Etanol: Mercado

Para Jalles Machado, cenário de preços é positivo por causa de Brasil e Índia


Agência Estado - 18 ago 2021 - 09:26

Segundo o diretor financeiro e de relações com investidores da Jalles Machado, Rodrigo Penna de Siqueira, o cenário de preços de açúcar e etanol deve ser “bastante construtivo” em decorrência da quebra de safra no Brasil e da antecipação do aumento da mistura do etanol à gasolina na Índia.

“As projeções são de déficit de açúcar para os próximos dois anos, e os estoques atuais já estão reduzidos”, afirmou em teleconferência na tarde de ontem, 17. Na sua avaliação, o Centro-Sul brasileiro não deve recuperar a moagem de 600 milhões de toneladas nem na safra 2022/23, que começa em abril do ano que vem. “A seca prejudicou bastante os canaviais”.

O executivo afirmou que, no início desta safra, pensava-se que o mix de produção da companhia seria mais açucareiro, porém, a valorização do etanol trouxe um equilíbrio e, agora, a empresa tem privilegiado o biocombustível. “Mas houve momentos em que maximizamos açúcar e outros em que maximizamos etanol”, disse ele, afirmando que a empresa tem capacidade para dedicar mais de 70% da moagem ao etanol se necessário. Para o açúcar, o teto é entre 48% e 50%.

Quanto ao modo de comercialização, ele lembrou que a companhia vende açúcar convencional no mercado interno e exporta o orgânico. Portanto, a companhia não tem necessidade de fazer washouts (cancelamentos de contratos já fixados para exportação de açúcar) quando o etanol é mais lucrativo.

Venda direta

A possibilidade de venda direta de etanol da usina para postos – sem intermediação de distribuidoras – deve ter efeito marginal para a Jalles Machado, de acordo com Siqueira. “O grosso do etanol comercializado é nas capitais, e as usinas estão no interior”, disse ele na teleconferência. “Dessa forma, os combustíveis já precisam ir para perto das capitais, onde estão as distribuidoras”, completou, concluindo que o custo com frete não será expressivamente reduzido com a medida.

Ele disse ainda que a distribuidora, além de entregar o etanol, também faz os processos de mix e de logística. “Por tudo isso, enxergamos efeito marginal na venda direta para postos”, completa.

A mudança na comercialização foi anunciada na semana passada pelo presidente Jair Bolsonaro, que publicou uma medida provisória autorizando a venda direta e também tornando possível que postos bandeirados vendam combustíveis de outras bandeiras.

Augusto Decker