Etanol: Mercado

Preços nos postos: Etanol não é considerado competitivo em todos os estados

Relação entre o preço do renovável e o de seu concorrente fóssil volta a superar 70% em Mato Grosso; média nacional é de 75%


NovaCana - 16 ago 2021 - 11:54

Os destaques sobre o preço do etanol na semana de 8 a 14 de agosto:

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  1. O preço médio da gasolina nas cidades pesquisadas subiu 0,22%, enquanto o do etanol aumentou 1,38%

  2. O consumo de etanol é considerado economicamente desvantajoso em todos os estados do país

  3. O valor do hidratado teve incremento nas principais usinas mato-grossenses, goianas e paulistas

  4. Levantamento de preços da ANP foi realizado em 341 municípios, dois a mais do que na semana anterior


Pela segunda semana consecutiva, os preços dos combustíveis nos postos aumentaram na média nacional. Porém, diferentemente do período anterior, o crescimento do etanol superou consideravelmente o da gasolina.

Entre os dias 8 e 14 de agosto, o valor do biocombustível teve um incremento de 1,38%, saindo de R$ 4,339 por litro para R$ 4,399/L, em média. O fóssil, por sua vez, teve um acréscimo inferior, de 0,22%. Na média nacional, o preço saiu de R$ 5,853/L para R$ 5,866/L entre as últimas duas semanas.

Os valores correspondem ao levantamento semanal realizado pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP).

A ampliação ocorreu na mesma semana em que a Petrobras realizou um aumento de 3,3% no preço da gasolina nas refinarias. O reajuste médio foi de R$ 0,09/L, elevando o valor de venda para R$ 2,78/L a partir da quinta-feira, 12, de acordo com a petroleira.

Além disso, no último dia 10, o presidente Jair Bolsonaro assinou uma medida provisória que permite a venda direta de etanol das usinas aos postos e libera postos bandeirados para vender combustíveis de outras marcas. O objetivo seria reduzir os preços ao consumidor, mas os possíveis efeitos só devem ser percebidos a partir de dezembro.

Competitividade

Como a elevação de preço do etanol foi superior à vista pela gasolina, o biocombustível perdeu competitividade. No período analisado, o renovável custou o equivalente a 75% do preço de seu correspondente fóssil; na semana anterior, o índice era de 74,1%.

Com isso, o etanol se distancia ainda mais do limite comercialmente estabelecido de 70% do custo da gasolina, faixa em que é considerado vantajoso para os consumidores. Além disso, esta é a pior relação para o renovável desde o intervalo de 27 de junho a 3 de julho, quando o índice era de 75,4%.

Em período semelhante no ano passado, entre 9 e 15 de agosto de 2020, o indicador de preços entre os combustíveis era de 65,4% – quase dez pontos percentuais inferior ao da semana passada.

Mato Grosso, único estado em que o etanol era vantajoso até então, perdeu o posto com o índice atingindo 71,75%. A relação foi favorável ao renovável por seis semanas consecutivas no estado.

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É importante reiterar que estas comparações não são exatamente precisas, já que o levantamento dos preços de combustíveis ainda não está sendo realizado em todas as cidades brasileiras.

Na semana analisada, foram levantados os dados de postos de 341 municípios, dois a mais do que no período anterior. Desta forma, a comparação semanal segue comprometida, uma vez que o número de localidades pesquisadas muda a cada análise.

Variações nos estados

Nas usinas, o etanol também passou por aumentos. Nas unidades paulistas, o acréscimo foi de 3,51%, passando de R$ 3,0318/L para R$ 3,1382/L. Enquanto isso, nas produtoras goianas, o incremento foi de 4,04% e nas mato-grossenses, de 3,28%. Os dados são do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), da Esalq-USP.

Já segundo a ANP, de 8 a 14 de agosto, os preços do etanol nos postos subiram na média de 22 estados, caíram em três, se mantiveram no Amapá e não foram apurados no Distrito Federal. A gasolina, por sua vez, teve aumento em 19 unidades da federação.

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Em São Paulo, o maior estado produtor e consumidor de etanol do país, o produto teve um aumento de preço de 1,14%, custando R$ 4,163/L na média semanal – ainda assim, este é o valor estadual médio mais baixo dentre todas as unidades da federação. Já a gasolina foi vendida a R$ 5,523/L para o consumidor paulista, também passando por crescimento de 0,45%.

O aumento mais relevante do renovável no comparativo com o fóssil ocasionou uma piora na relação entre os preços, que ficou em 75,4% ante os 74,9% do período anterior. Com isso, o índice fica ainda mais distante da marca de 70%, limite da faixa em que o etanol é considerado favorável ao consumidor. A pesquisa foi feita em 102 cidades, uma a menos do que na semana anterior.

Já em Goiás, o etanol foi adquirido pelo consumidor a R$ 4,580/L na média da semana analisada. No período, houve uma ampliação de 0,53% no preço do biocombustível, mantendo o produto com o maior valor dentre os seis estados que mais produzem. Já a gasolina sofreu um incremento de 0,74%, sendo vendida a R$ 6,262/L.

Isso deixou a relação entre o preço do renovável e o do fóssil em 73,1%, pouco mais favorável ante os 73,3% de uma semana antes. Segundo a ANP, 13 cidades foram consideradas no levantamento, mesma quantidade do que no período anterior.

Por sua vez, Minas Gerais teve um aumento no preço médio do etanol de 1,91%, tendo sido comercializado em R$ 4,436/L. A gasolina também passou por um crescimento, de 0,55%, e foi negociada a R$ 6,050/L, em média. Com isso, o renovável custou o equivalente a 73,3% do preço do fóssil no estado, índice superior ao da semana anterior, quando ele era de 72,3%. No total, 40 municípios mineiros participaram da pesquisa, um a mais do que na semana anterior.

Mato Grosso perdeu o posto de etanol mais barato na média nacional após três semanas seguidas. No período analisado, o produto teve aumento de 5,26%, o maior de toda a análise; e, com isso, o biocombustível foi comercializado no estado a R$ 4,242/L. Já a gasolina teve um incremento de 0,12%, passando a valer R$ 5,912/L. Dessa forma, o renovável deixou de ser competitivo no estado, com a relação de preço com o fóssil atingindo 71,8% – uma semana antes, o valor era de 68,2%. A ANP fez a pesquisa em sete municípios mato-grossenses, um a mais do que no período anterior.

Em Mato Grosso do Sul, o valor do etanol cresceu 0,86%, sendo vendido a R$ 4,555/L. A gasolina também teve um aumento, de 0,31%, ficando em R$ 5,846/L. Assim, o biocombustível passou a custar o equivalente a 77,9% do preço de seu concorrente fóssil, acima dos 77,5% de uma semana antes. Somente Campo Grande, Corumbá, Dourados e Três Lagoas participaram do levantamento.

Por fim, o Paraná segue apresentando a mais alta relação de preços dentre os seis maiores produtores de etanol do país, com 79,8%. O valor ainda representa um crescimento semanal do índice. Na semana, o etanol teve um incremento de 4,13%, sendo vendido por R$ 4,488/L na média estadual. Já a gasolina teve um aumento de 2,11%, ficando em R$ 5,624/L. No total, 19 cidades foram pesquisadas no estado, uma a menos do que uma semana antes.

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Os preços do etanol e da gasolina por região, estado ou cidade desde 2018 estão disponíveis na planilha interativa (exclusiva para assinantes). Também estão disponíveis gráficos avançados e filtros interativos sobre o comportamento dos preços.

Comparação comprometida

Após mais de dois meses em pausa, o levantamento de preços nos postos voltou a ser realizado semanalmente no final de outubro de 2020. Ainda assim, as comparações entre as análises não são precisas, já que o número de municípios pesquisados vem mudando semanalmente, conforme já era previsto pela ANP.

Entre 8 e 14 de agosto, 341 cidades foram pesquisadas, duas a mais do que no período anterior. O levantamento inclui todas as capitais dos estados brasileiros. Algumas localidades deixaram de participar no comparativo semanal, mudando o número de municípios de alguns estados.

Apesar da progressão no número de cidades, o total está abaixo do objetivo divulgado pela ANP: 459. A agência vem demonstrando dificuldades em cumprir com o esperado em relação ao levantamento desde a pausa, quando tinha uma expectativa de data de retomada que não foi atingida e atrasou mais de um mês.

Com este retorno gradual, os números seguem não correspondendo à média dos postos dos estados como ocorria antes da pausa. A comparação semanal também deve ser observada com cautela, já que a amostra pode aumentar ou diminuir semanalmente.

Gabrielle Rumor Koster – NovaCana


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