Etanol: Exportação

Mercado de etanol californiano é alternativa para usinas brasileiras em momento de crise

Preços, logística e câmbio são alguns dos fatores que chamam a atenção das usinas brasileiras interessadas em programa do estado norte-americano


novaCana.com - 18 jun 2020 - 08:50

Com a redução na demanda doméstica por biocombustíveis, o que tem impacto direto nos preços, muitas usinas procuram alternativas para garantir sua rentabilidade. Priorizar a fabricação de açúcar em detrimento do etanol – decisão, em alguns casos, tomada antes mesmo da crise instituída pela pandemia de covid-19 –, é uma destas oportunidades. Outra delas é a exportação do biocombustível.

Para aproveitar o mercado externo de etanol, uma das melhores opções disponíveis para as usinas é a Califórnia. O governo do estado oferece um prêmio por créditos de descarbonização de forma semelhante à proposta pelo RenovaBio: o Padrão de Combustíveis de Baixa Emissão de Carbono (LCFS), programa desenvolvido pelo Conselho de Qualidade do Ar da Califórnia (Carb) e vigente há nove anos. E as unidades que têm interesse em participar precisam passar por um processo de certificação.

No caso das sucroenergéticas brasileiras, a questão vai além do ingresso no programa. Para saber se a exportação é vantajosa entram na conta fatores como o câmbio, o preço no mercado interno, a arbitragem com o açúcar e a capacidade logística, além do prêmio oferecido pelo programa.

O grande argumento em relação à exportação, obviamente, é financeiro. Quando o produtor brasileiro decide exportar para a Califórnia, tendo sua rota cadastrada no programa, ele tem acesso a um prêmio referente aos créditos de carbono. Atualmente, o valor de um crédito está próximo a US$ 170, conforme o sócio fundador da Green Domus, Felipe Bottini.

Com o dólar acima de R$ 5, este valor chega a quase mil reais por crédito. “Fazendo uma conta simples, na qual mil litros de etanol geram um crédito, eu estou transformando mil litros em mil reais, ou seja, um real por litro. É um valor muito significativo. Para o RenovaBio, estimamos entre 15 e 20 centavos por litro, então a Califórnia traz um ganho maior,” detalha Bottini.

O CEO da SCA Trading, Martinho Ono, também destaca o câmbio, que ele considera como “extremamente desvalorizado” e favorável à exportação. Ele ainda ressalta que os preços do etanol no mercado interno estão muito baixos. “Ano passado, com o etanol valorizado internamente e com o câmbio não tão atrativo, já exportamos um bom volume”, lembra.

Porém ainda fica a dúvida se o mercado americano de fato precisará de tanto etanol. “Este ano, você tem uma outra conta. O etanol produzido no Brasil e exportado para os EUA remunera mais do que o mercado interno brasileiro? Sim. Mas é mais do que o açúcar? A conta já começa a complicar. É melhor você colocar o ATR para o etanol no Carb ou para o açúcar?”, questiona.

Confira, na versão completa (exclusiva para assinantes), a opinião de analistas sobre as vantagens e desvantagens da exportação para a Califórnia e outras estratégias que podem ser vantajosas para as usinas neste momento.


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