Etanol: Preços

Combustíveis em baixa: Reduções nos postos favorece competitividade do etanol

Nos estados, opção renovável deixa de ser economicamente favorável em Mato Grosso e volta a ser em Goiás


novaCana.com - 23 mar 2020 - 10:50

Os destaques sobre o preço do etanol na semana de 15 a 21 de março:

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  1. Na média nacional, preço médio da gasolina caiu 0,64% e o do etanol, 0,83%

  2. Com isso, o valor do combustível renovável nas bombas correspondeu a 71,9% do preço do fóssil

  3. Com as variações nos estados, o consumo de etanol é economicamente vantajoso apenas para os motoristas de Goiás

  4. O preço do etanol nos postos aumentou em 16 estados, diminuiu em nove e no Distrito Federal, e não foi registrado no Amapá

  5. O renovável caiu nas usinas dos principais estados produtores


O cenário nacional é de isolamento. A recomendação governamental é de que as pessoas evitem sair de casa e circular nas ruas, o que influencia no consumo de diversos setores. Neste sentido, a baixa demanda nos postos de combustíveis do país trouxe novos cortes de preços nas refinarias da Petrobras, que também foram afetadas pela queda internacional nos preços do petróleo.

Mesmo que o repasse das usinas e refinarias para os postos não seja direto, tanto o etanol quanto a gasolina apresentaram quedas na última semana. Porém, houve uma maior redução para o combustível renovável, fazendo com que a relação entre os preços registrasse a primeira melhora de competitividade para o biocombustível desde fevereiro.

De acordo com os dados divulgados pela agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), na semana de 15 a 21 de março, o preço do etanol correspondeu a 71,9% do valor da gasolina. O valor segue acima do limite de 70%, considerado como o ponto em que o etanol deixa de ser economicamente vantajoso.

Ainda assim, houve uma redução de 0,14% no indicador. A mudança é pequena e o valor é o segundo maior registrado no ano, mas ela se deveu especialmente à queda de 0,83% no preço médio do etanol, que foi de R$ 3,253 por litro para R$ 3,226/l.

A queda acompanhou uma drástica redução dos preços nas usinas dos principais estados produtores. Em São Paulo, por exemplo, o renovável foi comercializado a R$ 1,672 entre 16 e 20 de março – uma queda de 13,97% ante à semana anterior, que já havia registrado queda. Esse também é o menor valor do ano; a última vez em que o etanol esteva abaixo dos R$ 2 foi em novembro de 2019.

Além disso, em Goiás, o preço nas usinas caiu 16,03%. Já em Mato Grosso, a queda na cotação do hidratado em relação à análise anterior foi de 5,56%.

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Do outro lado, a gasolina também caiu, mas menos: 0,64%. Assim, o preço médio passou de R$ 4,515/l para R$ 4,486/l.

Variação nos estados

Conforme dados da ANP, na semana de 15 a 21 de março, o preço do etanol aumentou em 16 estados, diminuiu em nove e no Distrito Federal, e novamente não foi registrado no Amapá.

Já a gasolina só aumentou no Rio de Janeiro, Pernambuco e Alagoas, e se manteve em Mato Grosso do Sul.

Neste cenário, o consumo do biocombustível só é considerado economicamente vantajoso para os motoristas de Goiás. Na semana anterior, apenas Mato Grosso estava nesta categoria.

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Em São Paulo, estado que mais produz e consome etanol no país, o biocombustível caiu 0,88% – chegando a R$ 3,035/l, o menor valor do país –, enquanto o valor cobrado pelo fóssil diminuiu em 0,8%. Assim, a relação entre os preços permaneceu inalterada em 70,2%.

Já em Minas Gerais, o etanol subiu 0,33% enquanto a gasolina caiu 0,57%. Desta forma, a relação entre os valores chegou a 70,9%.

Assim, na média de ambos os estados, o renovável não é vantajoso para abastecimento perante o fóssil. Porém, a recomendação é que os motoristas fiquem atentos para os preços em cada posto e para o rendimento de seus veículos, uma vez que há variações.

Em Goiás, o etanol apresentou queda de 7,04% e a gasolina, de 2,78% – ambas as maiores reduções da análise. Com o renovável sendo comercializado por R$ 3,079/l, a relação entre os preços caiu para 68,3%, abaixo do limite da competitividade para o etanol pela primeira vez em três semanas.

Mato Grosso, por outro lado, perdeu o posto do único estado que apresentava biocombustível competitivo no país graças à maior queda para a gasolina (-0,43%) do que para o etanol (-0,03%). Assim, a relação entre os valores foi para 70,2%, pouco acima do limite do favorecimento.

No Paraná, o etanol caiu 0,95% e a gasolina, 0,98%. Assim, a relação entre o preço dos combustíveis subiu para 76,4%, ainda acima do limite considerado favorável para o biocombustível. O estado apresenta o segundo indicador mais alto dentre os seis grandes produtores – o primeiro é Mato Grosso do Sul, com 79,8%.

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Os preços do etanol e da gasolina por região, estado ou cidade desde 2001 estão disponíveis na planilha interativa (exclusivo para assinantes).

Também estão disponíveis gráficos avançados e filtros interativos sobre o comportamento dos preços.

Rafaella Coury – novaCana.com


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