Etanol: Mercado

Colapso do consumo desencadeia nova dinâmica no mercado brasileiro de etanol

Queda projetada na demanda de combustíveis do Ciclo Otto em março e abril pode chegar a 6,42 bilhões de litros; impacto já afeta preço de etanol nas usinas


S&P Global Platts - 01 abr 2020 - 08:35

Por Nicolle Monteiro de Castro*

As duas maiores distribuidoras de combustível do Brasil declararam, na segunda-feira (30), que pretendem diminuir suas compras mensais de etanol em um cenário de demanda prejudicada de combustível.

A Raízen, joint venture da Shell e da Cosan, declarou força maior e disse a seus fornecedores de etanol que não poderia vender os volumes programados por causa da forte queda na demanda causada pela pandemia de coronavírus.

Já a BR Distribuidora informou que os volumes inicialmente programados precisariam ser revistos. Ainda assim, a companhia enfatizou que espera levar todos os volumes contratados assim que a demanda retornar ao normal.

Juntas, as duas empresas responderam por quase 40% da demanda brasileira de gasolina C e etanol hidratado de janeiro. A informação é do Sindicato Nacional das Empresas Distribuidoras de Combustíveis e de Lubrificantes (Sindicom), que representa as maiores empresas brasileiras de distribuição de combustível.

Forte queda no consumo

O anúncio das distribuidoras foi desencadeado pelo colapso da demanda brasileira de combustível em março e pela perspectiva de continuidade deste cenário em abril, por conta das medidas de isolamento social impostas para combater o surto de coronavírus.

Em São Paulo, maior consumidor de combustível, a quarentena foi imposta pelo governador, João Doria, de 24 de março a 7 de abril e envolve todas as 644 cidades do estado.

De acordo com o Sindicom, na semana de 23 a 29 de março, a demanda brasileira por combustíveis do Ciclo Otto caiu 60% na comparação com a semana anterior. Já a Alesat, quarta maior empresa de distribuição do Brasil, disse nesta segunda-feira que a demanda diária caiu 4% em relação ao mesmo dia da semana anterior.

Com isso, há um consenso entre os participantes do mercado de que a queda na demanda do Ciclo Otto poderia chegar a 65% em abril, caso as medidas de isolamento social sejam estendidas até o final do mês.


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