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Preços do petróleo despencam; IEA vê primeira retração da demanda desde 2009


EPBR - 09 mar 2020 - 10:44

Os preços do petróleo estão sendo negociados em queda de mais de 20% nesta segunda (9), após o colapso do acordo entre países membros da Opep e a Rússia. Na abertura dos mercados, os futuros do Brent chegaram a US$ 31,02 (-31,47%) e o WTI americano a US$ 27,83 (-32,95%). Pela manhã, preços giram em torno de US$ 35 e US$ 32, respectivamente.

Isso acontece porque a Arábia Saudita anunciou que iria aumentar a produção e aplicar descontos na venda do óleo, visto como início de uma guerra de preços. O movimento saudita ocorre após a Rússia se recusar a participar de um novo acordo para controle de produção, na tentativa de conter a queda de preços provocada pelo coronavírus.

Adicionando mais tensão ao mercado, o Ministério da Economia da Rússia anunciou que o fundo soberano do país tem recursos suficientes para suportar a queda dos preços para US$ 25 a US$ 35 por barril, durante seis a dez anos.

O Financial Times apurou que pesou na decisão da Rússia, de não participar de um novo acordo, a oportunidade de reduzir a força da produção doméstica dos EUA, interrompendo o controle de preços, que beneficiava os produtores de óleo não convencional (shale e tight oil) americanos.

Consumo

A Agência Internacional de Energia (IEA), estima que, pela primeira vez desde 2009, a demanda por petróleo vai cair em 2020, recuando em 90 mil barris/dia – um corte de 1,1 milhão de barris/dia frente à previsão anterior.

Em meio a redução na demanda global, devido a à contaminação pelo novo vírus, o mercado para membros do cartel encolheu em fevereiro. A IEA estima que a demanda total ficou estável, em 100 mil barris/dia, com avanço do suprimento por países que não fazem parte da OPEP (+2,4 milhões de barris/dia).

A previsão incorpora cenários de grande incerteza quanto à capacidade de contenção do coronavírus nas principais economias do mundo.

Nestes cenários, a IEA aponta para o risco de colapso na demanda por óleo, com queda de 730 mil barris/dia (mais pessimista) e a possibilidade de a China retomar a atividade e o vírus não seguir avançados nos EUA e Europa, o que elevaria a demanda em 480 mil barris/dia (mais otimista).

Brasil e China

No Brasil, persistindo o patamar de US$ 30 por barril, a expectativa é de redução nos preços dos combustíveis cobrados pela Petrobras, que vem executado uma política de repasses dos cortes internacionais para o mercado doméstico.

A queda na demanda pode afetar as exportações e o faturamento da Petrobras e empresas que produzem no Brasil. Mesmo com a alta do dólar, o petróleo vale menos hoje do que valia no fim de 2019 (Brent a U$ 63 e dólar a US$ 4,12)

Até o fim de fevereiro, não havia sido registrado um impacto significativo nas exportações. O mercado da China reduziu compras em um ritmo inferior ao esperado – importações totais, não apenas de óleo, do país caíram 4% nos dois primeiros meses do ano, frente a previsões de recuo de 15% – e a Petrobras vinha diversificando os destinos do óleo brasileiro.

Mas há um efeito na outra ponta: a exportações chinesas caíram 17,2% até fevereiro, na comparação anual. As restrições à saída de produtos impactam clientes, que terão as suas próprias economias afetadas pelas medidas de contenção do vírus.

Gustavo Gaudarde

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