Os destaques sobre o preço dos combustíveis na semana de 17 a 23 de outubro:

O preço médio da gasolina cresceu 0,63% nas cidades pesquisadas, enquanto o do etanol aumentou 1,16%
O consumo de etanol é considerado economicamente desvantajoso em todos os estados do país
O valor do hidratado teve aumento nas principais usinas mato-grossenses, paulistas e goianas
Levantamento de preços da ANP foi realizado em 345 municípios, dois a menos do que na semana anterior
Depois de um breve respiro na semana anterior, o valor do etanol nos postos voltou a subir mais do que o da gasolina. Entre os dias 17 e 23 de outubro, a relação entre o preço do biocombustível e o de seu concorrente fóssil foi de 76,6% – uma semana antes, ela era de 76,2%. Com isso o renovável segue não sendo comercialmente vantajoso.
Na média nacional, o preço da gasolina aumentou 0,63% nos postos, passando de R$ 6,321 por litro para R$ 6,361/L na média nacional. Enquanto isso, o etanol teve um aumento mais expressivo, de 1,16%, saindo de R$ 4,819/L para R$ 4,875/L – este é o 12º aumento consecutivo para o renovável e o terceiro para o combustível fóssil.
Desta forma, o etanol ainda segue distante do limite comercialmente estabelecido de 70% do custo da gasolina, faixa em que é considerado vantajoso para os consumidores.
Os valores correspondem ao levantamento semanal realizado pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP).

É importante reiterar que as comparações de valores nos postos não são exatamente precisas, já que o levantamento dos preços de combustíveis ainda não está sendo realizado em todas as cidades brasileiras.
Na semana analisada, foram levantados os dados de 345 municípios, dois a menos do que na anterior. Desta forma, a comparação semanal segue comprometida, uma vez que o número de localidades pesquisadas muda a cada análise.
Por sua vez, de acordo com o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), da Esalq-USP, o etanol também passou por aumentos nas usinas dos principais estados produtores.
Nas unidades paulistas, o preço do hidratado subiu 3,51%, passando de R$ 3,4292/L para R$ 3,5495/L. Enquanto isso, nas produtoras mato-grossenses, a elevação foi de 3,07% e, nas goianas, de 1,78%.
Na última quarta-feira, 20, a Petrobras afirmou que não vai conseguir atender toda a demanda de combustíveis para novembro. A ANP, por outro lado, declarou em nota que não há riscos de desabastecimentos no momento e que segue monitorando a cadeia; se necessário, a agência afirma que “adotará providências cabíveis para mitigar desvios e reduzir riscos”.
Apesar deste posicionamento da ANP, analistas afirmam que existe um risco de desabastecimento e de preços ainda mais caros, considerando que o país não produz um volume de combustíveis suficiente para suprir a demanda interna e que depende de importações. Ao mesmo tempo, distribuidoras relatam que não está sendo viável adquirir combustíveis do mercado internacional devido aos valores externos, que se encontram em patamares mais elevados do que os da Petrobras.
Já em Brasília, o presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (DEM-MG), reuniu-se com governadores contrários ao projeto que visa mudar as regras do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) sobre os combustíveis. De acordo com o parlamentar, a Petrobras precisa “tomar parte” da alta no preço desses produtos. Pacheco ainda se comprometeu a mediar uma reunião entre representantes da estatal, chefes executivos locais e secretários estaduais de Fazenda para discutir o assunto.
Por sua vez, o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) afirmou na última sexta-feira, 22, que os preços da gasolina vão continuar subindo, mencionando que os valores praticados no Brasil refletem o preço do petróleo no exterior e as cotações do dólar. Até agora, o combustível fóssil já teve seu preço ajustado pela Petrobras em 61,9%.
Segundo a ANP, entre 17 e 23 de outubro, o preço do etanol subiu na média de 16 estados e no Distrito Federal, caiu em nove e se manteve estável no Amapá. A gasolina, por sua vez, teve aumento em 21 unidades da federação, caindo em outras cinco e no Distrito Federal.

Em São Paulo, o maior estado produtor e consumidor de etanol do país, o biocombustível teve um incremento de 1,32%, custando R$ 4,688/L na média semanal – o menor valor registrado em todas as unidades da federação. Já a gasolina foi vendida a R$ 6,023/L, crescimento de 0,55%.
Com maior incremento para o biocombustível, a relação entre os preços voltou a subir, ficando em 77,8% ante os 77,2% do período anterior. Desta forma, o índice se afasta ainda mais da marca de 70%, limite da faixa em que o etanol é considerado economicamente favorável ao consumidor. A pesquisa foi feita em 100 cidades paulistas, cinco a menos do que na semana anterior.
Já em Goiás, o etanol foi vendido a R$ 4,894/L na média da semana analisada. No período, houve uma queda de 0,47% no preço do biocombustível, enquanto a gasolina apresentou um decréscimo de 0,59%, sendo vendida a R$ 6,713/L.
Assim, com a única queda vista entre os principais estados produtores de etanol, a relação entre os preços dos combustíveis ficou em 72,9% em Goiás, pouco acima dos 72,8% de uma semana antes e ainda a melhor dentre todas as unidades da federação; mesmo assim, o etanol segue não sendo considerado competitivo. Segundo a ANP, 13 cidades goianas foram consideradas no levantamento, uma a mais do que no período anterior.
Por sua vez, Minas Gerais registrou aumento de 0,82% no preço médio do etanol, que foi comercializado a R$ 4,946/L. A gasolina também passou por um acréscimo, de 0,24%, e foi negociada a R$ 6,603/L, em média. Com isso, o renovável custou o equivalente a 74,9% do preço do combustível fóssil, índice acima do visto na semana anterior, de 74,5%. No total, 40 municípios mineiros participaram da pesquisa, um a menos do que na semana anterior.
Já em Mato Grosso, o preço médio do etanol teve um incremento de 5,18%, o maior dentre os estados que mais produzem, e foi vendido a R$ 4,830/L. Já a gasolina teve uma ampliação de 1,72%, passando a custar R$ 6,403/L. Desta forma, a relação entre os preços ficou em 75,4%, acima dos 72,9% de uma semana antes. A ANP fez a pesquisa em sete municípios mato-grossenses, mesma quantia do período anterior.
Em Mato Grosso do Sul, o valor do etanol cresceu 1,55%, para R$ 4,919/L. A gasolina, por sua vez, teve um aumento de 0,78%, ficando em R$ 6,231/L. Assim, o biocombustível passou a custar o equivalente a 78,9% do preço de seu concorrente fóssil, superior ao índice de 78,3% de uma semana antes. Somente Campo Grande, Dourados, Ponta Porã e Três Lagoas participaram do levantamento.
Por fim, o Paraná segue apresentando a mais alta relação dentre os seis principais estados produtores de etanol do país, com o biocombustível custando o equivalente a 81,3% do preço da gasolina. No período, o renovável teve uma elevação de 0,45%, sendo vendido por R$ 4,958/L na média estadual, também o maior valor dentre os seis grandes produtores. Já a gasolina teve um incremento de 0,33%, ficando em R$ 6,101/L. No total, 21 cidades foram pesquisadas no estado, uma a menos do que uma semana antes.

Os preços do etanol e da gasolina por região, estado ou cidade desde 2018 estão disponíveis na planilha interativa (exclusiva para assinantes). Também estão disponíveis gráficos avançados e filtros interativos sobre o comportamento dos preços.
Após mais de dois meses em pausa, o levantamento de preços nos postos voltou a ser realizado semanalmente no final de outubro de 2020. Ainda assim, as comparações entre as análises não são precisas, já que o número de municípios pesquisados vem mudando semanalmente, conforme já era previsto pela ANP.
Entre 17 e 23 de outubro, 345 cidades foram pesquisadas, duas a menos do que no período anterior. O levantamento inclui todas as capitais dos estados brasileiros. Algumas localidades deixaram de participar no comparativo semanal, mudando o número de municípios de alguns estados.
Apesar da progressão no número de cidades, o total está abaixo do objetivo divulgado pela ANP: 459. A agência vem demonstrando dificuldades em cumprir com o esperado em relação ao levantamento desde a pausa, quando tinha uma expectativa de data de retomada que não foi atingida e atrasou mais de um mês.
Com este retorno gradual, os números seguem não correspondendo à média dos postos dos estados como ocorria antes da pausa. A comparação semanal também deve ser observada com cautela, já que a amostra pode aumentar ou diminuir semanalmente.
Giully Regina – NovaCana