subiu 14,6%.
Com os recentes aumentos, a relação entre os preços dos combustíveis nos postos chegou a 73,7%, afastando-se do limite comercialmente estabelecido como favorável ao biocombustível, de 70%.
Este é o maior valor registrado para a relação desde março de 2017. Além disso, a variação semanal no indicador, de 4,54%, é a maior vista nos últimos anos.

É importante reiterar que todas essas comparações não são exatamente precisas, já que o levantamento dos preços de combustíveis ainda não está sendo realizado em todas as cidades brasileiras.
Na semana analisada, foram pesquisados os postos de 183 municípios, sete a mais do que os do período anterior. Desta forma, a comparação semanal segue comprometida, uma vez que o número de localidades pesquisadas muda a cada análise.
Na semana de 28 de fevereiro a 6 de março, o preço do etanol subiu na média de todos os estados e no Distrito Federal, porém caiu no Rio Grande do Norte. Já Amapá teve dados do renovável nos postos divulgados pela primeira vez desde o retorno do levantamento – e registrou aumento.
Por sua vez, a gasolina só não subiu em Santa Catarina, Paraíba e Rio Grande do Norte.

Em São Paulo, maior produtor e consumidor de etanol no país, o preço médio do biocombustível subiu 7,98%, o segundo maior aumento da análise, empatado com o Espírito Santo. Nas cidades paulistas, a relação entre os preços segue acima da linha do limite comercialmente favorável ao etanol, com 75,2%.
Na semana, a pesquisa foi feita em 56 cidades do estado, sete a mais do que na anterior. Nelas, o etanol chegou a R$ 3,775/L, o segundo menor valor do país e um dos poucos ainda abaixo dos R$ 4,00/L, enquanto a gasolina subiu menos, 3,21%.
Em Mato Grosso do Sul, o movimento foi similar: ambos os combustíveis subiram – 6,75% no caso do etanol, que ficou em R$ 4,051/L, e 1,92% no da gasolina. O movimento desvalorizou o renovável, que custou o equivalente a 74,7% do preço da gasolina.
Mesmo assim, conforme reportagem do portal Campo Grande News, como o preço médio do combustível fóssil já ultrapassa a linha dos R$ 5,40/L, a demanda para o renovável vem aumentando, chegando a ficar em falta em alguns postos da capital.
A pesquisa da ANP segue sendo feita em apenas três cidades sul-mato-grossenses: a capital Campo Grande, Dourados e Ponta Porã.
Minas Gerais também continua registrando uma relação de preços acima do limite favorável ao etanol, de 72,8%. Isso se deve ao aumento superior para o renovável, de 7,12%, ante à elevação da gasolina, de 3,52%. O número de municípios mineiros participantes da pesquisa novamente subiu e chegou a 18.
Em Goiás, por sua vez, o etanol subiu 4,51% e ficou em R$ 3,846/L, enquanto a gasolina teve um aumento menor, de 3,93%. Assim, a relação entre os preços aumentou para 68,9%, mantendo o hidratado no patamar comercialmente favorável, como visto na semana anterior, e passando a ser o mais competitivo do país. O número de municípios pesquisados no estado subiu para cinco.
Mato Grosso, por sua vez, também registrou aumento na relação entre os preços dos combustíveis na semana analisada, ficando em 69,3%. Desta forma, o renovável segue competitivo, mas mais próximo da linha dos 70%.
Isso se deveu ao maior aumento para o etanol, de 8,84% – apesar desta ser a maior variação da análise, o etanol possui o menor valor do país, R$ 3,597/L –, enquanto a gasolina subiu 4,53%. O estado manteve as mesmas três cidades participantes do levantamento: a capital Cuiabá, Várzea Grande e Cáceres.
No Paraná, o número de cidades pesquisadas caiu para 12. Na média delas, o renovável apresentou aumento de 6,75% e a gasolina, de 2,39%. Desta forma, a relação entre os preços ficou em 77,5%, acima do limite comercialmente favorável para o biocombustível e novamente maior do que o índice registrado na semana anterior.

Os preços do etanol e da gasolina por região, estado ou cidade desde 2018 estão disponíveis na planilha interativa (exclusiva para assinantes). Também estão disponíveis gráficos avançados e filtros interativos sobre o comportamento dos preços.
Após mais de dois meses em pausa, o levantamento de preços nos postos voltou a ser realizado semanalmente no final de outubro de 2020. Ainda assim, as comparações entre as análises não são precisas, já que o número de municípios pesquisados vem mudando semanalmente, conforme já era previsto pela ANP.
Entre 28 de fevereiro e 6 de março, 183 cidades foram pesquisadas, oito a mais do que no período anterior. O levantamento inclui todas as capitais. Ainda assim, algumas localidades deixaram de ser pesquisadas no comparativo semanal, mudando o número de participantes em alguns estados.
Apesar da progressão no número de cidades, o total está bem abaixo do objetivo divulgado pela ANP: 459. A agência vem demonstrando dificuldades em cumprir com o esperado em relação ao levantamento desde a pausa, quando tinha uma expectativa de data de retomada que não foi atingida e atrasou mais de um mês.
Com este retorno gradual, os números seguem não correspondendo à média dos postos dos estados como ocorria antes da pausa. A comparação semanal também deve ser observada com cautela, já que a amostra pode aumentar ou diminuir semanalmente.
Rafaella Coury – novaCana.com