Etanol: Mercado

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Em meio a emissões e preços em alta, RenovaBio atinge 36,05 milhões CBios em 2022

Volume disponibilizado ao mercado – considerando estoques de passagem e emissões deste ano – já ultrapassa a meta anual das distribuidoras


NovaCana - Publicado: 01 Nov 2022 - 15:06

Na segunda quinzena de outubro, as usinas certificadas no programa RenovaBio emitiram 1,86 milhão de créditos de descarbonização (CBio). O volume representa um aumento de 130% ante a primeira metade do mês, quando foram emitidos 809,5 mil títulos. Na comparação com o mesmo período de 2021, por sua vez, o crescimento foi de 10%.

Com isso, a quantidade de CBios escriturada em 2022 chegou a 25,6 milhões. Apesar da alta na quinzena, o total ainda representa uma queda de 0,6% em relação ao total emitido no mesmo período de 2021.

Os números fazem parte do acompanhamento do mercado de CBios realizado pela Bolsa de Valores Brasileira (B3), única entidade registradora do RenovaBio.

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Considerando também os estoques de anos anteriores, o total disponibilizado ao mercado sobe para 36,05 milhões. Este montante seria o suficiente para cobrir a meta de 2022 do programa, de 35,98 milhões de CBios, e ainda garantiria um estoque de 69 mil créditos para o ano seguinte.

De acordo com a Agência Nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), até agora, as usinas certificadas cadastraram notas fiscais suficientes para geração de 25,76 milhões de CBios. A expectativa é que os 155,42 mil créditos excedentes cheguem ao mercado nos próximos dias.

Desde a implementação do RenovaBio até o momento, 75,08 milhões de CBios já foram escriturados.

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Segundo a ANP, 317 unidades participam do RenovaBio atualmente. Destas, três fabricam biometano e outras 32, biodiesel. Dentre as 282 usinas de etanol certificadas, 271 utilizam apenas a cana-de-açúcar como matéria-prima; seis processam cana e milho; quatro, apenas milho; e uma produz biocombustível de primeira e de segunda geração de forma integrada.

Preço com tendência de alta

O valor dos CBios apresentou poucas oscilações ao final de outubro. No período, os créditos custaram entre R$ 87,25 e R$ 100,50, com o menor valor sendo negociado no dia 19, enquanto o maior foi visto no final do mês, nos dias 28 e 31.

Desde a implantação das negociações, em junho de 2020, os CBios foram vendidos entre R$ 15 e R$ 1 mil. Neste ano, por sua vez, os preços variaram entre R$ 31,99 e R$ 1 mil.

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Segundo cálculos realizados pelo NovaCana com base nos dados da B3, na segunda quinzena do mês, os papéis foram negociados a R$ 91,82, em média. O valor está 3,2% acima do preço da quinzena anterior, caracterizando a terceira alta quinzenal consecutiva para os CBios.

Este preço também está 29,1% acima da média histórica do programa, de R$ 71,12. Além disso, ele é 133,6% superior ao preço médio de 2021, de R$ 39,31. Entretanto, ele está 19,4% abaixo da média vista em 2022, de R$ 113,87.

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De acordo com a B3, 3,95 milhões de CBios foram negociados na quinzena, mais que o dobro visto no começo de outubro. Na comparação com o mesmo período do ano passado, o crescimento foi de 80%.

“Os números refletem todas as operações de compra e venda envolvidas em um ciclo de negociação. Assim, no caso de intermediações realizadas por corretoras ou outras instituições, primeiro é realizada uma operação de compra das quantidades e, depois, uma operação de venda para o investidor final”, explica a B3.

Posse e aposentadoria

Em 1º de novembro, 28,36 milhões de créditos estavam em circulação. Deste total, 78,5%, ou 22,26 milhões de CBios, estavam em posse das distribuidoras com metas a cumprir.

Já as usinas detinham 5,68 milhões de títulos, 20% do montante. Os 422,82 mil créditos restantes (1,5%) estavam com investidores sem metas.

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No total, 7,69 milhões de créditos foram aposentados ao longo de 2022, com 670 mil deixando de circular nas duas últimas semanas de outubro.

Conforme decreto do Ministério de Minas e Energia, as distribuidoras têm até 30 de setembro de 2023 para aposentar os volumes relativos aos seus objetivos individuais referentes a 2022. Já as obrigações de 2023 deverão ser entregues até 31 de março de 2024.

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Como a B3 não informa quem solicitou a aposentadoria dos créditos, é possível que uma parte das aposentadorias seja referente a investidores que não têm compromissos com o programa. Ainda que esteja previsto que a retirada de títulos feitas pelas chamadas “partes não obrigadas” possa ser deduzida dos objetivos finais do RenovaBio, as aposentadorias de 2022 devem ser contabilizadas em 2023.

Giully Regina – NovaCana


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