Etanol: Preços

Combustíveis em alta: Etanol volta a ser não competitivo na média do país

Hidratado só tem preço favorável ante a gasolina em São Paulo, Minas Gerais e Mato Grosso; pesquisa foi realizada em 202 municípios brasileiros


NovaCana - 27 abr 2021 - 10:37

Os destaques sobre o preço do etanol na semana de 18 a 24 de abril:

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  1. Preço médio da gasolina nas cidades pesquisadas subiu 0,26% e o do etanol, 1,49%

  2. Na média nacional, o valor do renovável correspondeu a 70,1% do preço de comercialização do fóssil

  3. O consumo de etanol segue economicamente vantajoso em São Paulo, Minas Gerais e Mato Grosso

  4. O biocombustível subiu nas principais usinas produtoras do país

  5. O levantamento de preços da ANP foi realizado em 202 municípios, seis a mais do que na semana anterior


Depois de cinco semanas em queda, a relação entre os preços dos combustíveis na média dos postos do país teve um ligeiro aumento, desfavorecendo o etanol. Os dados são do levantamento da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP).

Na semana de 18 a 24 de abril, o etanol foi vendido pelo equivalente a 70,1% do preço da gasolina, pouco acima do limite comercialmente estabelecido em 70%. A variação semanal de 1,3% no indicador se deve ao maior aumento para o biocombustível do que para o seu concorrente fóssil.

Depois de quatro semanas de quedas, o valor do renovável nas bombas subiu 1,49%, passando de R$ 3,758 por litro para R$ 3,814/L. Nas usinas, o movimento foi similar, já que o preço do hidratado subiu nos principais estados produtores.

De acordo com o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), da Esalq-USP, o renovável teve um acréscimo 3,46% em São Paulo – de R$ 2,5852/L para R$ 2,6747/L, em média –, 2% em Goiás e 3,25% em Mato Grosso na semana de 19 a 23 de abril.

Já o aumento da gasolina nos postos foi menor, de 0,26%, passando de R$ 5,427/L para R$ 5,441/L. Apesar de marginal, este também é o primeiro acréscimo para o combustível depois de quatro semanas de quedas.

Estas variações fizeram com que a relação entre os preços atingisse um valor mais alto do que o observado nas semanas anteriores, mas ainda é o terceiro menor dos últimos dois meses.

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É importante reiterar que estas comparações não são exatamente precisas, já que o levantamento dos preços de combustíveis ainda não está sendo realizado em todas as cidades brasileiras.

Na semana analisada, foram pesquisados os postos de 202 municípios, seis a mais do que os do período anterior. Desta forma, a comparação semanal segue comprometida, uma vez que o número de localidades pesquisadas muda a cada análise.

Variações nos estados

Na semana de 18 a 24 de abril, os preços do etanol nos postos subiram na média de 11 estados do país e no Distrito Federal, e caíram em 15. Já a gasolina apresentou aumento na média de 13 estados.

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São Paulo, maior produtor e consumidor de etanol no país, segue registrando o segundo menor valor médio para o renovável na análise – R$ 3,587/L –, mesmo após o aumento de 1,3% no comparativo semanal. A gasolina, por sua vez, caiu 0,04%.

Com estas variações, a relação entre os preços subiu para 68,9%, ainda abaixo do limite comercialmente estabelecido em 70% e favorável para o etanol. A pesquisa foi feita em 61 cidades paulistas, duas a mais do que na semana anterior.

Já Minas Gerais apresentou uma relação mais competitiva para o renovável, de 68,3%, mesmo sendo um resultado maior que o da análise anterior. Isso se deve ao aumento de 2,66% no valor do hidratado, enquanto a gasolina subiu menos, 0,82%. Nos 20 municípios mineiros pesquisados, dois a mais no comparativo semanal, o biocombustível ficou em R$ 3,941/L, em média.

O estado com a menor relação entre os preços dos combustíveis, ou seja, com o etanol mais competitivo, segue sendo Mato Grosso, com 65,3%. O aumento no indicador é consequência do acréscimo de 3,32% – o segundo maior da análise – no preço médio do renovável, enquanto a gasolina subiu menos, 2,1%.

O biocombustível mato-grossense, ainda assim, segue tendo o menor valor da pesquisa: R$ 3,521/L. A quantidade de cidades participantes do levantamento no estado mais uma vez se manteve em quatro.

Goiás também registrou aumentos para ambos os combustíveis, de 2,75% para o etanol – que ficou em R$ 4,04/L – e de 1,44% para a gasolina. Desta forma, a relação entre os preços subiu e ultrapassou a linha estabelecida, ficando em 70,1%. Foram pesquisadas quatro cidades goianas, uma a menos do que na semana anterior.

Mato Grosso do Sul registrou o acréscimo de 0,79% no preço do etanol, que chegou aos R$ 4,07/L. Como a gasolina subiu menos, 0,61%, a relação entre os preços foi para 72,9%, ainda acima do limite estabelecido em 70% e maior do que a da semana anterior. No estado, a pesquisa novamente foi realizada na capital Campo Grande e em Dourados.

Já o Paraná apresentou o aumento de 1,94% no preço do renovável, que ficou em R$ 3,79/L. Como a gasolina subiu menos, 0,95%, a relação entre os valores foi para 72,5%, acima do limite comercialmente estabelecido como favorável e pior no comparativo semanal. No estado, o número de cidades pesquisadas subiu para 15.

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Os preços do etanol e da gasolina por região, estado ou cidade desde 2018 estão disponíveis na planilha interativa (exclusiva para assinantes). Também estão disponíveis gráficos avançados e filtros interativos sobre o comportamento dos preços.

Comparação comprometida

Após mais de dois meses em pausa, o levantamento de preços nos postos voltou a ser realizado semanalmente no final de outubro de 2020. Ainda assim, as comparações entre as análises não são precisas, já que o número de municípios pesquisados vem mudando semanalmente, conforme já era previsto pela ANP.

Entre 18 e 24 de abril, 202 cidades foram pesquisadas, seis a mais do que no período anterior. O levantamento inclui todas as capitais dos estados brasileiros. Algumas localidades, porém, deixaram de participar no comparativo semanal, mudando o número de municípios de alguns estados.

Apesar da progressão no número de cidades, o total está bem abaixo do objetivo divulgado pela ANP: 459. A agência vem demonstrando dificuldades em cumprir com o esperado em relação ao levantamento desde a pausa, quando tinha uma expectativa de data de retomada que não foi atingida e atrasou mais de um mês.

Com este retorno gradual, os números seguem não correspondendo à média dos postos dos estados como ocorria antes da pausa. A comparação semanal também deve ser observada com cautela, já que a amostra pode aumentar ou diminuir semanalmente.

Rafaella Coury – NovaCana


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