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Etanol: Preços

Estoques de etanol apertados provocam alta recorde nos preços domésticos

Valor do hidratado em maio teve 99% de aumento ante o mesmo mês de 2020; no Norte-Nordeste, arbitragem de importação permanece fechada


S&P Global Platts - 18 jun 2021 - 16:09

Por Nicolle Monteiro de Castro*

O armazenamento de etanol pelas usinas do Brasil estava em 3,34 bilhões de litros em 31 de maio, uma queda de 28% em relação ao ano anterior, de acordo com dados divulgados nesta quarta-feira, 16, pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa). Os estoques apertados empurraram os preços domésticos para níveis recordes em maio.

Segundo os números apresentados, 3,27 bilhões de litros, ou 97,7% do total, estão estocados no Centro-Sul, que também é a maior região produtora e consumidora de etanol. Este volume representa uma queda anual de 26,8%, o que explica parte do suporte de preços observado no mercado à vista no segundo mês oficial da safra 2021/22, quando costuma ocorrer alta disponibilidade de produto.

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A S&P Global Platts calcula que o preço médio do etanol hidratado em Ribeirão Preto (SP) foi de R$ 3.566/m³ em maio – a alta anual de 99% é a maior da história para o mês. Ontem, 17, a Platts avaliou o etanol hidratado em Ribeirão Preto a R$ 3.420/m³.

De todo o etanol estocado no Centro-Sul, o hidratado correspondeu a 65% do total, ou 2,12 bilhões de litros, o que caracteriza uma queda de 26,6% no ano. O menor estoque em relação ao mesmo período de 2020 foi motivado pela combinação de demanda de combustível parcialmente reintegrada no país e menores volumes de cana moída no período.

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Segundo a União da Indústria de Cana-de-açúcar (Unica), a moagem acumulada de cana entre 1º de abril e 1º de junho foi de 129,65 milhões de toneladas, um declínio anual de 10,9%. Com isso, houve uma queda de 6,7% na produção de etanol. Pelo lado da demanda, de acordo com a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), as vendas de hidratado de janeiro a abril foram de 6,42 bilhões de litros, alta anual de 1%.

Ao mesmo tempo, os estoques de anidro tiveram uma redução anual semelhante à vista pelo hidratado, de 27%, ficando em 1,15 bilhão de litros em 31 de maio.

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As usinas do Centro-Sul vêm transferindo, desde meados de setembro de 2020, um volume maior de sua produção de etanol para o anidro em detrimento do hidratado, de modo a garantir o abastecimento interno. No entanto, a arbitragem fechada para importação de anidro dos Estados Unidos desde agosto de 2020 – combinada com uma maior demanda de gasolina – limitou a disponibilidade do biocombustível no mercado à vista.

As importações brasileiras de etanol de janeiro a maio foram de 211 milhões de litros, queda de 73% no ano, enquanto a demanda por gasolina de janeiro a abril aumentou 2,5% ante o mesmo período de 2020.

Em um mercado restrito, o prêmio do anidro sobre o hidratado atingiu a média de 14,4% no mercado à vista no primeiro bimestre da safra 2021/22.

Norte-Nordeste

Na região Norte-Nordeste, que possui um déficit estrutural de etanol, a combinação da retração das importações, vista desde maio de 2020, com os produtores regionais maximizando a produção de açúcar na safra 2020/21 resultou em um cenário ainda pior para os estoques.

Os tanques de anidro do Norte-Nordeste somavam 41,9 milhões de litros em 31 de maio, queda de 41% no ano, enquanto os de hidratado totalizavam 34,8 milhões de litros, redução de 65,4%.

Este cenário apertado também foi convertido em um preço recorde para o período na região. Em 11 de junho, a avaliação da Platts para o etanol anidro entregue em Suape (PE) foi de R$ 4.015/m³, alta de 82% no ano. Apesar do aumento, a arbitragem de importação (incluindo a tarifa de 20%) foi calculada em R$ 938/m³ na mesma data.

Caso o produto não fosse tarifado, o etanol anidro dos Estados Unidos poderia chegar no porto de Suape a R$ 4.140/m³, ainda acima do preço observado pela Platts, comprovando uma arbitragem ainda fechada.

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* Nicolle Monteiro de Castro é especialista sênior de preços da S&P Global Platts

Com tradução NovaCana


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