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Raízen e GranBio defendem estímulo do governo para o etanol de segunda geração

granbio-usina pronta2Raízen e GranBio defendem diferenciação tributária para o etanol de segunda geração

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Enquanto as empresas pioneiras do etanol de segunda geração (2G) enfrentam desafios técnicos para colocar em pleno funcionamento suas usinas, a discussão em torno de incentivos econômicos passa a ocupar maior espaço entre as reivindicações de executivos desta nova indústria sucroalcooleira.

Enquanto as empresas pioneiras do etanol de segunda geração (2G) enfrentam desafios técnicos para colocar em pleno funcionamento suas plantas, a discussão em torno de incentivos econômicos passa a ocupar maior espaço entre as reivindicações de executivos desse novo segmento da indústria sucroalcooleira.

O vice-presidente da Raízen, Pedro Mizutani, defende, por exemplo, que o ICMS seja completamente retirado da carga de tributos aplicada ao etanol 2G como forma de estimular o desenvolvimento da tecnologia.

Segundo ele, a empresa, joint venture de Cosan e da Shell, tem planos para o etanol que “dependem da viabilidade econômica da tecnologia ser comprovada”.

“Tem de fazer o 2G sair ao mesmo custo do etanol de primeira geração. Nossos planos nessa área estão num horizonte de longo prazo”, disse em um evento do setor. 

A estimativa dele é que até em quatro anos ocorra essa equivalência de custos de produção e, a partir daí, a empresa poderá voltar-se com mais ênfase a esses investimentos.

A Raízen é um pouco mais otimista que a conclusão do estudo realizado pelo BNDES, que projetou viabilidade somente em 2021. 

Atualmente, a Raízen conta com uma unidade produtora de etanol 2G, a Usina Costa Pinto, em Piracicaba (SP). Esta usina pode fabricar até 40 milhões de litros do produto por ano.

O vice-presidente da GranBio, Alan Hiltner, reforça o coro de que a busca por incentivos tem sido o ponto prioritário nas rodas de negociação com o governo.

“A GranBio está focada nessa agenda, junto com parceiros, como a Associação Brasileira de Biotecnologia Industrial”, disse.

O etanol celulósico da GranBio é vendido a R$ 1,60 o litro aos distribuidores no estado de Alagoas, onde é produzido, sem diferenciação alguma com relação ao etanol comum.

Mas Hiltner sustenta que deveria haver diferenciais de preço, citando o aspecto positivo do biocombustível ao meio ambiente.

Segundo uma estimativa da empresa, o impacto ambiental do etanol celulósico fabricado na Usina Bioflex de São Miguel dos Campos (AL) é sete vezes menor que o do etanol da primeira geração e até 13 vezes menos poluente que a gasolina.

O cálculo da GranBio foi baseado na constatação do governo da Califórnia, que reconheceu o etanol da empresa como o mais limpo do mundo

Apoio federal

No governo federal existe uma ala que apoia a visão defendida pelos líderes da indústria brasileira do etanol 2G. Há cerca de três meses, o Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC) apresentou uma série de medidas que poderiam impulsionar o biocombustível, assegurando a competitividade no curto prazo.

Entre as ações governamentais sugeridas pela área de Comércio Exterior do MDIC estavam a isenção de tributos – entendida como uma medida auxiliar – sobre a aquisição de tecnologia importada que seja específica de segunda geração, a desoneração de Pis/Cofins sobre a matéria-prima (biomassa), bem como a adoção de um teto presumido do Pis/Cofins sobre o etanol 2G por um período maior que o concedido à primeira geração.

A adoção de um mandato obrigatório de mistura do celulósico e o estabelecimento de um subsídio para a comercialização do produto 2G também foram consideradas pelo MDIC. 

Mercado externos

“Se tivesse a possibilidade de enviar nosso produto [etanol celulósico 2G] para qualquer local hoje, optaríamos pelo mercado europeu, mas estamos abertos aos três [além do europeu, o norte-americano e o interno]”, afirmou o executivo da GranBio.

Para ele, o que precisa ocorrer para que o Brasil seja a opção preferencial é um diferencial de preço para o etanol celulósico.

“Os europeus fixaram um percentual de mistura de biocombustível em torno de 6%. Nesse sentido, o Brasil está na frente. Mas a política que mais impacta é a chamada tax credit – é algo nesse sentido que necessitamos”, compara.

Por meio do tax credit, combustíveis renováveis possuem a vantagem de poder recuperar cerca de metade dos impostos que seriam recolhidos para o caixa do governo. Para os derivados de petróleo não existe essa opção.

Outro paradigma é o dos Estados Unidos, onde o mecanismo Reneweble Identification Number (Rin) D3 prevê pagamento de prêmio de US$ 0,64 por galão neste ano. Em 2016, o prêmio será reajustado para US$ 0,72 por galão.

“A isso se acrescenta uma política estadual praticada nos estados da costa oeste [Califórnia, Washington e Oregon] que premia baseada no quanto foi poupado com a emissão de carbono “, disse Hiltner.

A Califórnia foi o primeiro mercado alvo admitido pela empresa, que, segundo Hiltner, apenas não começou a escoar o etanol celulósico devido à baixa produção da planta de Alagoas, que está usando em torno de 40% da sua capacidade produtiva.

“Esperamos atingir plena capacidade até o final de 2016. A partir daí, vamos considerar embarques ao exterior, já que cada lote equivale a cerca de um mês e meio da nossa produção”, afirmou.

Mau funcionamento

Como são indústrias recentes, as usinas de etanol 2G têm passado por problemas técnicos à medida que a produção cresce e são necessários reparos para os quais ainda não existem equipamentos desenvolvidos.

Um dos problemas causados é a parada da operação, que acaba demorando a ser retomada, levando em conta que as peças de reposição têm levado em média entre três e seis meses para ficar prontas.

“A gente está ´estressando´ a planta até conseguir tirar o máximo dela. E, quando aumentamos a quantidade de biomassa, alguns equipamentos têm apresentado falhas ou mau funcionamento”, explicou.

O vice-presidente da GranBio, porém, defendeu que a confiabilidade mecânica é uma preocupação menor, uma vez que foram solucionadas três das quatros etapas industriais necessárias à produção do biocombustível, quais sejam, solução de biomassa competitiva, hidrólise enzimática e desenvolvimento de organismos geneticamente modificados para converter xilose em etanol.

Segundo ele, atualmente o aspecto mais desafiador na parte industrial é a fase de pré-tratamento da matéria-prima, por meio da qual são separadas substâncias como celulose, hemicelulose e a lignina.

Felipe Vanini Bruning – NovaCana

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