Etanol: Preços

Fitch tem expectativa positiva para preços de açúcar e etanol em 2021

Agência de classificação de risco acredita que condições de mercado devem beneficiar o Ebitda das sucroenergéticas


novaCana.com - 07 dez 2020 - 12:00

Embora use como base de comparação os números de 2020 – um ano marcado pela queda no consumo de combustíveis, pela crise no preço do petróleo e por uma desaceleração na economia –, a Fitch Ratings afirma que as perspectivas do setor de açúcar e etanol na América Latina em 2021 são positivas.

A agência de classificação de risco divulgou um relatório resumido na última quinta-feira, 3, comentando suas expectativas para os preços.

“A Fitch espera que um leve aumento dos preços internacionais do açúcar em 2021, o real fraco e atrativas posições de hedge montadas em 2020 continuem beneficiando o Ebitda das empresas de açúcar e etanol do Brasil”, afirma o diretor da agência Cláudio Miori. O Ebitda representa o lucro das empresas antes da contabilização de juros, impostos, depreciações e amortizações.

De acordo com Miori, a Fitch espera uma recuperação dos preços médios do petróleo em 2021, indo dos atuais US$ 41 por barril para US$ 45, o que deve aumentar a competitividade do etanol brasileiro. Além disso, ele acredita que o relaxamento das medidas de distanciamento social em todo o país irá contribuir para elevar a demanda no próximo ano.

“À medida em que os fundamentos do setor melhoram, a Fitch espera condições de crédito mais favoráveis para o próximo ano, após o forte aperto de liquidez em 2020”, afirma o diretor.

Conforme o documento, a Fitch acredita que os processadores de cana-de-açúcar com baixo custo de produção, presença em cogeração e grande foco em açúcar reportarão um fluxo de caixa livre positivo e uma redução da alavancagem.

Além disso, empresas mais voltadas para o etanol – o que inclui as usinas que processam milho – devem aproveitar a expectativa de aumento dos preços internacionais do petróleo. Entretanto, uma valorização do real frente ao dólar pode limitar a elevação nos preços do biocombustível.

Outro aspecto que pode afetar as projeções é a pandemia de covid-19. “Uma persistente segunda onda de contágio pode mudar significativamente o cenário de 2021, dependendo de seu impacto nos preços do petróleo e na demanda global por açúcar, uma vez que a recuperação do setor depende da trajetória dos preços da gasolina e do relaxamento das restrições à mobilidade social”, ressalta o diretor da Fitch.

Ele ainda aponta que a discrepância entre ratings de sucroenergéticas pode aumentar à medida em que empresas mal administradas, especialmente aquelas que operam com uma estrutura de elevado custo-caixa e fraco acesso a crédito, enfrentem queda de produtividade, receitas e margens.

De acordo com a Fitch, o setor não verá fusões e aquisições relevantes em 2021, apesar do ambiente positivo de preços para o açúcar.

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