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A oferta, a demanda e os preços de etanol em 2020: da crise à possível recuperação

O NovaCana analisou o mercado do renovável até julho de 2020 para entender os impactos da crise deflagrada no final de março

NovaCana 17 min de leitura

A análise do cenário de oferta e demanda de etanol diz muito sobre como o setor sucroenergético tem caminhado, sobre o volume estocado e até indica estratégias de produção para os próximos meses. Até o final da safra 2020/21, segundo o mais recente levantamento feito pelo NovaCana, espera-se uma produção total de mais de 25 bilhões de litros do biocombustível no Centro-Sul, 18,6% a menos que na temporada anterior.

Seguindo a mesma linha, o consumo total do combustível renovável em 2020 foi estimado em 26,78 bilhões de litros pelo Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA). A queda é de 18% ante a demanda vista em 2019.

Para entender este cenário, é necessário olhar para trás. Agora, com um certo distanciamento, é possível observar com mais atenção os movimentos atípicos de oferta e demanda desencadeados em 2020, principalmente por conta da “guerra de preços” do petróleo entre a Arábia Saudita e a Rússia e da pandemia de coronavírus, que impactaram o setor a partir de março.

O NovaCana coletou dados de produção e consumo mensais, de etanol anidro e de hidratado, nos estados que integram o Centro-Sul entre os meses de janeiro e julho dos últimos cinco anos. Além disso, também compilou os preços mensais do renovável, tanto nas usinas quanto nos postos de São Paulo, considerando os mesmos períodos.

Os números de produção foram extraídos dos levantamentos quinzenais da União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica), enquanto os de consumo são da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) e os preços, nas usinas e nos postos, do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), da Esalq-USP, e da ANP.

Confira, na versão completa, gráficos e análises com:

- Preço mensal do biocombustível nos postos e nas usinas de São Paulo
- Consumo de etanol anidro, hidratado e total em volumes mensais e acumulados
- Produção de etanol anidro, hidratado e total em volumes mensal e acumulados
- Relação entre oferta e demanda do renovável

A análise do cenário de oferta e demanda de etanol diz muito sobre como o setor sucroenergético tem caminhado, sobre o volume estocado e até indica estratégias de produção para os próximos meses. Até o final da safra 2020/21, segundo o mais recente levantamento feito pelo NovaCana, espera-se uma produção total de mais de 25 bilhões de litros do biocombustível no Centro-Sul, 18,6% a menos que na temporada anterior.

Seguindo a mesma linha, o consumo total do combustível renovável em 2020 foi estimado em 26,78 bilhões de litros pelo Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA). A queda é de 18% ante a demanda vista em 2019.

Para entender este cenário, é necessário olhar para trás. Agora, com um certo distanciamento, é possível observar com mais atenção os movimentos atípicos de oferta e demanda desencadeados em 2020, principalmente por conta da “guerra de preços” do petróleo entre a Arábia Saudita e a Rússia e da pandemia de coronavírus, que impactaram o setor a partir de março.

O NovaCana coletou dados de produção e consumo mensais, de etanol anidro e de hidratado, nos estados que integram o Centro-Sul entre os meses de janeiro e julho dos últimos cinco anos. Além disso, também compilou os preços mensais do renovável, tanto nas usinas quanto nos postos de São Paulo, considerando os mesmos períodos.

Os números de produção foram extraídos dos levantamentos quinzenais da União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica), enquanto os de consumo são da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) e os preços, nas usinas e nos postos, do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), da Esalq-USP, e da ANP.

Preços do renovável no chão

O preço do etanol nas usinas de São Paulo chegou a superar a marca de R$ 2 por litro na média mensal de janeiro e fevereiro de 2020, os maiores para estes meses nos últimos cinco anos e também de toda a análise. Em março, os preços atingiram praticamente o mesmo patamar de 2019, com queda significativa em abril e maio, chegando a R$ 1,36/l e R$ 1,44/l, respectivamente. Houve uma recuperação em junho e julho, novamente, em linha com o ano anterior.

Nos postos, o movimento foi semelhante: o primeiro bimestre do ano foi marcado por preços acima de R$ 3, com uma pequena queda em março, chegando a uma média de R$ 2,99/l. Em abril e maio, os valores caíram para R$ 2,58/l e R$ 2,35/l, respectivamente. Somente em julho, eles ficaram em linha com 2019, tendo certa recuperação.

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A especialista sênior de preços da S&P Global Platts, Nicolle Monteiro de Castro, destaca que, para analisar estes movimentos, é necessário considerar os efeitos da pandemia e a crise de preço do petróleo que formaram a “tempestade perfeita” tanto para a gasolina quanto para o etanol. Do preço do petróleo despencando a partir de 10 de março à pandemia se espalhando pelo Brasil a partir da segunda quinzena do mês, passando pela safra de cana 2020/21 começando em abril, todos os fatores causaram muitas incertezas.

“Em um primeiro instante, o peso foi muito grande no comportamento de preços do etanol, pois era muito incerto como ficaria a demanda por combustíveis. Nos primeiros meses, vimos que o comportamento do consumidor reduziu a demanda de hidratado e manteve a de gasolina menos alterada”, detalha Castro. A especialista relembra que, de janeiro a junho, o consumo de gasolina caiu 10% no acumulado, enquanto o etanol hidratado caiu 17%.

O CEO da SCA Trading, Martinho Ono, corrobora com esta visão: “Por consequência da falta de demanda e do preço da gasolina barata, o etanol alcançou um valor lá no fundo do poço, muito ruim, em abril. Temíamos muito de que a recuperação do petróleo iria demorar, com a pandemia se alastrando pelo mundo”.

Ono lembra que este temor fez com que o setor se mobilizasse, em abril e maio, com pedidos ao governo para aumento da Cide sobre a gasolina e isenção de PIS-Cofins, a fim de melhorar a competitividade do etanol sobre a gasolina.

“Nada disso aconteceu e subitamente vimos, pelo acordo da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep), uma redução na produção de petróleo. A queda na oferta do produto refinado fez com que, no final de maio e junho, víssemos uma boa parte da recuperação do preço do petróleo e da gasolina internacional, que nós não imaginávamos”, observa.

Segundo Ono, na sequência, a Petrobras equalizou o preço no mercado interno com o internacional, como é a prática da companhia. De acordo com ele, isso provocou um aumento sucessivo do preço da gasolina e consequente recuperação do preço do etanol hidratado em relação aos praticados no mês de abril até meados do mês de maio. “Alcançamos, na segunda quinzena de junho e em agosto, níveis de preços superiores ao que tínhamos no ano passado”, completa.

A especialista sênior de preços da S&P Global Platts ainda destaca outras questões. Segundo Castro, para entender porque as vendas do hidratado caíram mais do que as da gasolina no acumulado no início de pandemia, é preciso olhar como estava a relação percentual entre os preços dos combustíveis, principalmente no Centro-Oeste e no Sudeste, no primeiro trimestre de 2020.

Conforme a especialista, a relação até meados de março, no Sudeste, ficou entre 67% e 70%. Já no Centro-Oeste, o etanol estava menos vantajoso no mesmo período, com preços do renovável atingindo 70% do da gasolina.

“O consumo migrou totalmente para a gasolina. Por isso, tivemos uma queda mais acentuada no hidratado. E aí, obviamente, seu preço despencou, pois começou uma produção forte”, detalha Castro, que segue: “Por mais que aconteça uma maximização da produção de açúcar, no início de safra sempre tem bastante etanol, então o preço não tinha como ter tido outro comportamento”.

Virada para o açúcar ampara preços

Com as mudanças no mercado de combustíveis, os preços do etanol começaram a refletir uma demanda bem mais restrita em relação ao ano passado. Ao mesmo tempo, a produção também se restringiu, ainda que menos em relação à redução no consumo.

“Aqui começa a história do açúcar. Os produtores, a partir do final de maio e início de junho, começaram a receber a remuneração das exportações de açúcar”, detalha Castro. A especialista estima que a exportação da commodity seja de 10 milhões de toneladas a mais do que no ano passado. Já o preço deve ficar em torno de 30% acima na mesma comparação.

“Isso deu um fôlego para que os produtores não precisassem quebrar o preço do etanol e usassem ele como principal ativo financeiro para se autofinanciar. Eles estavam com bastante caixa sendo gerado por meio da exportação do açúcar e não precisaram queimar um dos ativos para suprir as suas necessidades financeiras mensais”, explica a especialista da Platts.

Ono, por sua vez, relembra a realidade de 2018 e 2019, quando a produção de etanol foi maximizada em detrimento do açúcar. Nestes anos, o cenário apontava para uma recuperação do adoçante ao mesmo tempo em que a produção de cana dava sinais de crescer muito pouco. “Ano passado, moemos 590 milhões de toneladas e, neste, estamos prevendo algo próximo de 600 milhões. A nível total, é muito parecido”, considera Ono.

Mesmo com a safra mais açucareira, tanto pelo aumento nos preços internacionais quanto pelo câmbio favorável às exportações, o cenário pré-pandemia trazia a expectativa de que o preço do etanol estaria altamente valorizado, justamente pela redução na oferta causada por um mix de produção mais açucareiro, relata Ono.

“É bom sempre lembrar que o etanol é de 90% a 95% comercializado no mercado interno, enquanto cerca de dois terços da produção de açúcar vão para o externo. A tomada de decisão de exportação e a fixação de câmbio são feitas com muito mais precocidade”, completa o CEO.

Com estes movimentos, a especialista da Platts destaca que o setor conseguiu achar “um ponto de equilíbrio” sem ter que colocar mais etanol no mercado do que a demanda momentânea. Isto possibilitou um preço mais estável e, em certo patamar, mais alto do que o registrado no ano passado, tanto para hidratado quanto para anidro.

De acordo com dados trazidos por Castro, o preço Posto, Veículo Usina (PVU) do hidratado, base Ribeirão Preto, estava em R$ 2.220/m³ no dia 22 de setembro, o que representa um crescimento de 4,23% no comparativo com um ano antes e de 6,22% ante dois anos atrás. No caso do anidro, o preço era de 2.250/m³, com altas de 9,49% ao ano e de 13,64% em relação a 2018.

Conforme a especialista, diferentemente da gasolina – que tem um descasamento maior entre refinaria e bomba –, o etanol possibilita uma mudança mais ágil nos preços. “Tem aspectos de tributação, de preferência dos revendedores por vender a gasolina e não o etanol, e envolve mais a questão tributária e fiscal do que mercadológica ou de retenção de demanda”, justifica.

Demanda: do choque ao equilíbrio

Sob a perspectiva do consumo mensal de etanol, janeiro e fevereiro de 2020 superaram a demanda de um ano antes, período em que o renovável ainda parecia ser o protagonista da safra.

Em março, com o início da crise, o cenário se alterou e foi registrado um consumo mensal de anidro e hidratado de 1,86 bilhão de litros, enquanto, em 2019, ele foi de 2,20 bilhões (-15,1%). No mês seguinte, os volumes se distanciaram ainda mais: 1,56 bilhão de litros contra os 2,27 bilhões registrados anteriormente, queda de 31,3%. Em maio, a retração foi de 27,6% e, em junho, de 18,3%.

No acumulado, enquanto os consumos mensais se mantiveram em linha com 2019 até março, abril registrou um volume 954,8 milhões menor. Em maio, junho e julho, as quantias foram 1,6 bilhão, 2 bilhões e 2,3 bilhões de litros menores que um ano antes.

Sob a perspectiva apenas do hidratado, o mês com maior diferença em relação a 2019 foi abril, com queda de 31,9%. No período, o consumo foi de 1,13 bilhão de litros, contra os 1,66 bilhão de um ano antes.

O mesmo ocorreu com o anidro: no mês de abril, a demanda foi de 426,42 milhões de litros, 29,7% a menos que os 607,09 milhões vistos no mesmo mês de 2019. Ainda assim, a redução foi menor do que a do hidratado, já que o anidro é usado na mistura da gasolina C, que sofreu menos impacto do que o renovável.

prodxcons consumo 20200922

Ono relembra que, em função das recomendações de isolamento social e das restrições relacionadas, a gasolina e o etanol tiveram vendas muito abaixo das esperadas desde a metade final de março até maio; em junho, porém, já houve uma leve recuperação. Ainda assim, o renovável perdeu mais mercado do que a gasolina.

“Particularmente, eu teria uma resposta para isso: o etanol estava competitivo em valores absolutos de diferença em relação à gasolina, bem como na paridade; mesmo assim, perdemos o share da gasolina porque a própria mídia intensificou muito a queda do preço do petróleo e da gasolina precificada pela Petrobras”, analisa.

Ono relata que, do ponto de vista da demanda, muito se perdeu no primeiro trimestre da safra, de abril a junho. “Se considerarmos mais ou menos 20 bilhões de litros de etanol hidratado, descontando um bilhão que será exportado, teríamos 19 bilhões de litros para negociar no mercado interno”, afirma e calcula: “Se dividirmos por 12 [meses], temos um 1,58 bilhão na média por mês. Vendemos muito abaixo deste número nos meses de abril, maio e junho. Em julho, já vendemos quase 1,6 bilhão; em agosto, o mesmo volume”.

prodxcons relacao acumulada20200922

Segundo Ono, o último quadrimestre do ano é tradicionalmente forte para o mercado de etanol, com volumes oscilando entre 1,6 bilhão e 1,7 bilhão de litros por mês. “O que deixamos de vender neste começo da safra será compensado no período de setembro a dezembro e no primeiro trimestre do ano que vem, o último da safra”, afirma e completa: “Vamos voltar a vender de 1,5 bilhão a 1,55 bilhão de litros, de acordo com esse cálculo de venda média mensal”.

Ainda que os volumes de consumo tenham sido baixos, ampliando os estoques nos meses mais críticos de retração da demanda, Ono não enxerga montantes muito elevados de carrego para o fim da temporada. “Se mantivéssemos o nível de vendas como foi no primeiro trimestre [da safra], teríamos muita sobra de etanol. Mas, por sorte, a recuperação do hidratado neste trimestre que estamos vivendo e no último do ano vai compensar o prejuízo que tivemos no início, levando ao equilíbrio de oferta na virada da safra”, prevê.

Desta forma, o CEO da SCA não visualiza sobra ou falta do produto. “Entendemos que a recuperação do Ciclo Otto e da economia como um todo vai levar a uma recuperação do consumo paulatinamente até o final do ano e do trimestre seguinte, o que fará com que o estoque que temos hoje, que já está acima do que tínhamos há um ano, seja absorvido com uma entressafra maior e um início da safra futura mais atrasada”, conclui.

Esta perspectiva de uma maior entressafra está alinhada com as projeções do setor em relação à temporada, que indicam uma moagem acelerada devido ao tempo seco.

Além disso, a taxa de crescimento dos estoques vem caindo, aproximando a posição atual da vista no mesmo período de 2019. Em 1º de maio, o volume armazenado pelas usinas do Centro-Sul era 114% superior ao de um ano antes; em 1º de junho, este índice passou para 87,32%; um mês depois, para 40,5%; em 1º de agosto, para 26,61%; e, no começo de setembro, para 16,25%.

Produção: nem de mais, nem de menos

Na análise, considerando a produção do Centro-Sul, anidro e hidratado somaram 198,81 milhões de litros no primeiro mês do ano. Por ser período de entressafra, poucas usinas operam e as produções são residuais. Na segunda quinzena de janeiro, por exemplo, apenas duas unidades de cana estavam em funcionamento no Centro-Sul. Além disso, dez de milho estavam ativas, sendo que três são dedicadas exclusivamente ao grão.

De todo modo, até março, as produções mensais foram superiores a um ano antes. Em abril, primeiro mês da safra, foram fabricados 2,57 bilhões de litros, um crescimento de 15,1% em comparação com os 2,24 bilhões de 2019.

O cenário se inverteu a partir de maio. Em junho, por exemplo, a variação anual foi negativa em 15,4%, com 3,80 bilhões de litros em 2020 ante os 4,48 bilhões de litros do ano anterior.

Como o primeiro bimestre de 2020 registrou um crescimento, a produção acumulada no ano atualmente está próxima em relação aos números de 2019.

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Em relação ao etanol hidratado, a maior redução ocorreu em junho de 2020, quando foram produzidos 2,64 bilhões de litros – queda de 10,1% ante os 2,93 bilhões de 2019. No mesmo mês, os volumes acumulados ficaram em linha com os do ano anterior.

“Em termos de produção, eu diria que tivemos sorte que a pandemia ocorreu em um ano no qual estamos maximizando o açúcar e tentando fazer o mínimo de etanol, paralelamente a um mercado que teve essa retração de consumo. O mercado, sem querer, acabou se convergindo mais ao açúcar, porque tem mercado externo aquecido versus um interno deprimido, com menor produção de etanol”, analisa Ono.

O CEO relembra que a produção de etanol em 2019 foi de 33 bilhões de litros (entre anidro e hidratado), sendo que, este ano, espera um resultado entre 28 bilhões e 28,5 bilhões de litros. Ele ainda considera que o renovável de milho deva crescer 800 milhões de litros em relação ao ano passado. “As 10 milhões ou 11 milhões [de toneladas] a mais de açúcar vão reduzir de 5 bilhões a 5,5 bilhões [de litros] de etanol do total”, acrescenta.

Outro ponto levantado por Ono é que a estiagem prolongada não deve permitir a antecipação da próxima safra para março. Isso faz com que o estoque de novembro e dezembro tenha que se ser esticado até o início de abril.

Já quanto ao anidro, a produção de 1,16 bilhão de litros em junho deste ano representou uma redução de 25,3% em relação ao 1,55 bilhão de um ano antes. A fabricação também teve retração no comparativo com 2019 nos meses de maio, junho e julho, mas houve crescimento em abril.

Ono destaca que o volume de anidro que vai misturado na gasolina é crescente, mas somente se o hidratado não estiver competitivo. “Nos últimos anos, o hidratado sempre esteve competitivo, fazendo o mercado de anidro decrescer, já que o Ciclo Otto cresceu em hidratado”, esclarece.

Conforme as regras da ANP, um volume equivalente a 90% do que foi comercializado no ano anterior deve ser contratado com antecedência. Nesta safra, porém, o montante contratado pelas distribuidoras foi 30% inferior em relação ao consumo total de 2019.

“A ANP fez uma arbitragem e estabeleceu um volume bem menor [em relação à demanda atual]. Temos um volume contratado inferior à necessidade das distribuidoras, o que resulta em um maior volume de compras à vista, algo que deve acontecer até o final da safra”, relata e completa: “É um recado direto ao produtor que ainda está moendo cana. É preciso reservar anidro para venda durante a entressafra; uma quantia maior do que nas outras temporadas”.

Neste sentido, julho demonstrou uma produção do anidro maior em relação a junho, atingindo 1,41 bilhão de litros, mas menor que os 1,56 bilhão de um ano antes (-9,4%). Além disso, no acumulado, o valor ainda é 10,1% menor do que em 2019.

De acordo com Ono, as distribuidoras também devem ficar atentas ao mercado. A recomendação do CEO é que as empresas se programem para a realidade de vendas antes do encerramento da atual safra de cana.

Gabrielle Rumor Koster – NovaCana

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