Etanol: Importação

Usinas de etanol do Nordeste se preocupam com sobra de produção nos Estados Unidos


Money Times - 07 ago 2020 - 12:58

As importações anuais de etanol, nos últimos três anos, têm ficado em torno de 1,5 bilhão de litros. Caso isso se repita em 2020, o volume será equivalente a pouco mais de 70% de toda produção nordestina na última safra, de 2,1 bilhões de litros. O fornecimento é praticamente todo dos Estados Unidos.

Com a pandemia de coronavírus, o quadro se tornou mais preocupante para os produtores da região, incluindo também algumas usina do Norte do país. É para estas localidades que se dirige quase a totalidade das importações. Em 2020, com um consumo bem mais fraco, a safra da região está em vias de começar.

Em 2019, as importações já eram consideradas um problema grave pelos produtores, mesmo antes do governo Bolsonaro ampliar a cota livre de impostos, de 600 milhões para 750 milhões de milhões de litros. Segundo o presidente do Sindaçúcar-PE, Renato Cunha, o imposto de 20% pago pelos volumes adicionais faria pouca diferença para as distribuidoras, pois elas compram um etanol barato, com subsídio ao milho.

Nos primeiros seis meses de 2020, a cota já foi ultrapassada, com a importação de mais de 800 milhões de litros do produto.

Além da crise econômica deflagrada pela pandemia, o embaixador dos EUA no Brasil, Todd Chapman, está defendendo o fim do imposto sobre o excedente. “Além da crise sistêmica de redução do consumo de combustíveis nos Estados Unidos, há a questão da dificuldade de implantação do E15 (mistura do anidro na gasolina) em vários estados por pressão do lobby da petroleiras”, relata Cunha, que também preside a Novabio, entidade com 40 usinas associadas.

Cunha aponta que, segundo dados da Agência Nacional de Petróleo, Gás e Biocombustível (ANP), o recuo nacional no consumo de etanol chegou a 17%. No Nordeste, a queda foi de 25%.

Como a safra da região acaba em fevereiro, as unidades não tiveram tempo de virar a chave do mix de produção em direção ao açúcar, como vem ocorrendo no Centro-Sul. Além disso, o açúcar nordestino, que deveria ser a contrapartida compensatória dos Estados Unidos em seu mercado, segue com espaço limitado.

“A nossa cota é de 150 mil toneladas, enquanto da República Dominicana é de 180 mil”, afirma Renato Cunha. A porção brasileira é referente a menos 2% das importações americanas da commodity, o que geraria uma distorção no mercado.

Giovanni Lorenzon


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