Etanol: Preços

Preço do etanol não é competitivo nos postos de todos os estados do país

Relação entre os valores cobrados pelos combustíveis segue no patamar mais desfavorável para o renovável desde fevereiro de 2017


NovaCana - 24 mai 2021 - 11:59

Os destaques sobre o preço do etanol na semana de 16 a 22 de maio:

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  1. Preço médio da gasolina nas cidades pesquisadas subiu 1,48% e o do etanol, 2,71%

  2. Na média nacional, o valor do combustível renovável correspondeu a 77,3% do preço de comercialização do fóssil

  3. O consumo de etanol não é economicamente vantajoso em todo o país

  4. O biocombustível subiu nas principais usinas mato-grossenses, mas caiu nas goianas e paulistas

  5. O levantamento de preços da ANP foi realizado em 239 municípios, 22 a mais do que na semana anterior


O preço médio dos combustíveis nas bombas dos postos de todo o país segue subindo, assim como vem ocorrendo nas últimas cinco semanas. Depois de um aumento de mais de 6% no valor do etanol, ele subiu mais 2,71% na semana de 16 a 22 de maio.

De acordo com o levantamento da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), o hidratado passou de R$ 4,247 por litro para R$ 4,362/L, o maior valor registrado na série histórica, iniciada em 2002.

Nas usinas, o movimento não foi o mesmo. De acordo com o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), da Esalq-USP, em São Paulo, o etanol caiu 4,53% na semana de 14 a 21 de maio, indo de R$ 3,0488/L para R$ 2,9107/L. Em Goiás, ele também apresentou queda, de 1,38%, enquanto em Mato Grosso, subiu 2,08%.

O preço da gasolina também segue aumentando nos postos, porém em menores proporções. Na semana analisada, o acréscimo foi de 1,48%, passando de R$ 5,559/L para R$ 5,641/L.

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Com estas variações nos valores dos combustíveis, o etanol mais uma vez se desvalorizou em relação à gasolina e o comparativo entre os preços ficou em 77,3%, acima da linha comercialmente estabelecida como favorável, de 70%. Esta é a quinta desvalorização consecutiva e o pior indicador desde fevereiro de 2017.

É importante reiterar que todas essas comparações não são exatamente precisas, já que o levantamento dos preços de combustíveis ainda não está sendo realizado em todas as cidades brasileiras.

Na semana analisada, foram pesquisados os postos de 239 municípios, 22 a mais do que os do período anterior – este foi o maior aumento semanal no número de localidades pesquisadas desde o retorno da pesquisa. Desta forma, a comparação segue comprometida, uma vez que o número de localidades pesquisadas muda a cada análise.

Variações nos estados

Na semana de 16 a 22 de maio, os preços do etanol nos postos subiram na média de quase todos os estados do país, exceto em Goiás e Rondônia, e na do Distrito Federal. Já a gasolina apresentou queda em apenas quatro estados.

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São Paulo, maior produtor e consumidor de etanol no país, registrou o preço médio de R$ 4,176/L para o renovável, um aumento de 2,35% no comparativo semanal. A gasolina, por sua vez, subiu um pouco menos, 1,02%.

Com isso, a relação entre os preços aumentou e chegou a 77,7%, acima do limite comercialmente estabelecido e desfavorecendo o etanol. A pesquisa foi feita em 84 cidades paulistas, nove a mais do que na semana anterior.

Já Minas Gerais apresentou elevação de 3,76% para o hidratado, que chegou a R$ 4,52/L. Como a gasolina subiu apenas 0,85%, a relação entre os preços foi para 76,6%, ainda desfavorável para o etanol. A pesquisa foi feita em 23 municípios mineiros, um a menos no comparativo semanal.

Goiás foi um dos dois estados onde o valor do renovável caiu na análise; após a redução de 0,58%, ele chegou a R$ 4,429/L. Como a gasolina apresentou queda similar, de 0,54%, a relação entre eles seguiu em 75,1%. Na semana, foram pesquisadas seis cidades goianas, uma a mais do que na anterior.

Mato Grosso, por sua vez, segue apresentando a melhor relação entre os combustíveis do país – porém, agora, acima do limite considerado economicamente favorável, chegando a 72,5%. Isso ocorreu porque o preço do etanol subiu 6,09%, o maior aumento da análise, e chegou a R$ 4,109/L, ainda assim o menor valor da semana. A gasolina, por sua vez, subiu 1,2% na média dos cinco municípios mato-grossenses pesquisados.

Mato Grosso do Sul registrou o acréscimo de 3,6% no valor do renovável, que chegou a R$ 4,46/L. Como a gasolina subiu 1,48%, a relação entre os preços foi para 78,2%, acima do limite estabelecido em 70% e maior do que a da semana anterior. No estado, a pesquisa foi realizada na capital Campo Grande, em Dourados e em Corumbá.

Já o Paraná registrou um aumento de 3,05% no preço do etanol, que chegou a R$ 4,399/L. Com a ampliação de 1,37% para a gasolina, a relação entre os valores aumentou para 81,6%, acima do limite comercialmente estabelecido como vantajoso. No estado, o número de cidades pesquisadas foi para 16, uma a mais no comparativo semanal.

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Os preços do etanol e da gasolina por região, estado ou cidade desde 2018 estão disponíveis na planilha interativa (exclusiva para assinantes). Também estão disponíveis gráficos avançados e filtros interativos sobre o comportamento dos preços.

Comparação comprometida

Após mais de dois meses em pausa, o levantamento de preços nos postos voltou a ser realizado semanalmente no final de outubro de 2020. Ainda assim, as comparações entre as análises não são precisas, já que o número de municípios pesquisados vem mudando semanalmente, conforme já era previsto pela ANP.

Entre 16 e 22 de maio, 239 cidades foram pesquisadas, 22 a mais do que no período anterior. O levantamento inclui todas as capitais dos estados brasileiros. Algumas localidades deixaram de participar no comparativo semanal, mudando o número de municípios de alguns estados.

Apesar da progressão no número de cidades, o total está bem abaixo do objetivo divulgado pela ANP: 459. A agência vem demonstrando dificuldades em cumprir com o esperado em relação ao levantamento desde a pausa, quando tinha uma expectativa de data de retomada que não foi atingida e atrasou mais de um mês.

Com este retorno gradual, os números seguem não correspondendo à média dos postos dos estados como ocorria antes da pausa. A comparação semanal também deve ser observada com cautela, já que a amostra pode aumentar ou diminuir semanalmente.

Rafaella Coury – NovaCana


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