Etanol: Preços

Combustíveis em alta: Etanol engata 15º aumento consecutivo; gasolina está no sexto

Preço do renovável teve ampliação semanal de 1,89% enquanto seu concorrente fóssil subiu 0,64%


NovaCana - 16 nov 2021 - 12:47 - Última atualização em: 17 nov 2021 - 20:39

Os destaques sobre o preço dos combustíveis na semana de 7 a 13 de novembro:

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  1. O preço médio da gasolina cresceu 0,64% nas cidades pesquisadas, enquanto o do etanol aumentou 1,89%

  2. O consumo de etanol é considerado economicamente desvantajoso em todos os estados do país

  3. O valor do hidratado teve aumento nas principais usinas mato-grossenses e teve redução nas paulistas e goianas

  4. Levantamento de preços da ANP foi realizado em 351 municípios, mesma quantidade da semana anterior


Os preços dos combustíveis seguem em sua tendência ascendente na média nacional dos postos brasileiros. A gasolina teve uma ampliação semanal de 0,64% entre os dias 7 e 13 de novembro. O combustível fóssil passou de R$ 6,710 por litro para R$ 6,753/L, contabilizando o sexto aumento seguido.

Já o etanol completa a sua 15ª semana seguida de alta, saindo de R$ 5,294/L para R$ 5,394/L, crescimento de 1,89%.

Com isso, a relação entre o preço do biocombustível e o de seu concorrente fóssil foi de 79,9% no período – uma semana antes, ela era de 78,9%. Uma relação tão elevada não se via desde o período de 17 a 23 de abril de 2011, quando foi de 80,9%.

Com isso, o renovável segue não sendo comercialmente competitivo e fica ainda mais distante do limite estabelecido de 70% do custo da gasolina, faixa em que é considerado vantajoso para os consumidores.

Os valores correspondem ao levantamento semanal realizado pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP).

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No entanto, as comparações de valores nos postos não são exatamente precisas, já que o levantamento dos preços de combustíveis ainda não está sendo realizado em todas as cidades brasileiras e o número de localidades pesquisadas muda. Na semana analisada, foram levantados os dados de 351 municípios, mantendo a quantidade de uma semana antes, ainda que as cidades não sejam as mesmas.

Nas usinas paulistas, por sua vez, os preços do hidratado caíram 2,1%, de R$ 3,8918/L para R$ 3,8099/L. Os dados são do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), da Esalq-USP. Enquanto isso, nas produtoras goianas, a retração foi de 1,66%. Já nas mato-grossenses, houve um aumento de 1,1%.

Na ala governamental poucas declarações foram dadas ao longo da semana. O ministro de Minas e Energia, Bento Albuquerque, disse que o governo estuda um “colchão tributário” e uma “reserva estabilizadora” para conter o aumento dos preços dos combustíveis. A declaração foi dada na última terça-feira, 9. Além disso, o presidente da Petrobras, Joaquim Silva e Luna, disse que não trata com o presidente, Jair Bolsonaro (sem partido) sobre a política de preços dos combustíveis.

Variações nos estados

Segundo a ANP, entre 7 de outubro e 13 de novembro, o preço do etanol subiu na média de 21 estados e no Distrito Federal, caiu em quatro e não foi contabilizado no Amapá. A gasolina, por sua vez, aumentou em 20 unidades da federação.

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Em São Paulo, o maior estado produtor e consumidor de etanol do país, o biocombustível teve um incremento de 2,12%, custando R$ 5,256/L na média – ainda assim, ele segue com o menor valor registrado. Já a gasolina foi vendida a R$ 6,414/L, crescimento de 1,3%.

Com o maior incremento para o biocombustível, a relação entre os preços dos combustíveis voltou a subir, ficando em 81,9% ante os 81,3% do período anterior. Desta forma, o índice se afasta ainda mais da marca de 70%, limite da faixa em que o etanol é considerado economicamente favorável ao consumidor. A pesquisa foi feita em 105 cidades paulistas, mesma quantidade da semana anterior.

Já em Goiás, o etanol foi vendido a R$ 5,280/L na média da semana analisada. No período, houve um aumento de 1,11% no preço do biocombustível, enquanto a gasolina apresentou alta de 0,26%, sendo vendida a R$ 7,194/L.

Com a menor elevação dentre os principais estados produtores de etanol, a relação entre os preços dos combustíveis ficou em 73,4% em Goiás, acima dos 72,8% de uma semana antes e, ainda assim, a menor dentre todas as unidades da federação. Segundo a ANP, 12 cidades goianas foram consideradas no levantamento, uma a menos do que no período anterior.

Por sua vez, Minas Gerais registrou aumento de 1,73% no preço médio do etanol, que foi comercializado a R$ 5,538/L, o maior valor dentre os seis grandes estados produtores. A gasolina também passou por um acréscimo, de 0,8%, e foi negociada a R$ 7,024/L, em média. Com isso, o renovável custou o equivalente a 78,8% do preço do combustível fóssil, índice acima do visto na semana anterior, de 78,1%. No total, 41 municípios mineiros participaram da pesquisa, mesma quantidade da semana anterior.

Já em Mato Grosso, o preço médio do etanol teve um incremento de 3,57%, o maior dentre os seis maiores produtores, e foi vendido a R$ 5,334/L. Na semana, a gasolina subiu 1,06%, passando a custar R$ 6,784/L. Desta forma, a relação entre os preços ficou em 78,6%, acima dos 76,7% de uma semana antes. A ANP fez a pesquisa em sete municípios mato-grossenses, mesma quantia do período anterior.

Em Mato Grosso do Sul, o valor do etanol cresceu 2,6%, para R$ 5,439/L. A gasolina, por sua vez, teve um aumento de 0,25%, ficando em R$ 6,546/L. Assim, o biocombustível custou o equivalente a 83,1% do preço de seu concorrente fóssil, acima dos 81,2% de uma semana antes. Somente Campo Grande, Dourados, Ponta Porã e Três Lagoas participaram do levantamento.

Por fim, o Paraná segue apresentando a mais alta relação dentre os seis principais estados produtores de etanol do país, com o biocombustível custando o equivalente a 84,8% do preço da gasolina. No período, o renovável teve uma elevação de 2,79%, sendo vendido por R$ 5,498/L na média estadual. Já a gasolina teve um incremento de 1,01%, para R$ 6,481/L. No total, 22 cidades foram pesquisadas no estado, uma a mais do que uma semana antes.

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Os preços do etanol e da gasolina por região, estado ou cidade desde 2018 estão disponíveis na planilha interativa (exclusiva para assinantes). Também estão disponíveis gráficos avançados e filtros interativos sobre o comportamento dos preços.

Comparação comprometida

Após mais de dois meses em pausa, o levantamento de preços nos postos voltou a ser realizado semanalmente no final de outubro de 2020. Ainda assim, as comparações entre as análises não são precisas, já que o número de municípios pesquisados vem mudando semanalmente, conforme já era previsto pela ANP.

Entre 7 e 13 de novembro, 351 cidades foram pesquisadas, mesma quantidade do que no período anterior. O levantamento inclui todas as capitais dos estados brasileiros. Algumas localidades deixaram de participar no comparativo semanal, mudando o número de municípios de alguns estados.

Apesar da progressão no número de cidades, o total está abaixo do objetivo divulgado pela ANP: 459. A agência vem demonstrando dificuldades em cumprir com o esperado em relação ao levantamento desde a pausa, quando tinha uma expectativa de data de retomada que não foi atingida e atrasou mais de um mês.

Com este retorno gradual, os números seguem não correspondendo à média dos postos dos estados como ocorria antes da pausa. A comparação semanal também deve ser observada com cautela, já que a amostra pode aumentar ou diminuir semanalmente.

Gabrielle Rumor Koster – NovaCana