BASF
Etanol: Importação

“Aumento da importação do etanol é um desastre para Alagoas”, diz Sindaçúcar

Medida do governo elevou de 600 para 750 milhões de litros a cota de etanol que poderá ser comprada no exterior


Gazeta Web - 05 set 2019 - 08:17

A medida do governo federal que eleva de 600 milhões para 750 milhões de litros a cota de etanol que poderá ser comprada no exterior sem a alíquota de importação de 20% “é um desastre” para Alagoas. A afirmação é do presidente do Sindicato da Indústria do Açúcar e do Álcool no Estado de Alagoas (Sindaçúcar-AL), Pedro Robério Nogueira. A nova cota tem validade de 12 meses.

De acordo com Nogueira, a importação afeta a comercialização do etanol e deve atingir diretamente mais de 20 mil fornecedores de cana em Alagoas e 300 mil empregos em todo o Nordeste. Ainda segundo ele, o novo volume autorizado pelo Governo Federal representa 34% da produção de todo o Nordeste.

“Significa dizer que toda produção do Nordeste vai vir dos EUA, isso em plena safra”, afirma e completa: “O impacto dessa importação é devastador no Nordeste. As empresas distribuidoras que estão importando não vão comprar o álcool produzido localmente”.

Ele relata que a ação beneficia diretamente os exportadores americanos e foi tomada após uma reunião com Trump, na Casa Branca, que teve a presença do ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo; do assessor para assuntos internacionais da Presidência da República, Filipe Martins; e do deputado Eduardo Bolsonaro (PSL-SP).

A cota anterior era válida até a última sexta-feira (31). Há dois anos – período que durou a cota de 600 milhões –, o pleito dos produtores da região era para que não houvesse renovação da concessão. Mas o governo federal não só renovou por mais um ano, como aumentou a cota de importação.

“Passamos dois anos com cotas anuais de 600 milhões de litros. Essa concessão que o governo federal tinha expedido expirou do dia 31 de agosto”, relembra. “O pleito de todo o setor produtor de etanol do Brasil era que essa concessão não fosse mais renovada, porque essa importação é desnecessária. O Brasil produz etanol necessário para abastecer”.

Os representantes do setor sucroenergético de Alagoas e Pernambuco se reuniram nesta quarta-feira (4), com a ministra da Agricultura, Tereza Cristina, e com o ministro da Economia, Paulo Guedes.

O objetivo era apresentar medidas de compensação para diminuir o impacto da medida nos estados do Nordeste, principalmente no período da safra, que já teve início. Os representantes irão propor que a importação se dê apenas na região Centro-Sul.

“Se não pode revogar a concessão, o que eu acho muito provável, queremos que esse volume de etanol isento seja descarregado em portos do Sul, onde o impacto é bem menor, e não no Nordeste. Um volume de 750 milhões de litros para a região Centro-Sul tem impacto pequeno, mas para a produção do Nordeste é muito grande. Nos dois anos, quando foram 600 milhões de litros, todo o etanol foi descarregado no Nordeste”, concluiu.

Tatianne Brandão