Etanol: Preços

Combustíveis em alta: Etanol e gasolina voltam a subir nos postos

Com maior aumento para o combustível fóssil, renovável ficou mais competitivo na média nacional


NovaCana - 09 ago 2021 - 11:13

Os destaques sobre o preço do etanol na semana de 1º a 7 de agosto:

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  1. O preço médio da gasolina nas cidades pesquisadas subiu 0,53%, enquanto o do etanol aumentou 0,3%

  2. O consumo de etanol é considerado economicamente vantajoso apenas em Mato Grosso

  3. O hidratado teve elevação nas principais usinas mato-grossenses, goianas e paulistas

  4. O levantamento de preços da ANP foi realizado em 339 municípios, seis a mais do que na semana anterior


Após uma semana de quedas nos preços dos combustíveis – antecedida de duas de aumentos para o etanol e de três para a gasolina –, os postos brasileiros registraram novas altas. Ainda que os incrementos no valor sejam pequenos, eles têm sido recorrentes, enquanto as baixas são pouco expressivas.

Entre os dias 1º e 7 de agosto, o preço do biocombustível teve uma elevação de 0,3%, saindo de R$ 4,326 por litro para R$ 4,339/L. O fóssil, por sua vez, teve um acréscimo mais significativo, de 0,53%. Na média nacional, o valor saiu de R$ 5,822/L para R$ 5,853/L entre as últimas duas semanas.

Os valores correspondem ao levantamento semanal realizado pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP).

Conforme reportagem da Agência Estado, a Petrobras afirmou que vem contribuindo com o governo em debates relacionados a um fundo de estabilização dos preços de combustíveis. Por outro lado, a petroleira considera que os preços praticados nas refinarias devem seguir parâmetros de mercado.

Como o preço da gasolina nos postos teve uma ampliação superior ao renovável, o etanol teve um breve ganho de competitividade no período, com redução no indicador pela segunda semana consecutiva. No período analisado, o biocombustível custou o equivalente a 74,1% do preço do correspondente fóssil; na semana anterior, a relação era de 74,3%.

Ainda assim, o preço do etanol segue acima do limite comercialmente estabelecido de 70% na média do país. Mato Grosso permanece como o único estado em que o biocombustível é comercialmente vantajoso.

Este é um cenário incomum para o atual período do ano. Com a safra de cana-de-açúcar em andamento, a oferta de etanol tende a ser mais abundante, reduzindo os preços. Fatores como a menor disponibilidade de matéria-prima e o comprometimento prévio das usinas com a venda de açúcar, por exemplo, são alguns dos motivos da mudança.

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É importante reiterar que as comparações dos preços nos postos não são exatamente precisas, já que o levantamento da ANP ainda não está sendo realizado em todas as cidades brasileiras.

Na semana analisada, foram levantados os dados de postos de 339 municípios, seis a mais do que no período anterior. Desta forma, a comparação semanal segue comprometida, uma vez que o número de localidades pesquisadas muda a cada análise.

Nas usinas, aliás, o etanol também passou por aumentos. Nas unidades paulistas, o acréscimo foi de 2,17%, passando de R$ 2,9675/L para R$ 3,0318/L. Já nas usinas goianas, o incremento foi de 2,33% e nas mato-grossenses, de 2,72%. Os dados são do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), da Esalq-USP.

Variações nos estados

De 1º a 7 de agosto, os preços do etanol nos postos subiram na média de 14 estados e no Distrito Federal, caíram em 11 e se mantiveram no Amapá. Já a gasolina teve aumento em 17 unidades da federação.

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Em São Paulo, o maior estado produtor e consumidor de etanol do país, o produto teve um aumento de preço de 0,41%, indo para R$ 5,498/L na média semanal. Já a gasolina custou R$ 5,498/L ao consumidor paulista, também passando por crescimento de 0,2%.

O aumento mais relevante do renovável no comparativo com o fóssil propiciou uma piora na relação entre os preços, que ficou em 74,9% ante os 74,7% do período anterior. Com isso, o índice fica ainda mais distante da marca de 70%, quando o etanol é considerado economicamente favorável para o consumidor. A pesquisa foi feita em 103 cidades, uma a menos do que na semana anterior.

Já em Goiás, o etanol pôde ser adquirido a R$ 4,556/L na média da semana analisada. No período, houve uma ampliação de 0,22% no preço do biocombustível, mantendo o produto com o maior valor dentre os seis estados que mais produzem. Já a gasolina sofreu uma redução de 0,22%, sendo vendida a R$ 6,216/L, e deixando a relação entre os preços em 73,3%, pouco mais desfavorável ante os 73% de uma semana antes. No total, 13 cidades foram consideradas no levantamento, mesma quantidade do período anterior.

Por sua vez, Minas Gerais teve uma redução de 0,02% no preço médio do etanol, que foi comercializado a R$ 4,353/L. Já a gasolina passou por um aumento de 0,02% e foi negociada a R$ 6,017/L, em média. Com isso, o renovável custou 72,3% do preço do fóssil, resultado pouco abaixo do visto na semana anterior, quando o índice era de 72,4%. Segundo a ANP, 39 municípios mineiros participaram da pesquisa, quatro a mais do que na semana anterior.

Mato Grosso segue com o etanol mais barato na média nacional pela terceira semana consecutiva. Ainda assim, no período analisado, o produto teve aumento de 0,57% e, com isso, o biocombustível foi comercializado a R$ 4,030/L. Já a gasolina teve um incremento de 0,7%, passando a custar R$ 5,905/L. Desta forma, a competitividade do renovável passou por uma breve melhora, com a relação entre os preços ficando em 68,2%.

Esta é a sexta semana consecutiva em que o etanol é vantajoso no estado após sete sendo não competitivo. A ANP fez a pesquisa em seis municípios mato-grossenses, a mesma quantidade que no período anterior.

Em Mato Grosso do Sul, o valor do etanol cresceu de 1,05%, o maior aumento dentre os seis estados que mais produzem, sendo vendido, em média, a R$ 4,516/L. A gasolina também teve uma elevação, de 0,66%, ficando em R$ 5,828/L. Assim, o biocombustível passou a custar o equivalente a 77,5% do preço de seu concorrente fóssil, acima dos 77,2% de uma semana antes. Somente Campo Grande, Corumbá, Dourados e Três Lagoas participaram do levantamento.

Por fim, o Paraná segue apresentando a mais alta relação de preços dentre os seis maiores produtores de etanol do país, com 78,25%. O resultado, entretanto, representa uma redução semanal neste índice. Na semana, o etanol sofreu uma retração de 0,16%, sendo vendido por R$ 4,310/L na média estadual. Já a gasolina teve uma breve diminuição, de 0,07%, ficando em R$ 5,508/L. No estado, 20 cidades foram pesquisadas, três a menos do que uma semana antes.

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Os preços do etanol e da gasolina por região, estado ou cidade desde 2018 estão disponíveis na planilha interativa (exclusiva para assinantes). Também estão disponíveis gráficos avançados e filtros interativos sobre o comportamento dos preços.

Comparação comprometida

Após mais de dois meses em pausa, o levantamento de preços nos postos voltou a ser realizado semanalmente no final de outubro de 2020. Ainda assim, as comparações entre as análises não são precisas, já que o número de municípios pesquisados vem mudando semanalmente, conforme já era previsto pela ANP.

Entre 1º e 7 de agosto, 339 cidades foram pesquisadas, seis a mais do que no período anterior. O levantamento inclui todas as capitais dos estados brasileiros. Algumas localidades deixaram de participar no comparativo semanal, mudando o número de municípios de alguns estados.

Apesar da progressão no número de cidades, o total está abaixo do objetivo divulgado pela ANP: 459. A agência vem demonstrando dificuldades em cumprir com o esperado em relação ao levantamento desde a pausa, quando tinha uma expectativa de data de retomada que não foi atingida e atrasou mais de um mês.

Com este retorno gradual, os números seguem não correspondendo à média dos postos dos estados como ocorria antes da pausa. A comparação semanal também deve ser observada com cautela, já que a amostra pode aumentar ou diminuir semanalmente.

Gabrielle Rumor Koster – NovaCana