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Etanol: Mercado

Com adiamento das metas, preço médio do CBio cai 46% na 2ª quinzena de julho

Valor dos créditos atingiu mínima de R$ 76 no período, uma queda de 63,7% ante o recorde visto em junho, de R$ 209,50


NovaCana - 02 ago 2022 - 12:05 - Última atualização em: 03 ago 2022 - 07:06

Depois de sete quinzenas consecutivas de alta no preço médio e a renovação de recordes, os créditos de carbono (CBios) do programa RenovaBio caíram na segunda metade de julho. No período, os papéis foram negociados entre R$ 76 e R$ 177 – o valor mais alto foi visto no início do período, enquanto o mais baixo aconteceu em 20 de julho, dois dias após o Ministério de Minas e Energia (MME) recomendar o adiamento das metas do programa.

Os números fazem parte do acompanhamento do mercado de CBios realizado pela Bolsa de Valores Brasileira (B3), única entidade registradora do RenovaBio.

Conforme cálculos do NovaCana realizados a partir dos dados da B3, o valor médio da quinzena ficou em R$ 105,01 por CBio. Em comparação com os R$ 194,37 da primeira metade do mês, a queda chegou a 46%, quebrando a sequência de aumentos.

Desta forma, o preço está 50,9% acima da média histórica do programa, de R$ 69,57. Ele também é 167,1% superior à média de 2021, de R$ 39,31, e está 12,5% abaixo do acumulado de 2022, de R$ 120,02.

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A derrubada no patamar de negociação dos créditos foi motivada pelo decreto presidencial publicado no último dia 22, que adiou a data para a comprovação do cumprimento das metas individuais de CBios pelas distribuidoras, de dezembro de 2022 para setembro de 2023. De acordo com o MME, em nota, a medida estaria em “consonância com o atual estado de emergência no Brasil”. O país está em estado de emergência desde a promulgação da PEC dos Benefícios, em decorrência do elevado preço do petróleo no mercado internacional.

Segundo o presidente da União da Indústria da Cana-de-açúcar (Unica), Evandro Gussi, a extensão do prazo poderia não ter fundamento jurídico. Apesar da aparente incerteza neste ponto, o executivo – que é o autor da Lei do RenovaBio –, foi acertivo ao atacar o posicionamento do MME em entrevista à Folha de São Paulo, afirmando que o ministério “está querendo transformar o estado de emergência em um cheque em branco”.

Anteriormente, a alta no valor dos créditos – que chegaram a R$ 209,50 em junho – já havia sido questionada pelo MME, que solicitou a abertura de uma investigação no Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade). Algumas distribuidoras são suspeitas de estarem comprando créditos acima da sua meta, em comum acordo com os produtos de biocombustíveis, para elevar os preços.

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Desde a implantação das negociações, em junho de 2020, os CBios foram vendidos entre R$ 15 e R$ 209,50. Neste ano, por sua vez, os preços variaram entre R$ 31,99 e R$ 209,50.

Negociações, posse e aposentadoria

Apesar dos preços menores, o volume de negociações também caiu. Ao final de julho, conforme a B3, foram negociados 1,21 milhão de créditos, um volume 61,6% abaixo do visto na quinzena anterior, de 3,17 de milhões. O montante também é 31,2% menor do que o registrado no mesmo período do ano passado, de 1,77 milhão.

“Os números refletem todas as operações de compra e venda envolvidas em um ciclo de negociação. Assim, no caso de intermediações realizadas por corretoras ou outras instituições, primeiro é realizada uma operação de compra das quantidades e, depois, uma operação de venda para o investidor final”, explica a B3.

Assim, em 1º de agosto, 23,52 milhões de créditos estavam em circulação. Além do número de CBios gerados em 2022, o setor também conta com os créditos excedentes do ano anterior.

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Do total, 88% estavam em posse das distribuidoras que contam com metas a cumprir, somando 20,71 milhões de créditos. Já as usinas certificadas no programa detinham 2,75 milhões de créditos, ou 11,72% do total. Os 52,35 mil créditos restantes (0,2%) estavam com investidores sem metas.

Para completar, cerca de 4,47 milhões de créditos foram aposentados no ano – com 322,35 mil deixando de circular apenas na segunda metade de julho. O volume representa 12,4% da meta oficial do RenovaBio para 2022, de 35,98 milhões.

Considerando tanto os papéis aposentados ao longo do ano, quanto os ainda em circulação, o número de títulos disponibilizados ao mercado sobe para 27,98 milhões. Neste caso, o montante é suficiente para o cumprimento de 77,8% da meta que, agora, só precisará ser entregue dentro de 13 meses, em setembro de 2023.

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Como a B3 não informa quem solicitou a aposentadoria dos créditos, é possível que uma parte deste total seja referente a investidores que não têm compromissos com o programa. Ainda que esteja previsto que a retirada de títulos feitas pelas chamadas “partes não obrigadas” possa ser deduzida dos objetivos finais do RenovaBio, as aposentadorias de 2022 devem ser contabilizadas em 2023.

Emissões de CBios

Uma das principais justificativas para o adiamento das metas está na preocupação quanto à oferta dos CBios em 2022, considerada apertada pelas distribuidoras. Na segunda quinzena de julho, as usinas de biocombustíveis certificadas no RenovaBio emitiram 1,49 milhão de créditos, um aumento de 58,6% ante os 937,73 mil CBios da primeira metade do mês. Entretanto, o total representa uma queda de 11,3% na comparação anual.

Com isso, a quantidade de créditos emitidos em 2022 subiu para 17,54 milhões, ficando 0,12% abaixo dos 17,56 milhões vistos no mesmo período de 2021. No mesmo período, a meta do RenovaBio subiu 44,7%, de 24,86 milhões em 2021 para 35,98 milhões em 2022.

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Desde o estabelecimento do RenovaBio até o momento, cerca de 67,02 milhões de créditos entraram no programa.

Até o momento da publicação desta reportagem, a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Bicombustíveis (ANP) não havia publicado o volume de lastros gerados pelas usinas certificadas em julho. A diferença entre os CBios escriturados e os lastros indica quantos créditos devem entrar no programa nos próximos dias.

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Segundo a ANP, atualmente, 312 unidades participam do RenovaBio. Destas, três fabricam biometano e outras 32, biodiesel. Dentre as 277 usinas de etanol certificadas, 267 utilizam apenas a cana-de-açúcar como matéria-prima; cinco processam cana e milho; quatro, apenas milho; e uma produz biocombustível de primeira e de segunda geração de forma integrada.

Giully Regina – NovaCana


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