Etanol: Mercado

Corte de imposto sobre gasolina em período eleitoral leva usinas a evitarem etanol


Reuters - 13 set 2022 - 12:12 - Última atualização em: 14 set 2022 - 07:11

A decisão do presidente Jair Bolsonaro de cortar drasticamente os impostos sobre combustíveis, principalmente a gasolina, para aumentar suas chances de reeleição apertou as margens de lucro do etanol e deve levar as usinas a evitar o biocombustível e se concentrar fortemente no açúcar.

Especialistas em açúcar e etanol disseram que os lucros com as vendas de etanol de cana caíram tanto em comparação com os do açúcar que as usinas brasileiras, que têm flexibilidade para produzir mais de um ou outro, vão mudar o máximo possível para a produção de açúcar à medida que a safra entrar na segunda etapa.

“As usinas já estão tendo prejuízo com a venda de etanol, por que continuariam a produzi-lo?”, disse o analista Julio Maria Borges, da Job Economia.

O risco para os produtores de açúcar em todo o mundo é que os preços do adoçante possam diminuir se as usinas brasileiras cortarem drasticamente a produção de etanol, aumentando a oferta global de açúcar.

O governo brasileiro cancelou temporariamente os impostos federais sobre combustíveis. Como a gasolina costumava ser mais taxada que o etanol, a eliminação dos impostos diminuiu a vantagem de preço do etanol nas bombas.

Os produtores brasileiros de açúcar e etanol verificam constantemente a diferença na chamada “paridade” do etanol em relação ao açúcar. O valor, que corresponde ao retorno financeiro do biocombustível em uma unidade equivalente aos preços do açúcar bruto na ICE, é usado para decidir a estratégia de produção.

“O preço do etanol já está em 13,70 (centavos de dólar por libra-peso), que outros danos podem ser causados?”, disse o diretor administrativo Michael McDougall, da corretora Paragon Global Markets, com sede em Nova York.

A título de comparação, os futuros de açúcar na ICE fecharam a 18,35 centavos de dólar por libra-peso na segunda-feira, 12, quase 35% acima do valor do etanol no Brasil.

Há, no entanto, limitações momentâneas para se transferir muita produção para o açúcar devido ao período de pico da colheita, afirmou Claudiu Covrig, da CovrigAnalytics.

Para lidar com os altos volumes de moagem de cana atualmente, as usinas ainda precisam usar parte de suas instalações de etanol.

A Covrig acredita que a mudança para o açúcar acontecerá gradualmente, à medida que os volumes de moagem se tornarem menores no caminho para os meses finais da temporada.

Segundo dados da União da Indústria de Cana-de-açúcar (Unica), a maior destinação de cana para açúcar foi em 2006, com 49,7%, e a menor foi em 2019, com 34,3%. No acumulado da atual temporada até 1º de setembro, o mix de açúcar estava em 45,2%.

Roberto Samora e Marcelo Teixeira

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