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Etanol: Preços

Combustíveis em baixa: Com queda maior da gasolina, etanol só é competitivo em MT

Na média nacional, preço do renovável caiu 2,04/L enquanto seu concorrente fóssil teve retração de 2,97/L; relação entre os valores subiu para 73,3%


NovaCana - 25 jul 2022 - 10:03

Os destaques sobre o preço dos combustíveis na semana de 17 a 23 de julho:

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  1. Os preços do etanol subiram somente em duas unidades da federação e os da gasolina caíram em todos os estados brasileiros

  2. O consumo de etanol é considerado economicamente vantajoso apenas em Mato Grosso

  3. O valor do hidratado aumentou nas usinas paulistas e reduziu nas mato-grossenses e goianas

  4. Levantamento de preços da ANP foi realizado em 445 municípios, quatro a mais do que na semana anterior


Os preços do etanol e da gasolina seguiram em queda na média nacional na última semana. Esta é a décima segunda baixa consecutiva para o renovável e a quarta redução consecutiva do combustível fóssil.

Entre 17 e 23 de julho, o biocombustível passou de R$ 4,41 por litro para R$ 4,32/L, queda de 2,04%. Já a gasolina foi de R$ 6,07/L para R$ 5,89/L – menor valor para o combustível desde o período de 8 a 14 de agosto de 2021 –, com diminuição de 2,97%.

Os valores correspondem ao levantamento semanal realizado pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP).

Como houve uma queda mais acentuada para a gasolina do que para o etanol, o biocombustível segue economicamente desfavorável na média nacional. Ou seja, o preço do renovável ficou acima de 70% do valor da gasolina, ultrapassando a faixa em que é tido como economicamente vantajoso para os consumidores.

De acordo com a ANP, a relação entre o preço do biocombustível e o de seu concorrente fóssil nos postos foi de 73,3%, acima do resultado do período anterior, de 72,7%. Este é o quarto aumento consecutivo no indicador após oito reduções. Com isso, o renovável só é favorável no estado de Mato Grosso.

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Nas usinas paulistas, o etanol hidratado saiu de R$ 2,93/L para R$ 2,9344/L, aumento de 0,15%, segundo dados do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), da Esalq-USP. Por outro lado, houve queda de 1,88% nas produtoras mato-grossenses e de 1,41% nas goianas.

Queda na gasolina

Na última terça-feira, 19, a Petrobras anunciou um corte de 4,9% no preço médio de venda da gasolina nas refinarias. A partir da quarta-feira, 20, o litro do combustível começou a ser vendido, em média, por R$ 3,86/L, um corte de R$ 0,20/L.

Esta foi a primeira queda no preço da gasolina vendida pela estatal desde dezembro de 2021.

Conforme dados da Associação Brasileira dos Importadores de Combustíveis (Abicom), a redução zerou a defasagem do combustível negociado no Brasil em relação ao comercializado no Golfo do México.

Além disso, o ministro de Minas e Energia, Adolfo Sachsida, previu na última sexta-feira, 22, que deve ocorrer uma queda de R$ 0,10 no litro do diesel e da gasolina após o decreto que prorrogou o prazo para distribuidoras de combustíveis cumprirem as metas de compra de Créditos de Descarbonização (CBios) referentes a 2022.

Variações nos estados

Segundo a ANP, de 17 a 23 de julho, os preços do etanol e da gasolina caíram em quase todas as unidades da federação – as únicas exceções foram altas para o etanol no Rio Grande do Sul e em Roraima.

Entretanto, as comparações de valores nos postos não são exatamente precisas, já que o levantamento dos preços de combustíveis ainda não está sendo realizado em todas as cidades brasileiras e o número de localidades pesquisadas muda. Na semana analisada, foram obtidos dados de 445 municípios, quatro a mais do que no período anterior.

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Em São Paulo, maior produtor e consumidor de etanol do país, o biocombustível teve um decréscimo de 1,7%, custando R$ 4,05/L em média; já a gasolina foi vendida a R$ 5,78/L, redução de 1,87%. Com isso, a relação entre os preços ficou em 70,1%, acima do índice de uma semana antes, de 69,9%, e deixando de ser economicamente favorável ao etanol. A pesquisa foi feita em 108 cidades, mesma quantidade do último levantamento.

Em Goiás, o etanol foi comercializado a R$ 4,10/L na média da semana analisada, retração de 2,38%. Enquanto isso, a gasolina caiu 2,92%, para R$ 5,66/L. Assim, a relação entre os preços dos combustíveis ficou em 72,4%, com o etanol desfavorável no estado e um índice superior ao visto anteriormente, de 72%. Segundo a ANP, 17 cidades goianas foram consideradas no levantamento, mesmo número da semana anterior.

Por sua vez, Minas Gerais registrou um decréscimo de 1,97% no preço médio do etanol, que foi comercializado a R$ 4,47/L. A gasolina passou por uma retração de 2,21% e foi negociada a R$ 5,76/L, em média. Desta forma, o renovável custou o equivalente a 77,6% do preço do combustível fóssil, superior aos 77,4% vistos na semana anterior, com o etanol permanecendo não competitivo na média do estado. No total, 58 municípios mineiros participaram da pesquisa, dois a mais do que uma semana antes.

Em Mato Grosso, o preço médio do etanol teve uma baixa de 1,02%, indo para R$ 3,87/L, o menor valor dentre todas as unidades da federação e o único abaixo de R$ 4. Na semana, a gasolina teve uma redução de 2,48%, passando a custar R$ 5,90/L. Com isso, a relação entre os preços ficou em 65,6%, superior aos 64,6% de uma semana antes, mas ainda economicamente vantajosa ao consumidor. Além disso, esta é a menor relação de preços entre os combustíveis dentre todos os estados. A ANP fez a pesquisa em sete municípios mato-grossenses, mesma quantia do total registrado no último levantamento.

Já em Mato Grosso do Sul, o etanol caiu 1,3%, ficando em R$ 4,55/L. A gasolina, por sua vez, teve uma baixa de 0,72%, para R$ 5,54/L. Assim, o biocombustível custou o equivalente a 82,1% do preço de seu concorrente fóssil, abaixo dos 82,6% de uma semana antes, mas ainda a mais alta relação dentre os seis principais estados produtores de etanol do país. Sete cidades participaram do levantamento.

Por fim, no Paraná, o biocombustível custou o equivalente a 80,8% do preço da gasolina. No período, o renovável teve uma queda de 1,89%, sendo vendido por R$ 4,67/L na média estadual, o valor mais alto entre os maiores produtores do biocombustível. Já a gasolina baixou 1,37%, indo para R$ 5,78/L. No total, 29 cidades foram pesquisadas no estado, mesma quantia do que o visto uma semana antes.

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Os preços do etanol e da gasolina por região, estado ou cidade desde 2018 estão disponíveis na planilha interativa (exclusiva para assinantes). Também estão disponíveis gráficos avançados e filtros interativos sobre o comportamento dos preços.

Comparação comprometida

Após mais de dois meses em pausa, o levantamento de preços nos postos voltou a ser realizado semanalmente no final de outubro de 2020. Ainda assim, as comparações entre as análises não são precisas, já que o número de municípios pesquisados vem mudando semanalmente, conforme já era previsto pela ANP.

Entre 17 a 23 de julho, 445 cidades foram pesquisadas, quatro a mais do que no período anterior. O levantamento inclui todas as capitais dos estados brasileiros. Algumas localidades deixaram de participar no comparativo semanal, mudando o número de municípios de alguns estados.

Apesar da progressão no número de cidades, o total está abaixo do objetivo divulgado pela ANP: 459. A agência vem demonstrando dificuldades em cumprir com o esperado em relação ao levantamento desde a pausa, quando tinha uma expectativa de data de retomada que não foi atingida e atrasou mais de um mês.

Com este retorno gradual, os números seguem não correspondendo à média dos postos dos estados como ocorria antes da pausa. A comparação semanal também deve ser observada com cautela, já que a amostra pode aumentar ou diminuir semanalmente.

Gabrielle Rumor Koster – NovaCana


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