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Raízen Combustíveis avalia disputar refinarias da Petrobras

Segunda maior distribuidora de combustíveis do Brasil, joint venture entre Cosan e Shell deve contratar banco para ver se aquisição faz sentido


O Estado de S. Paulo - 03 jul 2019 - 07:36

A Raízen, joint venture entre os grupos Cosan e Shell, vai contratar um banco nos próximos dias banco para avaliar as refinarias que foram colocadas à venda pela Petrobras, apurou o jornal O Estado de São Paulo. Segunda maior distribuidora de combustíveis do País, atrás da BR Distribuidora, que pertence à estatal brasileira, a companhia não atua em refino no mercado nacional.

A distribuidora, que pertence ao empresário Rubens Ometto Silveira Mello, é apontada como uma das potenciais interessadas em adquirir parte desses ativos da Petrobras. A estatal anunciou, em abril, que vai se desfazer de oito unidades, reduzindo à metade sua capacidade de produção. O Citigroup foi contratado pela petroleira para vender pelo menos quatro unidades.

Na Argentina, a Raízen atua como distribuidora de combustíveis e na área de refino desde o ano passado, com a compra dos ativos internacionais da Shell, por US$ 950 milhões. Procurada, a Raízen não comenta o assunto. A Shell decidiu vender parte da área na qual atua como única controladora. A aquisição da Raízen no país vizinho marcou o processo de internacionalização da empresa, que até então só tinha negócios no Brasil.

Na sexta-feira, a Petrobras definiu as primeiras quatro unidades de refino que serão vendidas – Abreu e Lima, em Pernambuco; Landulpho Alves, na Bahia; Getúlio Vargas, no Paraná; e Alberto Pasqualini, no Rio Grande do Sul. Nesse pacote de ativos, também há gasodutos, oleodutos e terminais.

A venda de refinarias da Petrobras não será feita para um único comprador. Em entrevista recente ao Estadão/Broadcast, Roberto Castello Branco, presidente da Petrobras, disse que não vai criar monopólios regionais. A meta é vender 100% de cada unidade de refino. Além das distribuidoras de combustíveis, o negócio também interessar a tradings que já atuam no País.

Negócio atraente

“O refino no Brasil hoje é um bom negócio, não para a Petrobras, que tem maior retorno investindo na exploração e produção. Mas para outros refinadores, se os preços continuarem acompanhando o mercado, mesmo com uma pequena diferença, é um ótimo negócio”, disse Adriano Pires, sócio do Centro Brasileiro de Infraestrutura (CBIE).

No início da semana, a Petrobras anunciou aumento de 3,9% no preço do diesel em suas refinarias. Segundo Pires, o reajuste do preço dos derivados nas refinarias é fundamental para garantir a venda de refinarias da Petrobras. “O grande desafio (da venda) é a segurança regulatória (ausência da interferência do governo nos preços). Nosso passado nos condena”, disse.

Na terça-feira, os sindicatos de petroleiros entraram com uma ação popular contra a privatização das refinarias. A ação questiona desde a legalidade da venda à competência do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), que fez um acordo com a Petrobras para reduzir sua concentração na área de refino.

Mônica Scaramuzzo
Com colaboração de Denise Luna