Queda projetada na demanda de combustíveis do Ciclo Otto em março e abril pode chegar a 6,42 bilhões de litros; impacto já afeta preço de etanol nas usinas
Por Nicolle Monteiro de Castro*
As duas maiores distribuidoras de combustível do Brasil declararam, na segunda-feira (30), que pretendem diminuir suas compras mensais de etanol em um cenário de demanda prejudicada de combustível.
A Raízen, joint venture da Shell e da Cosan, declarou força maior e disse a seus fornecedores de etanol que não poderia vender os volumes programados por causa da forte queda na demanda causada pela pandemia de coronavírus.
Já a BR Distribuidora informou que os volumes inicialmente programados precisariam ser revistos. Ainda assim, a companhia enfatizou que espera levar todos os volumes contratados assim que a demanda retornar ao normal.
Juntas, as duas empresas responderam por quase 40% da demanda brasileira de gasolina C e etanol hidratado de janeiro. A informação é do Sindicato Nacional das Empresas Distribuidoras de Combustíveis e de Lubrificantes (Sindicom), que representa as maiores empresas brasileiras de distribuição de combustível.
Forte queda no consumo
O anúncio das distribuidoras foi desencadeado pelo colapso da demanda brasileira de combustível em março e pela perspectiva de continuidade deste cenário em abril, por conta das medidas de isolamento social impostas para combater o surto de coronavírus.
Em São Paulo, maior consumidor de combustível, a quarentena foi imposta pelo governador, João Doria, de 24 de março a 7 de abril e envolve todas as 644 cidades do estado.
De acordo com o Sindicom, na semana de 23 a 29 de março, a demanda brasileira por combustíveis do Ciclo Otto caiu 60% na comparação com a semana anterior. Já a Alesat, quarta maior empresa de distribuição do Brasil, disse nesta segunda-feira que a demanda diária caiu 4% em relação ao mesmo dia da semana anterior.
Com isso, há um consenso entre os participantes do mercado de que a queda na demanda do Ciclo Otto poderia chegar a 65% em abril, caso as medidas de isolamento social sejam estendidas até o final do mês.
Por Nicolle Monteiro de Castro*
As duas maiores distribuidoras de combustível do Brasil declararam, na segunda-feira (30), que pretendem diminuir suas compras mensais de etanol em um cenário de demanda prejudicada de combustível.
A Raízen, joint venture da Shell e da Cosan, declarou força maior e disse a seus fornecedores de etanol que não poderia vender os volumes programados por causa da forte queda na demanda causada pela pandemia de coronavírus.
Já a BR Distribuidora informou que os volumes inicialmente programados precisariam ser revistos. Ainda assim, a companhia enfatizou que espera levar todos os volumes contratados assim que a demanda retornar ao normal.
Juntas, as duas empresas responderam por quase 40% da demanda brasileira de gasolina C e etanol hidratado de janeiro. A informação é do Sindicato Nacional das Empresas Distribuidoras de Combustíveis e de Lubrificantes (Sindicom), que representa as maiores empresas brasileiras de distribuição de combustível.
Forte queda no consumo
O anúncio das distribuidoras foi desencadeado pelo colapso da demanda brasileira de combustível em março e pela perspectiva de continuidade deste cenário em abril, por conta das medidas de isolamento social impostas para combater o surto de coronavírus.
Em São Paulo, maior consumidor de combustível, a quarentena foi imposta pelo governador, João Doria, de 24 de março a 7 de abril e envolve todas as 644 cidades do estado.
De acordo com o Sindicom, na semana de 23 a 29 de março, a demanda brasileira por combustíveis do Ciclo Otto caiu 60% na comparação com a semana anterior. Já a Alesat, quarta maior empresa de distribuição do Brasil, disse nesta segunda-feira que a demanda diária caiu 4% em relação ao mesmo dia da semana anterior.
Com isso, há um consenso entre os participantes do mercado de que a queda na demanda do Ciclo Otto poderia chegar a 65% em abril, caso as medidas de isolamento social sejam estendidas até o final do mês.
“Mesmo considerando um cenário de não isolamento em maio, a recessão econômica e as preocupações da população sobre ficar fora de casa podem continuar impactando a demanda de combustível”, disse um pesquisador que atua em uma das companhias que fazem parte do Sindicom.
Considerando a demanda brasileira de 9,88 bilhões de litros de combustíveis do Ciclo Otto em março e abril de 2019, uma queda de 65% no consumo de gasolina C e etanol hidratado significaria uma redução de 6,42 bilhões de litros. Assim, se essas estimativas estiverem corretas, o consumo de 2020 poderá ser reduzido em mais de 10% na comparação com 2019.
Impacto nos preços de etanol
Hoje (1º), o Centro-Sul do Brasil inicia oficialmente a safra de cana-de-açúcar 2020/21 e os sinais do mercado não poderiam ser piores para o etanol. A turbulência nos preços do petróleo poderia, por si só, ser um forte limitante para os preços do hidratado – no entanto, o coronavírus adicionou uma crise de consumo global nunca vista na história moderna.
Domesticamente, o mercado de etanol foi afetado pela queda nos preços da gasolina nas refinarias. O preço do hidratado no Centro-Sul caiu para o valor mais baixo em dois anos na última sexta-feira e, desde então, manteve-se estável.
A S&P Global Platts avaliou o etanol hidratado de Ribeirão Preto em R$ 1.700/m³ em 27 de março, o nível mais baixo desde 20 de julho de 2017, quando foi avaliado em R$ 1.660/m³.
Além disso, deduzindo os impostos sobre ICMS, PIS e Cofins, o preço cairia para R$ 1.365/m³. Este valor está R$ 54,90/m³ abaixo do custo de produção estimado pelas fontes ouvidas pela Platts.
Ontem, o etanol hidratado convertido em equivalente de açúcar bruto foi avaliado pela Platts em 8,51 centavos de dólar por libra-peso. O contrato futuro de açúcar da ICE NY11, por sua vez, fechou em 10,42 centavos de dólar por libra-peso. Ou seja, as exportações de açúcar bruto estavam pagando 1,921 centavos de dólar por libra-peso, ou US$ 42,11/t a mais que o etanol hidratado no mercado doméstico.
Com isso, os participantes do mercado consultados estimam uma forte mudança no padrão de produção brasileiro para a safra 2020/21 – testando a capacidade industrial de direcionamento da matéria-prima para a produção de açúcar. No ano safra 2019/20, o mix de produção de açúcar deve fechar em 34%, mas algumas consultorias já estão prevendo que ele chegue a quase 49% em 2020/21.
* Nicolle Monteiro de Castro é especialista sênior de preços da S&P Global Platts
Com tradução NovaCana