Etanol: Mercado

Combustíveis podem ficar até 10% mais caros em 2021

Se a diminuição dos deslocamentos, por conta da covid-19, provocou uma redução da demanda e preço dos combustíveis fósseis neste ano, é esperado que a retomada econômica mundial gere maior competição e os preços voltem a subir


Agência Estado - 05 jan 2021 - 08:46

Os votos de fim de ano precisam dividir espaço com a preparação do orçamento para 2021. Na hora de organizar as contas, o consumidor já pode considerar um reforço no caixa para os custos com combustíveis, que têm tudo para serem reajustados, segundo economistas ouvidos pelo E-Investidor. Há estimativas de alta de até 10% no preço na bomba.

“Vai ter aumento com certeza, por conta de uma dinâmica econômica diferente”, afirma o coordenador do curso de economia da FGV EESP, Joelson Sampaio. “O alerta é que vai ter um peso maior para o bolso do consumidor”.

Como a pandemia de coronavírus reduziu o deslocamento dos brasileiros, houve uma redução da demanda e, consequentemente, dos preços dos combustíveis fósseis. Como já é esperada uma retomada econômica mundial, haverá competição entre os países e os preços voltarão a subir. “Não se deve esperar que em 2021 os combustíveis tenham uma dinâmica como foi a de 2020”, diz Sampaio.

Ainda que não espere uma grande alta nos preços, o professor e coordenador de projetos da Fundação Instituto de Administração (FIA), Celso Hildebrand, estima que gasolina, diesel e etanol devem sofrer reajustes de 5% a 10%. “Não devem acontecer variações maiores que estas porque a demanda ficaria comprometida”, avalia Hildebrand.

No caso dos derivados de petróleo, como gasolina e diesel, o professor da FIA entende que não deve haver pressões do ponto de vista internacional sobre o preço da commodity, que “não tem espaço para reajustes significativos”.

Já para o etanol, Hildebrand observa uma pressão dos preços alcançados pelo milho no mercado nacional e internacional, que podem gerar alguma correção. “Mas vai ser um preço que mantenha o diferencial do etanol em relação à gasolina, para não perder mercado”, observa.

Apesar de não fazer uma projeção específica, o professor de finanças do Insper, Ricardo Rocha, diz que um aumento de até 10% nos derivativos de petróleo não geraria surpresa. “Se o IPCA fechar em 3,5% de inflação, é possível esperar um reajuste de gasolina de pelo menos 3,5%”, diz Rocha.

Para o professor do Insper, o sucesso na vacinação contra a covid-19 vai acelerar a corrida global pelo “tempo perdido” na crise. Isso levará a um aumento de demanda por commodities, que em algum momento atingirá o consumidor final.

“O fator mais relevante é o preço do barril do petróleo, isso é o que vai pesar mais. À medida que o preço sobe, aqui no Brasil a Petrobras vai ter que ajustar [o preço] na bomba”, explica Rocha.

Isaac de Oliveira


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