Etanol: Preços

Combustíveis em alta: Etanol registra quarto aumento semanal consecutivo

Ampliação mais relevante para o renovável ante a gasolina fez com que biocombustível perdesse competitividade na média nacional


NovaCana - 30 ago 2021 - 11:25 - Última atualização em: 30 ago 2021 - 14:05

Os destaques sobre o preço do etanol na semana de 22 a 28 de agosto:

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  1. O preço médio da gasolina nas cidades pesquisadas subiu 0,44%, enquanto o do etanol aumentou 1,45%

  2. O consumo de etanol é considerado economicamente desvantajoso em todos os estados do país

  3. O valor do hidratado teve aumento nas principais usinas mato-grossenses e paulistas e queda nas goianas

  4. Levantamento de preços da ANP foi realizado em 349 municípios, seis a mais do que na semana anterior


Completando quatro semanas consecutivas de aumento nos postos brasileiros, o preço médio do etanol segue crescendo mais do que o da gasolina, fazendo com que o renovável perca competitividade.

Conforme especialistas consultados pela Folha de São Paulo, as altas dos combustíveis refletem a recuperação das cotações internacionais do petróleo com forte auxílio da ampliação dólar. No caso específico do etanol, a quebra da safra de cana-de-açúcar no Centro-Sul e a valorização do açúcar no mercado global também entram no rol de motivos.

Entre os dias 22 e 28 de agosto, o valor do biocombustível teve um aumento de 1,45%, saindo de R$ 4,497 por litro para R$ 4,562/L, em média. O fóssil, por sua vez, teve um acréscimo de 0,44%. Na média nacional, o preço passou de R$ 5,956/L para R$ 5,982/L entre as últimas duas semanas.

Os valores correspondem ao levantamento semanal realizado pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP).

No período analisado, o renovável custou o equivalente a 76,3% do preço de seu correspondente fóssil; na semana anterior, o índice era de 75,5%. Esta é a terceira semana seguida de redução de competitividade para o biocombustível.

Com isso, o etanol se distancia ainda mais do limite comercialmente estabelecido de 70% do custo da gasolina, faixa em que é considerado vantajoso para os consumidores. Além disso, esta é a pior relação para o produto desde o intervalo de 20 a 26 de junho, quando o índice era de 76,5%.

Mato Grosso, único estado em que o etanol era vantajoso, perdeu o posto há três semanas; no período mais recente, o índice aumentou para 74,58%. Com isso, Goiás e Minas Gerais registraram relações entre os combustíveis mais favoráveis ao renovável, ainda que acima da marca dos 70%.

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Nas usinas, ainda que tenha havido aumentos, eles foram inferiores aos de uma semana antes. Nas unidades paulistas, o acréscimo foi de 0,23%, passando de R$ 3,1806/L para R$ 3,1878/L. Enquanto isso, nas produtoras mato-grossenses, o incremento foi de 0,54%. Já nas unidades goianas, houve queda de 1,19% no preço do hidratado. Os dados são do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), da Esalq-USP.

É importante reiterar que as comparações de valores nos postos não são exatamente precisas, já que o levantamento dos preços de combustíveis ainda não está sendo realizado em todas as cidades brasileiras.

Na semana analisada, foram levantados os dados de postos de 349 municípios, seis a mais do que no período anterior. Desta forma, a comparação semanal segue comprometida, uma vez que o número de localidades pesquisadas muda a cada análise.

Variações nos estados

Segundo a ANP, de 22 a 28 de agosto, os preços do etanol nos postos subiram na média de 18 estados e no Distrito Federal, caíram em sete e não foram apurados no Amapá. A gasolina, por sua vez, teve aumento em 22 unidades da federação.

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Em São Paulo, o maior estado produtor e consumidor de etanol do país, o biocombustível teve um aumento de 1,62%, custando R$ 4,331/L na média semanal – ainda assim, este é o valor estadual médio mais baixo dentre todas as unidades da federação. Já a gasolina foi vendida a R$ 5,653/L para o consumidor paulista, passando por crescimento de 0,48%.

O aumento mais relevante do renovável no comparativo com o fóssil ocasionou uma piora na relação entre os preços, que ficou em 76,6% ante os 75,8% do período anterior. Com isso, o índice fica ainda mais distante da marca de 70%, limite da faixa em que o etanol é considerado economicamente favorável ao consumidor. A pesquisa foi feita em 104 cidades, duas a mais do que na semana anterior.

Já em Goiás, o etanol foi adquirido pelo consumidor a R$ 4,589/L na média da semana analisada. No período, houve uma breve redução de 0,02% no preço do biocombustível, a única dentre os seis estados que mais produzem. Já a gasolina sofreu um incremento de 0,14%, sendo vendida a R$ 6,283/L.

Desta forma, a relação entre os preços do renovável e o do fóssil ficou em 73% no estado, pouco abaixo dos 73,2% de uma semana antes; esta foi a relação mais favorável ao etanol no comparativo com a gasolina em todo o país. Segundo a ANP, 13 cidades foram consideradas no levantamento, duas a mais do que no período anterior.

Por sua vez, Minas Gerais teve um aumento de 1,38% no preço médio do etanol, que foi comercializado por R$ 4,627/L. A gasolina também passou por um crescimento, de 0,37%, e foi negociada a R$ 6,208/L, em média. Com isso, o renovável custou o equivalente a 74,5% do preço do fóssil, índice superior ao da semana anterior, quando era de 73,8%. No total, 42 municípios mineiros participaram da pesquisa, mesma quantidade do que na semana anterior.

Em Mato Grosso, o etanol teve aumento de 5,07%, o maior incremento dentre os seis principais estados produtores, e foi comercializado a R$ 4,556/L. Já a gasolina teve um incremento de 2,71%, passando a custar R$ 6,109/L. Desta forma, a relação entre os preços atingiu 74,6% – uma semana antes, o valor era de 72,9%. A ANP fez a pesquisa em sete municípios mato-grossenses, mesma quantidade do que no período anterior.

Em Mato Grosso do Sul, o valor do etanol cresceu 0,62%, sendo vendido a R$ 4,682/L, o maior preço dentre os seis grandes produtores. A gasolina também teve um aumento, de 0,10%, ficando em R$ 5,962/L. Assim, o biocombustível passou a custar o equivalente a 78,5% do preço de seu concorrente fóssil, acima dos 78,1% de uma semana antes. Somente Campo Grande, Corumbá, Dourados e Três Lagoas participaram do levantamento.

Por fim, o Paraná segue apresentando a mais alta relação entre os preços dentre os seis principais estados produtores de etanol do país, com 81,3%; o valor também representa um crescimento semanal do índice. Na semana, o etanol teve um incremento de 0,71%, sendo vendido por R$ 4,676/L na média estadual. Já a gasolina teve um aumento de 0,19%, ficando em R$ 5,749/L. No total, 23 cidades foram pesquisadas no estado, uma a mais do que uma semana antes.

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Os preços do etanol e da gasolina por região, estado ou cidade desde 2018 estão disponíveis na planilha interativa (exclusiva para assinantes). Também estão disponíveis gráficos avançados e filtros interativos sobre o comportamento dos preços.

Comparação comprometida

Após mais de dois meses em pausa, o levantamento de preços nos postos voltou a ser realizado semanalmente no final de outubro de 2020. Ainda assim, as comparações entre as análises não são precisas, já que o número de municípios pesquisados vem mudando semanalmente, conforme já era previsto pela ANP.

Entre 22 e 28 de agosto, 349 cidades foram pesquisadas, seis a mais do que no período anterior. O levantamento inclui todas as capitais dos estados brasileiros. Algumas localidades deixaram de participar no comparativo semanal, mudando o número de municípios de alguns estados.

Apesar da progressão no número de cidades, o total está abaixo do objetivo divulgado pela ANP: 459. A agência vem demonstrando dificuldades em cumprir com o esperado em relação ao levantamento desde a pausa, quando tinha uma expectativa de data de retomada que não foi atingida e atrasou mais de um mês.

Com este retorno gradual, os números seguem não correspondendo à média dos postos dos estados como ocorria antes da pausa. A comparação semanal também deve ser observada com cautela, já que a amostra pode aumentar ou diminuir semanalmente.

Gabrielle Rumor Koster – NovaCana


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