Com a pandemia de coronavírus, o quadro se tornou mais preocupante para os produtores da região, incluindo também algumas usina do Norte do país
As importações anuais de etanol, nos últimos três anos, têm ficado em torno de 1,5 bilhão de litros. Caso isso se repita em 2020, o volume será equivalente a pouco mais de 70% de toda produção nordestina na última safra, de 2,1 bilhões de litros. O fornecimento é praticamente todo dos Estados Unidos.
Com a pandemia de coronavírus, o quadro se tornou mais preocupante para os produtores da região, incluindo também algumas usina do Norte do país. É para estas localidades que se dirige quase a totalidade das importações. Em 2020, com um consumo bem mais fraco, a safra da região está em vias de começar.
Em 2019, as importações já eram consideradas um problema grave pelos produtores, mesmo antes do governo Bolsonaro ampliar a cota livre de impostos, de 600 milhões para 750 milhões de milhões de litros. Segundo o presidente do Sindaçúcar-PE, Renato Cunha, o imposto de 20% pago pelos volumes adicionais faria pouca diferença para as distribuidoras, pois elas compram um etanol barato, com subsídio ao milho.
Nos primeiros seis meses de 2020, a cota já foi ultrapassada, com a importação de mais de 800 milhões de litros do produto.
Além da crise econômica deflagrada pela pandemia, o embaixador dos EUA no Brasil, Todd Chapman, está defendendo o fim do imposto sobre o excedente. “Além da crise sistêmica de redução do consumo de combustíveis nos Estados Unidos, há a questão da dificuldade de implantação do E15 (mistura do anidro na gasolina) em vários estados por pressão do lobby da petroleiras”, relata Cunha, que também preside a Novabio, entidade com 40 usinas associadas.
Cunha aponta que, segundo dados da Agência Nacional de Petróleo, Gás e Biocombustível (ANP), o recuo nacional no consumo de etanol chegou a 17%. No Nordeste, a queda foi de 25%.
Como a safra da região acaba em fevereiro, as unidades não tiveram tempo de virar a chave do mix de produção em direção ao açúcar, como vem ocorrendo no Centro-Sul. Além disso, o açúcar nordestino, que deveria ser a contrapartida compensatória dos Estados Unidos em seu mercado, segue com espaço limitado.
“A nossa cota é de 150 mil toneladas, enquanto da República Dominicana é de 180 mil”, afirma Renato Cunha. A porção brasileira é referente a menos 2% das importações americanas da commodity, o que geraria uma distorção no mercado.
Giovanni Lorenzon