Etanol: Preços

Combustíveis em alta: Etanol volta a subir e gasolina tem oitavo aumento consecutivo

Após duas semanas de queda, renovável tem aumento semanal de 1,25%; preço é equivalente a 77,3% do custo da gasolina


NovaCana - 14 jun 2021 - 10:53

Os destaques sobre o preço do etanol na semana de 6 a 12 de junho:

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  1. O preço médio da gasolina nas cidades pesquisadas subiu 0,35%, enquanto o do etanol aumentou 1,25%

  2. Na média nacional, o valor do combustível renovável correspondeu a 77,3% do preço de comercialização do fóssil

  3. O consumo de etanol não é considerado economicamente vantajoso em todos os estados do país

  4. O preço do hidratado caiu nas principais usinas mato-grossenses e goianas, mas aumentou nas paulistas

  5. O levantamento de preços da ANP foi realizado em 276 municípios, dez a mais do que na semana anterior


Após duas semanas de pequenas retrações nos preços do etanol nos postos, os custos voltaram ao ciclo de alta para os consumidores. No caso da gasolina, houve o oitavo aumento consecutivo. Os valores correspondem ao levantamento semanal realizado pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP).

Entre 6 e 12 de junho, o etanol custou médios R$ 4,388 por litro, valor que representa um aumento de 1,25% no comparativo com a semana anterior, quando era vendido a R$ 4,334/L. Já a gasolina sofreu um crescimento menos relevante, de 0,35%. Se no período anterior ela estava custando R$ 5,656/L, entre 6 e 12 de junho o valor do litro subiu para R$ 5,676, em média.

Com o aumento mais significante para o etanol, o renovável perdeu ainda mais competitividade no comparativo com o seu concorrente fóssil. No período, o biocombustível custou o equivalente a 77,3% do valor da gasolina. Além da relação estar acima do limite comercialmente estabelecido, de 70%, ela ficou mais desfavorável do que na semana entre 30 de maio a 5 de junho, quando era de 76,6%.

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É importante reiterar que estas comparações não são exatamente precisas, já que o levantamento dos preços de combustíveis ainda não está sendo realizado em todas as cidades brasileiras.

Na semana analisada, foram levantados os dados de postos de 276 municípios, dez a mais do que no período anterior. Desta forma, a comparação semanal segue comprometida, uma vez que o número de localidades pesquisadas muda a cada análise.

Variações nos estados

Entre 6 e 12 de junho, os preços do etanol nos postos subiram na média de 18 estados, caindo nos sete restantes e no Distrito Federal. Os dados não foram apurados no Amapá. Por sua vez, a gasolina teve alta em 19 unidades da federação.

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Em São Paulo, o maior estado produtor e consumidor de etanol do país, o etanol sofreu aumento de 1,67%, sendo negociado a R$ 4,191/L. Já a gasolina, teve um crescimento de 0,48%, passando para R$ 5,408/L. Com isso, a relação os preços foi de 77,5%, acima do que ocorreu uma semana antes, e mantendo o biocombustível desfavorável comercialmente no estado. A pesquisa foi feita em 100 cidades, duas a mais do que no intervalo anterior.

Já em Goiás, o etanol custou R$ 4,589/L na média do intervalo analisado, um aumento de 3,68% no comparativo com o período anterior. Por sua vez, a opção fóssil sofreu um aumento de 2,21% na semana, sendo negociada a R$ 6,059/L, e levando a relação de preços para 75,7%. Oito cidades foram consideradas no levantamento, três a mais no comparativo com o período anterior.

Por sua vez, Minas Gerais teve um aumento no preço médio do etanol de 0,68%, indo para R$ 4,425/L. A gasolina teve um crescimento um pouco menor, de 0,41%, e foi vendida a R$ 5,882/L, em média. Assim, o renovável custou 75,2% do preço do fóssil no estado, na média. No total, 21 municípios mineiros participaram da pesquisa, mantendo o número da semana anterior.

Mato Grosso, por outro lado, foi um dos poucos estados que passou por redução do preço do etanol e o único dentre os seis maiores produtores. Além disso, detém o preço médio mais baixo para o renovável dentre todos os estados. Com a queda de 4,26%, o litro do etanol foi vendido nos postos, em média, a R$ 4,155. A mudança ocorreu após uma semana após o aumento de 6,29% para o etanol – a maior variação do período.

Além disso, ainda que a relação entre os preços esteja em 72,9%, acima do limite favorável ao biocombustível, este é o resultado mais baixo do país. A gasolina custou R$ 5,701/L em Mato Grosso, aumento semanal de 0,42%. A ANP fez a pesquisa em seis municípios do estado.

Mato Grosso do Sul teve um aumento de 0,44% no valor do etanol, que foi negociado a R$ 4,522/L, enquanto a gasolina sofreu uma pequena queda de 0,07%, ficando em R$ 5,730/L. Assim, o biocombustível passou a custar o equivalente a 78,9% do preço de seu concorrente fóssil. Tal qual na semana anterior, além da capital Campo Grande, apenas Dourados e Corumbá participaram do levantamento.

Por fim, o Paraná segue apresentando a mais alta relação entre os preços dentre os seis maiores produtores de etanol do país, com 80,6% – pouco acima do que se viu no período anterior. No estado, o etanol teve um aumento semanal de 0,97%, ficando em R$ 4,378/L; já a gasolina teve um crescimento de 0,8%. Foram 16 as cidades pesquisadas no estado, uma a menos que no período anterior.

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Os preços do etanol e da gasolina por região, estado ou cidade desde 2018 estão disponíveis na planilha interativa (exclusiva para assinantes). Também estão disponíveis gráficos avançados e filtros interativos sobre o comportamento dos preços.

Preços nas usinas e nas refinarias

Já considerando o preço do etanol hidratado nas usinas, ocorreu um aumento de 0,07% em São Paulo. Conforme dados do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), da Esalq-USP, o valor médio passou de R$ 2,99/L para R$ 3/L entre as duas últimas semanas.

Por outro lado, em Mato Grosso e Goiás, o mesmo indicador foi de queda, de 0,36% e de 0,25%, respectivamente.

Por sua vez, segundo anúncio da Petrobras na última sexta-feira, 11, houve uma redução de 1,9% no preço da gasolina nas refinarias por conta da recuperação da cotação do petróleo. Porém, isso não significa uma redução imediata ou certa nas bombas, uma vez que o repasse depende de fatores como impostos, mistura de etanol anidro e margem de distribuição, por exemplo, que influenciam no preço final.

Comparação comprometida

Após mais de dois meses em pausa, o levantamento de preços nos postos voltou a ser realizado semanalmente no final de outubro de 2020. Ainda assim, as comparações entre as análises não são precisas, já que o número de municípios pesquisados vem mudando semanalmente, conforme já era previsto pela ANP.

Entre 6 e 12 de junho, 276 cidades foram pesquisadas, dez a mais do que no período anterior. O levantamento inclui todas as capitais dos estados brasileiros. Algumas localidades deixaram de participar no comparativo semanal, mudando o número de municípios de alguns estados.

Apesar da progressão no número de cidades, o total está bem abaixo do objetivo divulgado pela ANP: 459. A agência vem demonstrando dificuldades em cumprir com o esperado em relação ao levantamento desde a pausa, quando tinha uma expectativa de data de retomada que não foi atingida e atrasou mais de um mês.

Com este retorno gradual, os números seguem não correspondendo à média dos postos dos estados como ocorria antes da pausa. A comparação semanal também deve ser observada com cautela, já que a amostra pode aumentar ou diminuir semanalmente.

Gabrielle Rumor Koster – NovaCana


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