Etanol: Preços

Combustíveis em alta: Mesmo com aumento, etanol é competitivo em cinco estados

Mato Grosso do Sul apresenta biocombustível favorável pela primeira vez desde 2015; pesquisa foi realizada em 151 cidades


NovaCana - 08 fev 2021 - 12:50

Os destaques sobre o preço do etanol na semana de 31 de janeiro a 6 de fevereiro:

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  1. Preço médio da gasolina nas cidades pesquisadas subiu 1,77% e o do etanol, 1,58%

  2. Na média nacional, o valor do combustível renovável correspondeu a 69% do preço de comercialização do fóssil

  3. O consumo de etanol segue economicamente vantajoso apenas em algumas cidades de Minas Gerais, Goiás e Mato Grosso, além de São Paulo e Mato Grosso do Sul

  4. O preço biocombustível nas usinas segue subindo em São Paulo, Mato Grosso e Goiás


O etanol é mais uma vez competitivo perante a gasolina em cinco estados brasileiros – ou, pelo menos, nas principais cidades de cada um deles. Após meses sendo comercializado nos postos por valores superiores a 70% do preço do seu concorrente fóssil, o renovável segue abaixo desta linha em Minas Gerais, Goiás e Mato Grosso, está novamente favorável em São Paulo e passou a ser competitivo em Mato Grosso do Sul pela primeira vez desde outubro de 2015.

A informação é positiva para os consumidores, porém não muito precisa. Após a pausa de dois meses em 2020, o levantamento dos preços de combustíveis realizado a pedido da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) ainda não está sendo realizado em todas as cidades brasileiras. 

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Na semana analisada, foram pesquisados os postos de 151 municípios, apenas nove a mais do que no período anterior. Desta forma, a comparação semanal segue comprometida, uma vez que o número de localidades consultadas muda a cada análise.

Com as reduções no indicador em alguns estados, a média nacional da relação entre os preços dos combustíveis também caiu na semana de 31 de janeiro a 6 de fevereiro, passando de 69,1% para 69%. A diminuição de 0,1 ponto percentual é tímida e ocorreu enquanto tanto o etanol quanto a gasolina apresentaram aumentos nas bombas.

Na semana, o renovável subiu 1,58%, passando de R$ 3,238 por litro para 3,289/L. Por sua vez, seu concorrente fóssil teve um maior acréscimo, de 1,77%, indo de R$ 4,686/L para 4,769/L. Foi o maior aumento para a gasolina que valorizou o biocombustível no comparativo.

No caso específico do etanol, o aumento de preço nos postos acompanha o visto nas usinas, como vem sendo observado nas últimas semanas. No período de 1º a 5 de fevereiro, de acordo com dados do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), da Esalq-USP, o hidratado subiu 0,23% em São Paulo, 0,58% em Mato Grosso e 0,85% em Goiás.

Variações nos estados

Na semana de 31 de janeiro a 6 de fevereiro, o preço médio do etanol subiu em 23 estados e no Distrito Federal, caiu em Alagoas e Santa Catarina, e, mais uma vez, não pôde ser comparado no Amapá. Já a gasolina só não registrou aumento no Espírito Santo, na Paraíba e no Rio Grande do Norte.

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Em São Paulo, maior produtor e consumidor de etanol no país, o renovável se valorizou perante a gasolina e ficou um pouco abaixo do limite comercialmente estabelecido, com 69,8%. Na semana, a pesquisa foi feita em 46 cidades paulistas, seis a mais do que na anterior.

Mesmo com a maior competitividade, o preço do biocombustível subiu 1,56% na média do estado e chegou a R$ 3,127/L, ainda o menor valor do país. Assim, sua valorização se deveu ao maior aumento para a gasolina, de 1,96%.

Outro estado que passou a apresentar etanol competitivo foi Mato Grosso do Sul, que também apresentou aumento para ambos os combustíveis, porém maior para a gasolina. Enquanto o renovável subiu 1,18%, seu concorrente fóssil teve uma elevação de 1,39%.

Desta forma, a relação entre os combustíveis ficou em 69,9%, o menor valor para o indicador sul-mato-grossense desde outubro de 2015. No estado, a pesquisa segue sendo realizada apenas na capital Campo Grande e em Dourados, fazendo a comparação ser mais precisa.

Minas Gerais também apresentou aumento para ambos os combustíveis. A variação foi de 0,65% para o etanol, que ficou em R$ 3,272/L, e de 1,94% para a gasolina. Desta forma, a relação entre os preços caiu para 66,8%, reafirmando o estado onde o renovável é mais competitivo no país. O número de municípios pesquisados novamente caiu em Minas, ficando em dez.

Em Goiás, o etanol segue competitivo, porém o indicador novamente subiu no comparativo semanal, chegando a 69,5%. Isso se deveu ao aumento de 2,79% para o renovável, que ficou em R$ 3,391/L, enquanto a gasolina subiu menos, 1,04%. O número de municípios goianos participantes da pesquisa caiu, tendo sido consultados postos apenas em Anápolis e na capital Goiânia.

Mato Grosso, por sua vez, teve uma nova cidade no levantamento, chegando a três: a capital Cuiabá, Várzea Grande e Cáceres. Nelas, o etanol subiu 2,17% no comparativo semanal e ficou em R$ 3,256/L. Como a gasolina aumentou 3,07%, a relação entre os preços caiu para 68,7%, competitiva para o renovável.

No Paraná, o número de cidades pesquisadas caiu e voltou para oito. Na média delas, o renovável apresentou aumento de 1,39% e a gasolina, de 1,72%. Desta forma, a relação entre os valores ficou em 73,1%, acima do limite considerado economicamente favorável para o biocombustível, mas novamente mais baixa que a registrada na semana anterior.

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Os preços do etanol e da gasolina por região, estado ou cidade desde 2001 estão disponíveis na planilha interativa (exclusiva para assinantes). Também estão disponíveis gráficos avançados e filtros interativos sobre o comportamento dos preços.

Comparação comprometida

Após mais de dois meses em pausa, o levantamento de preços nos postos voltou a ser realizado semanalmente no final de outubro de 2020. Ainda assim, as comparações entre as análises não são precisas, já que o número de municípios pesquisados vem mudando semanalmente, conforme já era previsto pela ANP.

Entre 31 de janeiro e 6 de fevereiro, 151 cidades foram pesquisadas, apenas nove a mais do que no período anterior. O levantamento inclui todas as capitais, exceto Macapá (AP), no caso do etanol. O estado não apresenta qualquer dado desde o retorno da análise. Além disso, algumas localidades deixaram de ser pesquisadas no comparativo semanal.

Apesar da progressão no número de cidades, o total está bem abaixo do objetivo divulgado pela ANP: 459. A agência vem demonstrando dificuldades em cumprir com o esperado em relação ao levantamento desde a pausa, quando tinha uma expectativa de data de retomada que não foi atingida e atrasou mais de um mês.

Com este retorno gradual, os números seguem não correspondendo à média dos postos dos estados como ocorria antes da pausa. A comparação semanal também deve ser observada com cautela, já que a amostra pode aumentar ou diminuir semanalmente.

Rafaella Coury – novaCana.com


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