Etanol: Exportação

Mercado global de etanol pode crescer 55 bilhões de litros até 2025

De acordo com a gerente executiva de etanol trading da Copersucar, Lara Bacellar, cumprimento de mandatos já estabelecidos é essencial para estimular exportações


novaCana.com - 28 out 2020 - 15:05

Considerando demandas de sustentabilidade, iniciativas para frear o aquecimento global e tentativas de diminuir a dependência de petróleo, diversos países já elaboraram mandatos de consumo de biocombustíveis. Segundo a gerente executiva de etanol trading da Copersucar, Lara Bacellar, isto pode criar um mercado global adicional de 55 bilhões de litros.

A projeção foi divulgada na manhã de hoje, 28, durante a 20ª Conferência Internacional Datagro. Atualmente, considerando a atuação no mercado brasileiro e sua subsidiária nos EUA, a Copersucar é a maior comercializadora de etanol do mundo.

“Hoje, a China tem misturado cerca de 2,5% de etanol na gasolina, mas a meta era ir para 10% em 2020”, exemplifica Bacellar. De acordo com ela, este mandato não será cumprido, em parte por conta da pandemia de covid-19 e das suas consequências para a economia do país. “Se o cumprimento acontecer nos próximos cinco anos, teremos o consumo de mais 11 bilhões de litros”, completa.

Ela ainda cita iniciativas no Canadá e no México, que podem adicionar mais 3 bilhões e 4 bilhões de litros à demanda global, respectivamente. “No Brasil, o RenovaBio deve trazer mais de 12 bilhões de litros adicionais à demanda até 2025”, acrescenta.

Em relação aos Estados Unidos, Bacellar explica que o governo do país está atuando para a superação da chamada “parede de mistura” de 10%, rumando à adição de 15% de etanol à gasolina, o que representaria um acréscimo de 25 bilhões de litros ao cenário. “Este é o maior potencial a curto prazo”, assegura.

A gerente ainda afirma que estas metas visam expandir a matriz de combustível renovável no mundo. Neste sentido, segundo ela, o etanol é uma boa opção, pois já se mostrou um produto eficiente e de produção facilmente ampliável.

“Para que a gente realmente enxergue um novo grande passo no fluxo internacional de etanol, precisamos contar com a manutenção, a expansão e a implementação destes mandatos pelo mundo”, conclui.

Mercado atual e perspectivas do passado

Bacellar cita dados da Green Pool que apontam que as exportações globais de etanol movimentaram em torno de 16 bilhões de litros em 2019. Desconsiderando as vendas realizadas entre nações europeias, o volume cai para 11 bilhões – deste total, 80% do mercado foi atendido pelos principais países produtores do renovável do mundo: Estados Unidos e Brasil.

Segundo ela, o volume exportado representa pouco mais de 10% da produção mundial de etanol, que é de cerca de 130 bilhões de litros anuais quando inclui o setor industrial.

Entretanto, ela relembra projeções de exportação de etanol elaboradas há dez anos, quando havia a perspectiva de que o Brasil poderia enviar entre 7,8 bilhões e 10,1 bilhões de litros do biocombustível para fora do país em 2015. “Naturalmente, nós estamos muito distantes deste nível de exportação”, coloca.

Em 2015, aliás, a exportação efetiva foi de 1,86 bilhão de litros, conforme dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex) compilados pelo novaCana.

Há dez anos, o otimismo era justificado pelos mandatos de consumo do renovável que estavam entrando em vigor nos EUA e na Europa. “Eles traziam um novo patamar de consumo, em um prazo de cinco a dez anos, para o etanol. E este incremento traz consigo a possibilidade de um aumento relevante nos fluxos internacionais”, coloca.

Apesar das expectativas otimistas não terem sido alcançadas e os mandatos terem passado por adaptações ao longo do período, a gerente acredita que há motivos para comemorar. “Ao longo de dez anos, houve um crescimento importante na produção e no consumo de etanol pelo mundo”, relata, enfatizando que as exportações subiram de 9 bilhões para 16 bilhões de litros no período.

Renata Bossle – novaCana.com


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