Etanol: Mercado

Para Jalles Machado, consumo de etanol tem de cair para regularizar oferta em 2022/23


Agência Estado - 17 nov 2021 - 10:15 - Última atualização em: 17 nov 2021 - 20:40

O diretor financeiro e de relações com investidores da Jalles Machado, Rodrigo Penna de Siqueira, prevê que, se o consumo de etanol não cair, faltará biocombustível até abril do ano que vem, quando começa a próxima safra de cana-de-açúcar no Centro-Sul do Brasil.

“Na entressafra (que já começou), o etanol deve ficar com preço acima da paridade com a gasolina. O preço da gasolina é que tem definido o do etanol, e a oferta do biocombustível ainda é pequena”, disse ele ontem, 16, em teleconferência com investidores e analistas. “É necessário reduzir o consumo para a gente ter etanol suficiente até o início da próxima safra”.

Ele lembra que, apesar da alta de preços, o consumo do biocombustível está acima do esperado pelo mercado. “Vemos vendas fortes mesmo com paridade acima. Acho que é porque em alguns veículos um rendimento acima de 70% e ainda compensa para o etanol, porque é mais barato encher tanque com etanol do que com gasolina, e por causa da questão ambiental”.

O executivo afirmou também que, para aproveitar os preços de etanol anidro, que é misturado à gasolina, todo o biocombustível produzido desde outubro na unidade Jalles Machado tem sido desse tipo. “Também estamos reprocessando etanol hidratado para ampliar o anidro”, disse.

Siqueira disse não acreditar que a mistura de etanol na gasolina vá ser reduzida. “Essa conversa ganhou força há um tempo, mas perdeu impulso e agora não se fala mais nisso”.

Chuvas

A Jalles Machado espera um ciclo positivo de chuva nos próximos meses em preparação para a safra 2022/23 de cana-de-açúcar, que começa em abril no Centro-Sul brasileiro. “A chuva começou boa, tudo indica que teremos bom ciclo de chuva em termos de volume e distribuição de água”, afirmou o diretor financeiro e de relações com investidores da empresa.

O CEO, Otávio Lage de Siqueira Filho, mencionou o tempo úmido nas últimas semanas. “Em setembro, outubro e novembro as chuvas ficaram acima da média histórica, o que dá tranquilidade para o ano que vem”, disse. “A chuva de arrancada foi muito positiva”.

Siqueira complementou que as precipitações de outubro são as mais importantes do ano. “O primeiro mês da entressafra é quando a cana começa a crescer, momento muito importante no ciclo. Depois, também é importante que chova em abril”, afirmou.

Aquisição

A Jalles Machado ainda pretende comprar uma usina até março do ano que vem, afirmou Rodrigo Penna de Siqueira. “Sempre comentamos que queríamos concluir o M&A (fusão e aquisição, na sigla em inglês) até março de 2022, e essa continua sendo a nossa perspectiva”, disse ele na teleconferência. “Estamos evoluindo e o compromisso é fazer algo que faça sentido para gerar valor aos acionistas”.

Ele afirma que uma aquisição no setor sucroenergético precisa ser bem analisada, principalmente por causa da área agrícola, “que é o que faz o valor do negócio”. O executivo reiterou que busca uma localização diferente – hoje, as duas unidades da empresa ficam em Goianésia (GO) –, e uma usina com capacidade de moagem em torno de 2 milhões de toneladas, mas que tenha potencial para crescer.

Apesar de reafirmar que acredita na aquisição, Siqueira disse que há outras opções de investimento caso não aconteça a compra de uma unidade. “Uma das possibilidades é o biogás completo, com produção de biometano, por exemplo”.

Fertilizantes

Os preços de fertilizantes devem continuar em patamares avançados até o primeiro semestre do ano que vem, pelo menos, na visão da Jalles Machado. Siqueira, afirmou que “o preço em dólar é bem alto, assim como o câmbio, mas a tendência é continuar nesse patamar”.

Ele destacou que a companhia mitiga os efeitos desse avanço com a área orgânica, que totaliza quase 30% do total da empresa. Além disso, a Jalles Machado vem aplicando vinhaça localizada, fonte de potássio e matéria orgânica, em algumas áreas, o que reduz o uso de insumos.

Augusto Decker