Etanol: Preços

Combustíveis em alta: Preços do etanol e da gasolina têm aumento semanal

Renovável sobe 0,51% na média nacional, enquanto gasolina tem alta de somente 0,03%


NovaCana - 26 jul 2021 - 11:26

Os destaques sobre o preço do etanol na semana de 18 a 24 de julho:

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  1. O consumo de etanol é considerado economicamente vantajoso apenas em Mato Grosso

  2. Na média nacional, o valor do combustível renovável correspondeu a 74,5% do preço de comercialização do fóssil

  3. Nas usinas, o hidratado subiu em Mato Grosso, mas caiu nas unidades goianas e paulistas

  4. O levantamento de preços da ANP foi realizado em 337 municípios, 12 a mais do que na semana anterior


O etanol engatou a sua segunda semana consecutiva de aumento nos postos brasileiros após três de retração. Enquanto isso, a gasolina entrou em sua terceira semana consecutiva de crescimento – embora o resultado atual possa ser considerado de estabilidade no valor do produto.

O biocombustível custou, em média, R$ 4,344 por litro no período entre 18 e 24 de julho, correspondendo a um incremento de 0,51% no comparativo com a semana anterior, quando o renovável foi comercializado a R$ 4,322/L. Já a gasolina teve uma ampliação de somente 0,03%, saindo de R$ 5,831/L para R$ 5,833/L.

Os valores correspondem ao levantamento semanal realizado pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP).

O aumento mais significativo para o etanol fez com que ele perdesse competitividade no período analisado – o inverso do que ocorreu na semana passada, quando a opção fóssil teve ampliação superior à do biocombustível, fazendo com que o segundo ganhasse vantagem. Com isso, houve uma quebra após quatro semanas consecutivas de melhora competitiva para o renovável.

No período mais recente, o biocombustível custou o equivalente a 74,5% do preço de comercialização de seu correspondente fóssil; na semana anterior, o índice era de 74,1%. Portanto, o etanol segue acima do limite comercialmente estabelecido de 70% do valor da gasolina na média do país.

Um ano antes, entre 19 e 25 de julho de 2020, o etanol era competitivo na média brasileira, custando 65,8% do preço da gasolina. O cenário se inverte nesta temporada por conta da redução na produção do renovável causada pelo início da safra mais lento e pela menor disponibilidade de matéria-prima, por exemplo. Além disso, as usinas estão direcionando uma elevada parcela da cana para a fabricação de açúcar – produto mais vantajoso financeiramente.

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É importante reiterar que as comparações de preços nos postos não são exatamente precisas, já que o levantamento da ANP ainda não está sendo realizado em todas as cidades brasileiras.

Na semana analisada, foram levantados os dados de postos de 337 municípios, 12 a mais do que no período anterior. Desta forma, a comparação semanal segue comprometida, uma vez que o número de localidades pesquisadas muda a cada análise.

Nas usinas de Mato Grosso, o biocombustível teve aumento de 0,23%. Já nas unidades goianas, houve uma redução de 0,29% entre as últimas duas semanas. Por fim, nas produtoras de São Paulo, o preço médio semanal saiu de R$ 2,9618/L para R$ 2,9116/L, retração de 1,69%. Os dados são do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), da Esalq-USP.

Variações nos estados

De 18 a 24 de julho, o preço do etanol nos postos subiu na média de 18 estados e no Distrito Federal, caiu em sete e não pôde ser comparado no Amapá. Já a gasolina teve aumento em 13 unidades da federação.

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Em São Paulo, o maior estado produtor e consumidor de etanol do país, o produto teve uma elevação de preço de 0,68%, custando R$ 4,125/L na média semanal. Já a gasolina custou R$ 5,504/L ao consumidor paulista, crescimento de 0,4%.

O aumento mais relevante do renovável em detrimento do fóssil, fez com que a relação entre os preços subisse de 74,7% para 74,9% no período, distanciando-se ainda mais da marca de 70%, quando o etanol é considerado favorável ao consumidor. A pesquisa foi feita em 104 cidades, uma a menos do que na semana anterior.

Já Mato Grosso voltou a ter o etanol mais barato na média nacional – na semana anterior, o posto era de São Paulo. No período analisado, o produto teve queda de 1,26%, a única retração dentre os seis maiores estados produtores. Com isso, o biocombustível foi comercializado a R$ 4,091/L. Enquanto isso, a gasolina também passou por uma redução, de 0,65%, passando a custar R$ 5,930/L. Dessa forma, a competitividade do renovável melhorou brevemente com o índice de 69%, ante os 69,4% da semana anterior.

Esta é a quarta semana consecutiva em que o etanol é vantajoso no estado após sete não sendo competitivo. A ANP fez a pesquisa em seis municípios mato-grossenses, a mesma quantidade que no período anterior.

Em Goiás, o etanol foi adquirido pelo consumidor, em média, a R$ 4,573/L, o maior valor dentre os seis estados que mais produzem o biocombustível. No período, houve uma ampliação de 1,42% no preço, também o maior crescimento dentre os seis maiores produtores.

Já a gasolina sofreu um incremento menor, de 0,84%, fazendo com que a relação entre os preços subisse para 73,1%, ante os 72,7% de uma semana antes. No total, 12 cidades goianas foram consideradas no levantamento, quatro a mais do que no período anterior.

Por sua vez, Minas Gerais teve um aumento no preço médio do etanol de 0,62%, com comercialização a R$ 4,359/L; e a gasolina sofreu acréscimo de 0,25%, sendo negociada a R$ 6,028/L, em média. Com isso, o renovável custou o equivalente a 72,3% do preço do fóssil no estado, pouco acima do visto na semana anterior. No total, 34 municípios mineiros participaram da pesquisa, dois a mais na comparação semanal.

Em Mato Grosso do Sul, o valor do etanol teve um incremento de 0,56%, sendo vendido a médios R$ 4,526/L. A gasolina também sofreu um aumento no preço, mas menor, de 0,21%, ficando em R$ 5,839/L. Assim, o biocombustível passou a custar o equivalente a 77,5% do preço de seu concorrente fóssil, pouco acima dos 77,2% de uma semana antes. Somente Campo Grande, Corumbá, Dourados e Três Lagoas participaram do levantamento.

Por fim, o Paraná segue apresentando a mais alta relação de preços dentre os seis maiores produtores de etanol do país, com 78,45%. O resultado representa um aumento semanal, após o etanol ter passado por um incremento de 0,32%, sendo vendido por R$ 4,325/L na média estadual. Já a gasolina teve um breve crescimento de 0,02%, ficando em R$ 5,513/L. No total, 22 cidades foram pesquisadas no estado, duas a mais do que uma semana antes.

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Os preços do etanol e da gasolina por região, estado ou cidade desde 2018 estão disponíveis na planilha interativa (exclusiva para assinantes). Também estão disponíveis gráficos avançados e filtros interativos sobre o comportamento dos preços.

Comparação comprometida

Após mais de dois meses em pausa, o levantamento de preços nos postos voltou a ser realizado semanalmente no final de outubro de 2020. Ainda assim, as comparações entre as análises não são precisas, já que o número de municípios pesquisados vem mudando semanalmente, conforme já era previsto pela ANP.

Entre 18 e 24 de julho, 337 cidades foram pesquisadas, 12 a mais do que no período anterior. O levantamento inclui todas as capitais dos estados brasileiros. Algumas localidades deixaram de participar no comparativo semanal, mudando o número de municípios de alguns estados.

Apesar da progressão no número de cidades, o total está abaixo do objetivo divulgado pela ANP: 459. A agência vem demonstrando dificuldades em cumprir com o esperado em relação ao levantamento desde a pausa, quando tinha uma expectativa de data de retomada que não foi atingida e atrasou mais de um mês.

Com este retorno gradual, os números seguem não correspondendo à média dos postos dos estados como ocorria antes da pausa. A comparação semanal também deve ser observada com cautela, já que a amostra pode aumentar ou diminuir semanalmente.

Gabrielle Rumor Koster – NovaCana