O ano de 2020 tem sido marcado por alguns extremos no mercado de combustíveis, com estoques elevados e consumo reduzido. Ainda que os impactos da pandemia de coronavírus tenham se arrefecido nos últimos meses, o reflexo na demanda por combustíveis do Ciclo Otto segue apresentando retração.
De janeiro a setembro, o consumo acumulado deste ano foi o menor desde 2012. No total, foram demandados 35,22 bilhões de litros de combustível, enquanto um ano antes este volume foi de 39,64 bilhões de litros.
Este resultado também representa a maior retração em relação ao mesmo período do ano anterior de toda a série histórica, iniciada em 2000: 11,14%. Vale destacar que 2019 foi um ano aquecido na demanda de Ciclo Otto, fator que pode ter contribuído para ampliar a distância.
Além disso, na análise mensal, setembro também terminou com queda no consumo, ficando 1,9% abaixo do resultado visto em 2019. De acordo com os dados divulgados mensalmente pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), foram consumidos 4,33 bilhões de litros; um ano antes, a demanda foi de 4,41 bilhões de litros.
Dentro deste total, o consumo mensal de etanol hidratado foi de 1,7 bilhão de litros, representando uma redução de 9,18% no comparativo com os 1,87 bilhão de litros de setembro de 2019. Por outro lado, houve um aumento de 8,34% em relação a agosto. Além disso, este é o volume mais elevado desde fevereiro, quando foram consumidos 1,77 bilhões de litros.
Para completar, ainda que a preferência pelo etanol tenha sido menor do que a registrada em setembro de 2019 – de 27,78% ante os 30,02% de um ano antes – a fatia de mercado do biocombustível vem aumentando desde julho.
Na análise acumulada, a demanda por etanol atingiu 13,75 bilhões de litros, retração de 16,03% ante os 16,37 bilhões de litros recordes de um ano antes. Mesmo com a queda, o volume atual é o segundo maior resultado da série histórica para o período de janeiro a setembro.
Enquanto isso, a gasolina teve retração de 9,13% no mesmo comparativo, tendo seu consumo caído de 28,06 bilhões de litros para 25,5 bilhões. Já o consumo mensal subiu de 2,93 bilhões de litros para 3,12 bilhões.
No estado de São Paulo, o consumo mensal do hidratado foi de 885,8 milhões de litros, redução de 9,42% no comparativo com os 977,9 milhões de litros de um ano antes – em linha com a retração do consumo mensal nacional do biocombustível, de 9,18%. Entretanto, o consumo no Ciclo Otto caiu menos no estado, apenas 5,83%, o que significa que houve um maior impacto no renovável do que no fóssil.
Além disso, no estado que mais produz e consome etanol, o hidratado representou 49,75% do consumo total em setembro, ante os 51,74% de um ano antes.






Gabrielle Rumor Koster – novaCana.com
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