Etanol: Mercado

Preço dos CBios atinge pico anual na 1ª quinzena de dezembro; negociações crescem

Valor médio do crédito no período foi de R$ 55,22, mas chegou a R$ 66 no dia 14


NovaCana - 20 dez 2021 - 11:34 - Última atualização em: 11 jan 2022 - 15:48

Os preços dos CBios chegaram aos patamares mais elevados desde o início de 2021 durante a primeira quinzena de dezembro. Além disso, as movimentações também apresentaram crescimento.

Entre 1º e 15 de dezembro, 2,02 mil negociações foram acompanhadas pela B3, resultando na movimentação de 4,33 milhão de CBios. “Os números refletem todas as operações de compra e venda envolvidas em um ciclo de negociação. Assim, no caso de intermediações realizadas por corretoras ou outras instituições, primeiro é realizada uma operação de compra das quantidades e, depois, uma operação de venda para o investidor final”, explica a bolsa de valores. Além disso, o volume de CBios foi 68,9% superior ao período anterior, a última quinzena de novembro.

Ainda segundo a B3, o valor médio observado no período foi de R$ 55,22 por CBio. Este resultado está 38% acima da média histórica do programa, de R$ 40,02, além de estar 44,6% mais elevado que a média de 2021, de R$ 38,19.

Para completar, o valor representa um aumento de 14,92% ante os R$ 48,06 vistos na segunda metade de novembro, caracterizando a terceira quinzena consecutiva de alta no preço dos créditos.

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Inclusive, algumas negociações do período chegaram a R$ 60 ou acima disto, como nos dias 10, 13, 14 e 15 de dezembro, representando os valores mais altos do ano. O ápice foi no dia 15, com o crédito valendo R$ 66. Já o valor mais baixo da quinzena, foi no dia 2, de R$ 48,05. 

“As distribuidoras vão aprender o melhor momento para comprar. Está vencendo o prazo para elas cumprirem a meta e algumas pequenas distribuidoras não compraram no momento que estava barato e aí elas saíram correndo para comprar; com isso, o preço subiu”, a declaração do diretor técnico da União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica), Antonio de Padua Rodrigues, em apresentação na última quinta-feira, 16, define bem o momento de alta de preços.

Desta forma, o mercado se manteve acima da marca de R$ 30, valor médio projetado no início do ano pelo Santander e pelo Instituto de Pesquisa e Educação Continuada em Economia e Gestão (Pecege) para 2021.

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Desde o início da comercialização dos créditos, em junho do ano passado, o valor variou entre R$ 15 e R$ 72. Em 2021, a oscilação foi menos ampla, indo de R$ 26,75 a R$ 66.

Os dados fazem parte do acompanhamento da bolsa de valores brasileira, a B3, única entidade registradora do programa, e se referem à posição em 15 de dezembro.

CBios no mercado

Faltando menos de 15 dias para a data limite, as distribuidoras de combustíveis com metas a cumprir no RenovaBio já entregaram 83,4% do objetivo anual, de 24,86 milhões de créditos de descarbonização (CBios). Ou seja, entre 1º de janeiro e 15 de dezembro, 20,74 milhões de títulos já haviam sido retirados de circulação por meio de um processo conhecido como aposentadoria.

Com isso, restam apenas 4,12 milhões de CBios para que a meta seja cumprida até 31 de dezembro. E o estoque já em posse destas companhias é suficiente para isso – com sobra.

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Considerando os CBios ainda em circulação, as distribuidoras detêm 7,3 milhões, o que implica em um excedente de 3,18 milhões. Por sua vez, as usinas produtoras de biocombustíveis possuem 5 milhões de CBios e os investidores externos ao programa, 272,05 mil.

Somados, este estoque de créditos chega a 12,57 milhões, ultrapassando a quantia necessária em 8,45 milhões de CBios. Este volume, acrescido dos CBios a serem emitidos até o final do ano, será deixado como saldo para o cumprimento da meta de 2022, quando as distribuidoras precisarão aposentar 35,98 milhões de títulos.

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Sobre a questão, o diretor técnico da Unica disse que algumas distribuidoras foram “muito inteligentes” e compraram muito mais do que a meta que têm para este ano. “Temos mais de 3 milhões de CBios comprados por distribuidoras e não aposentados, pois elas têm a expectativa de que lá na frente o mercado de CBios pode subir e eles já tem estocados para cumprir dentro da meta”, declarou Rodrigues.

Vale observar que a B3 não informa se as aposentadorias foram feitas por distribuidoras ou por investidores sem metas. Conforme regulamentação aprovada pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) em maio deste ano, os CBios que forem aposentados por agentes sem metas serão abatidos das obrigações das distribuidoras. Esta redução, entretanto, só deve ser contabilizada no próximo ano.

Geração de créditos

Ainda que o número de CBios em circulação já seja suficiente para o cumprimento da meta de 2021, novos títulos seguem sendo escriturados. Somente na primeira quinzena de dezembro, 1,05 milhão de créditos chegaram à B3.

Ao longo de 2021, as emissões já chegam a 29,33 milhões, ultrapassando o objetivo anual em 4,47 milhões de CBios – o excedente total é superior, pois também considera o saldo de 2020.

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Inclusive, por mais que a temporada de cana-de-açúcar na região Centro-Sul esteja entrando na entressafra, o número de CBios escriturados junto à B3 deve seguir subindo, uma vez que ele é vinculado ao volume comercializado de biocombustível.

Desde o estabelecimento do RenovaBio até o momento, mais de 47,92 milhões de créditos entraram no programa.

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Atualmente, segundo a ANP, 301 unidades participam do RenovaBio; destas, três fabricam biometano e 30, biodiesel. Dentre as 268 usinas de etanol certificadas, 257 utilizam apenas a cana-de-açúcar; seis processam milho e cana; quatro, apenas milho; e uma produz biocombustível de primeira e de segunda geração de forma integrada.

Geração de receita

Rodrigues destaca que se em 2020 houve uma geração de receita bruta de R$ 647 milhões com a comercialização dos créditos, em 2021 o valor já é de R$ 1,04 bilhão, considerando o acumulado até 10 de dezembro.

“Comparando com o faturamento do setor, evidentemente vai dar um percentual mínimo, mas não é isso o importante, [o mercado] ainda está em formação. O governo fica com 24% dos impostos, tem os custos para emissão, tem um gasto significativo, mas gera uma receita líquida para as usinas”, declarou o diretor técnico da Unica.

Ele completa que parte desta receita está sendo repassada para o produtor agrícola. “Grande parte das usinas em São Paulo está repassando, do líquido que ela recebeu, 60% para os produtores que têm os dados primários e 50% para os que não têm. O setor sabe da importância do produtor e está fazendo esse repasse”, completou.

O tema está sendo discutido entre as entidades que representam os fornecedores de cana e os representantes das usinas, mas ainda não há um consenso.

Melhoria da eficiência

Existem 19 empresas que pediram voluntariamente para refazer a sua certificação no RenovaBio, conforme declarou o gerente de economia e análise setorial da Unica, Luciano Rodrigues. “São empresas que aprimoraram seus processos e apresentaram ganhos de eficiência energético-ambiental, tendo uma redução de 25% na quantidade de litros de etanol necessário para emissão de um CBio”, declarou.

Segundo um compilado feita pela entidade, existem usinas que precisam de somente 652 litros de etanol para a emissão de um CBio, enquanto outras necessitam de 5,43 mil litros para o mesmo objetivo.

“Isso tem feito com que os produtores busquem ganhos de eficiência para reduzir as suas emissões. Não só custos, eficiência econômica, técnica, mas também ambiental”, declarou Rodrigues.

Ele completou que cerca de 90% da oferta de etanol no país hoje está certificada.

Gabrielle Rumor Koster – NovaCana


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Tags: NovaCana CBios

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