Etanol: Mercado: Gasolina

Em dez anos, derivados de petróleo devem perder espaço no consumo final de energia


EPBR - 18 fev 2020 - 09:17

Ainda que recebam investimentos volumosos, estimados em mais de R$ 1,7 trilhão, os derivados de petróleo terão redução no consumo final de energia do país, caindo dos 38,4% atuais para 36,2% em 2029. O gás natural, por sua vez, deve aumentar sua participação, de 7,7% para 8% no período.

Os números fazem parte do Plano Decenal de Energia (PDE) 2029, lançado pela Empresa de Pesquisas Energéticas (EPE) na semana passada. Eles refletem a crença em uma maior eletrificação da economia brasileira, com crescente oferta de biocombustíveis – destaque para a cana-de-açúcar – e de gás natural, em especial, a produção do pré-sal. De acordo com o PDE 2029, o diesel e a gasolina representarão quase dois terços do consumo de derivados de petróleo.

pde2029 180220 investimentos

Para esses dez anos, a EPE estima que a demanda total por energia do Brasil crescerá 28%, a uma taxa de 2,5% ao ano. O ritmo é mais lento que a economia brasileira, com crescimento do PIB projetado em 2,9% ao ano. A redução da intensidade energética, porém, refletiria ganhos de eficiência e mudanças no perfil de consumo.

Em número absolutos, a EPE estima que o consumo final de energia será de 336 milhões de toneladas equivalentes de petróleo (Mtep) em 2029, frente a 263 Mtep no ano passado.

O consumo de derivados de petróleo será deslocado principalmente pelo aumento da eletrificação, com a demanda por energia elétrica crescendo de 17,9% para 20,3%. Do lado dos poluentes, a queima de carvão mineral também perde espaço, caindo de 5% para 4,8%.

Quanto a matriz energética nacional, a tendência é aumento da participação de fontes renováveis, que somarão 48% do total, frente aos 47% atuais, com uma taxa de crescimento médio anual de 2,9%. Dentre os biocombustíveis, a projeção da EPE para o etanol está em linha com estudos anteriores, com 47 bilhões de litros em 2029.

pde2029 180220 oferta

“O Brasil consegue tranquilamente cumprir o Acordo de Paris, porque temos essencialmente uma matriz renovável”, afirmou o secretário de Planejamento e Desenvolvimento Energético do Ministério de Minas e Energia (MME), Reive Barros. “Basicamente, transporte e indústria representarão 60% do consumo de energia [do país] e esse é o foco do pré-sal”, afirmou.

pde2029 180220 biocombustiveis

Guilherme Serodio

Acompanhe as notícias do setor

Assine nosso boletim

account_box
mail