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Preço dos CBios supera a marca de R$ 200 na segunda quinzena de junho

Negociação registrada em 30 de junho bateu o recorde do programa, com títulos vendidos a R$ 209,50


NovaCana - 04 jul 2022 - 14:46

Pela primeira vez desde a criação do programa RenovaBio, ainda em 2020, o preço médio dos créditos de descarbonização (CBios) ultrapassou R$ 200. Na segunda metade de junho, os papéis foram negociados entre R$ 146,73 a R$ 209,50.

Este é mais um na sequência de valores recordes registrados este ano. Na primeira quinzena do mesmo mês, os papéis haviam atingido o valor máximo de R$ 147,90.

Os números fazem parte do acompanhamento do mercado de CBios realizado pela Bolsa de Valores Brasileira (B3), única entidade registradora do programa.

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Conforme cálculos do NovaCana, realizados a partir dos dados da B3, o valor médio da quinzena ficou em R$ 177,68 por CBio.

Assim, o preço está 2,7 vezes maior que a média histórica do programa, de R$ 65,83. Ele também é 352% superior à média de 2021, de R$ 39,31, e está 55% acima do acumulado de 2022, de R$ 114,58. Em comparação com a primeira quinzena de maio, o acréscimo chegou a 39,4%, mantendo a tendência de alta.

Desde a implantação das negociações, em junho de 2020, os CBios foram vendidos entre R$ 15 e R$ 209,50. Neste ano, por sua vez, os preços variaram entre R$ 31,99 e R$ 209,50.

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Ao final de junho, foram negociados 8,13 milhões de créditos, um volume 112% acima do visto na quinzena anterior, de 3,84 milhões. Também se trata de um aumento de quase 380% ante os 1,69 milhões de CBios comercializados no mesmo período de 2021.

“Os números refletem todas as operações de compra e venda envolvidas em um ciclo de negociação. Assim, no caso de intermediações realizadas por corretoras ou outras instituições, primeiro é realizada uma operação de compra das quantidades e, depois, uma operação de venda para o investidor final”, explica a B3.

Aumento nas emissões

Com as usinas de cana-de-açúcar mantendo um mix de produção mais direcionado ao etanol nos primeiros meses da safra 2021/22, o volume de créditos emitidos voltou a subir, contabilizando 1,84 milhão de CBios ao final de junho. O montante representa um aumento de 82,2% ante as duas primeiras semanas do mês, e ainda um crescimento de 15,8% na comparação anual.

Assim, a quantidade de títulos gerados em 2022 chegou a 15,11 milhões. Com o aumento quinzenal, o total ficou 0,9% acima dos 14,98 milhões de créditos vistos no mesmo período do ano passado.

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De acordo com a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Bicombustíveis (ANP), entre janeiro e junho, as usinas certificadas no programa cadastraram notas fiscais suficientes para a geração de 15,13 milhões de CBios. A expectativa é de que 23,30 mil créditos excedentes cheguem ao mercado nos próximos dias.

Desde o estabelecimento do RenovaBio até o momento, cerca de 64,60 milhões de créditos entraram no programa.

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Segundo a ANP, 312 unidades participam do RenovaBio. Destas, três fabricam biometano e outras 32, biodiesel. Dentre as 277 usinas de etanol certificadas, 267 utilizam apenas a cana-de-açúcar como matéria-prima; cinco processam cana e milho; quatro, apenas milho; e uma produz biocombustível de primeira e de segunda geração de forma integrada.

Posse e aposentadoria

Além do número de CBios gerados em 2022, o setor ainda conta com os créditos excedentes do ano anterior. Assim, no dia 30 de junho, 21,62 milhões de títulos estavam em circulação.

Do total, 89,2% estavam em possa das distribuidoras que tem metas a cumprir, totalizando 19,3 milhões de créditos. Já as usinas certificadas no programa detinham 1,85 milhão de títulos, o equivalente a 8,6% do total. Os 473,19 mil CBios restantes (2,2%) estavam com investidores sem metas.

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Para completar, cerca de 3,93 milhões de créditos foram aposentados no ano – com 347 mil deixando de circular apenas na segunda metade de junho. O volume total representa 11% da meta oficial do RenovaBio para 2022, de 35,98 milhões.

Considerando tanto os papéis em circulação quanto os aposentados ao longo de 2022, o número de títulos disponibilizados ao mercado sobe para 25,56 milhões. Neste caso, o montante é suficiente para o cumprimento de 71% da meta.

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Como a B3 não informa quem solicitou a aposentadoria dos créditos, é possível que uma parte deste total seja referente a investidores que não têm compromissos com o programa. Ainda que esteja previsto que a retirada de títulos feitas pelas chamadas “partes não obrigadas” possa ser deduzida dos objetivos finais do RenovaBio, as aposentadorias de 2022 devem ser contabilizadas em 2023.

Giully Regina – NovaCana


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