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Risco de Petrobras segurar os preços dos combustíveis é “zero”, diz CEO

Se os preços do petróleo ou o câmbio se moverem para novas altas estruturais, a Petrobras terá de reajustar os preços de gasolina e diesel, afirmou o executivo


Reuters - 05 out 2021 - 08:29

O risco é “zero” de a Petrobras atuar para segurar os preços dos combustíveis no país em meio a um período de valores elevados que pressionam a inflação e o orçamento dos brasileiros, disse o presidente da empresa, Joaquim Silva e Luna, em entrevista à Reuters.

Isso significa que, se os preços do petróleo ou o câmbio se moverem para novas altas estruturais, a Petrobras terá de reajustar os preços de gasolina e diesel para manter sua política de seguir a paridade com as cotações globais, apesar de pressões contrárias de parte da sociedade, afirmou o executivo.

Depois de 85 dias, a Petrobras promoveu na semana passada um reajuste no preço do diesel de cerca de 9%, e com altas anteriores o combustível nas refinarias da empresa acumula aumento de mais de 50% no ano, assim como a gasolina, gerando manifestações de políticos para que a petroleira estatal tenha uma “função social” de aliviar a inflação.

“A chance disso (segurar preços) acontecer é nenhuma”, disse o general da reserva em entrevista por telefone na noite de sexta-feira, 1º, ao comentar a importância de a Petrobras ser guiada pelas regras de mercado na definição dos preços.

“Eu considero zero. A Petrobras é uma empresa muito bem regulada, com normas de conformidade. Nenhum colegiado vai aprovar uma coisa dessas”, completou ele, ao ser questionado sobre os riscos de a empresa voltar a ser utilizada como instrumento de controle de inflação.

Isso ocorreu em governos anteriores do PT, o que gerou prejuízos bilionários para a empresa, lembrou Luna.

“Nosso presidente (Jair Bolsonaro), ministro de Minas e Energia (Bento Albuquerque), ministro da Economia (Paulo Guedes), todos estão convencidos que isso não é solução, é destruição do esforço que foi feito para recuperar a companhia”, destacou Luna.

Contudo, a Petrobras apoia estudos para soluções, dentro do governo, para evitar as volatilidades e altas expressivas de preços.

Há discussões para uso de recursos públicos que sirvam como um “colchão” para amortecer os valores dos combustíveis.

“Uma solução está sendo construída com nosso presidente e com vários ministérios. Tem países que já usam e tem um fundo para ser usado em momentos de dificuldades”, disse ele.

“A melhor forma de a Petrobras contribuir é pagando tributos, dividendos, royalties e empregos. Não fazendo política social”, destacou Luna.

“Não dá para colocar na nossa conta essa fatura até porque, quando a pessoa abastece o carro, (a Petrobras) é responsável por R$ 2”, disse ele, em referência ao valor na bomba que cabe à empresa.

Segundo Luna, o governo e parte da classe política já estão cientes de que a estatal não pode ficar com a fatura, como no passado.

O general da reserva destacou que a empresa tem de respeitar a Lei da Estatais e seguir regras de governança e a política de PPI (preço de paridade de importação), que não será abandonada.

“A empresa tem que seguir a métrica de preços internacionais, não tem jeito”, refutando comentários de que a Petrobras teria que zelar por uma modicidade de preços, sem pensar apenas no lucro.

A administração de Luna na empresa, iniciada em abril, reduziu a frequência de reajustes de combustíveis em relação à gestão anterior, realizando movimentos apenas quando o mercado muda de forma estrutural, buscando seguir o PPI.

Ainda assim, alguns líderes políticos, como o próprio presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (DEM-MG), cobraram um papel “social” da estatal no enfrentamento da crise dos combustíveis, após o reajuste desta semana.

Sem mexer na política de preços, a Petrobras anunciou a destinação de R$ 300 milhões de seu programa social para subsidiar o botijão de gás a famílias mais carentes.

Luna destacou que a estatal está convocando outras empresas públicas e privadas para participar da iniciativa e “multiplicar” o valor do apoio social.

“Vamos buscar outras empresas e já fizemos contato. Isso está claro”, frisou ele, em referência ao projeto que ainda está em fase inicial.

Pressão do petróleo

O presidente da Petrobras afirmou que a expectativa é que o último trimestre do ano seja de pressão altista de preços do petróleo por conta da maior demanda por derivados no Hemisfério Norte.

Ele afirmou que está na torcida para um alívio da cotação do dólar frente ao real para compensar a perspectiva de alta do barril do tipo Brent.

Luna reconheceu que se dólar e Brent continuarem subindo, a estatal terá que voltar a discutir a possibilidade de mudanças estruturais de cenário.

“Estamos na tempestade perfeita. O dólar deu uma descolada monstruosa e até incompreensível. Todos no Brasil torcem pela queda do dólar, mas eu torço mais que todo mundo”, afirmou.

Rodrigo Viga Gaier