Etanol: Meio ambiente

Unica estima que uso do etanol evitou a emissão de 515 mi toneladas de CO2 em 17 anos

Cálculo se baseia na metodologia oficial descrita na lei do RenovaBio


Unica - 05 jun 2020 - 08:22

Em comemoração ao Dia Mundial do Meio Ambiente, a União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica) divulgou um levantamento inédito usando como base a metodologia de aferição de emissões de gases de efeito estufa (GEE) dos combustíveis, estabelecida pela política nacional de biocombustíveis (RenovaBio).

Segundo cálculos da instituição, baseados em dados e informações publicadas pela Agência Nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), entre março de 2003 (data de lançamento da tecnologia flex) e maio de 2020, o consumo de etanol anidro e hidratado evitou a emissão em mais de 515 milhões de toneladas de CO2 equivalentes. Esse volume é equivalente às emissões anuais somadas de Argentina, Venezuela, Chile, Colômbia, Uruguai e Paraguai.

A área de análises estatísticas da Unica usou como base o cálculo fornecido pela RenovaCalc – calculadora que determina a eficiência energética do processo produtivo no âmbito do RenovaBio – com os parâmetros delimitados pela ANP para uma usina típica brasileira.

A partir deste ano, o Brasil passa a ter uma metodologia oficial de mensuração de emissão de GEE com análise do ciclo de vida. Para a entidade, a certificação dos produtores de biocombustíveis junto à agência para a participação no RenovaBio traz um novo patamar de transparência para a sociedade em relação à pegada de carbono do processo produtivo, garantindo a rastreabilidade e a efetividade da redução de emissões.

“A comemoração do Dia Mundial do Meio Ambiente em meio à pandemia da covid-19 se tornou um momento de analisar as ações humanas e seus reflexos nos ecossistemas. Muito se debate sobre revisão de condutas, mudança de hábitos e a sociedade que queremos quando tudo isso acabar”, afirma o presidente da Única, Evandro Gussi. “No Brasil, como em nenhuma parte do mundo, temos a construção sólida de uma indústria de combustíveis renováveis, podendo dar essa significativa contribuição de redução de gases de efeito estufa para o mundo”.

Segundo a Unica, quando avaliado o ciclo de vida completo dos combustíveis, o etanol proporciona uma redução de até 90% na emissão de GEE em relação à gasolina. Além disso, em comparação com a gasolina e o diesel, o biocombustível de cana-de-açúcar praticamente zera a dispersão de material particulado e reduz significativamente a emissão de vários poluentes, como os óxidos de enxofre.

“Ao planejar a retomada após a pandemia, líderes dos setores público e privado devem manter em mente os desafios postos, como a transição energética de fontes de energia fósseis para renováveis, a redução das emissões de GEE globais e a sustentabilidade das cadeias produtivas, em termos sociais e ambientais”, avalia Gussi.

Antes da covid-19, o ano de 2020 representaria um marco no combate às mudanças climáticas, pois, segundo projeções, registraria o pico de emissões de GEE globais para necessariamente iniciar uma queda a fim de tornar possível o atingimento das metas do Acordo de Paris. “O Brasil tem dado contribuições significativas. Apesar de ter uma matriz energética com 45% de fontes renováveis, tem políticas já estabelecidas para ampliar essa participação, como o RenovaBio”, explica Gussi.

De acordo com o Balanço Energético Nacional (BEN) de 2019, que se refere ao ano de 2018, a cana-de-açúcar responde por 17,4% de toda a oferta primária de energia no País, levando em conta etanol e bioeletricidade.

Poluição e covid-19

Além da problemática do aquecimento global, a poluição do ar é uma das grandes vilãs da saúde pública em megalópoles, relacionada com 4,2 milhões mortes ao ano no mundo, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), e fragilizando a imunidade da população. Estudo de Harvard concluiu que o aumento de apenas 1% na concentração de material particulado fino (MP 2.5) no ar resulta em um incremento de 8% das mortes pela covid-19.

Com as medidas de restrição de circulação, foi registrada uma drástica redução de poluentes e a melhoria da qualidade do ar de cidades notoriamente poluídas. Nova Déli, na Índia, por exemplo, viu o MP 2.5 cair 60%, ficando em 32,8 µg/m³, segundo o iQAir.

Na região metropolitana de São Paulo, a média de 17 µg/m³ de MP 2.5, registrada em 2019, caiu para 13 µg/m³ nos primeiros cinco meses de 2020, segundo dados da Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb). Os índices estão dentro do recomendado pela OMS, de 20 µg/m³ de MP 2.5.

Para a Unica, isso foi possível por conta de uma combinação de políticas governamentais que controlam a emissão de poluentes pelos veículos (Proconve) com o incentivo à combustíveis limpos – 60% do consumo de combustíveis do ciclo Otto na capital paulista é de etanol hidratado, que praticamente zera a emissão de material particulado (-98% em relação a gasolina e diesel).

“Apesar de ser uma megalópole, São Paulo desfruta de melhor qualidade do ar do que outras capitais graças ao uso de biocombustíveis, o que tem reflexos diretos na saúde da população. No futuro, podemos ampliar esses benefícios para outras capitais e países”, prevê Gussi.

Acordo de Paris

A Unica reforça que o etanol da cana-de-açúcar brasileiro é o biocombustível com menor pegada de carbono do mundo, sendo reconhecido como tal pelas agências internacionais graças ao modelo de produção sustentável adotado pelo setor sucroenergético.

Na União Europeia, o etanol de cana é reconhecido pela diretiva de promoção de energia renovável (I e II) como o biocombustível de primeira geração que mais reduz as emissões comparado com combustível fóssil (70% quando colocado no mercado Europeu).

Nos EUA ocorre fato similar, com o etanol brasileiro sendo classificado como combustível avançado no âmbito da legislação norte-americana, uma vez que supera o patamar de 60% de redução das emissões de GEE (entre 61% e 90%). Apesar de o etanol de cana-de-açúcar ser de primeira geração, seu desempenho ambiental equivale à redução de emissões previstas para o etanol de segunda geração.

O aumento da mistura de etanol na gasolina tem sido visto como um caminho para mitigar a emissão de GEE e atender as metas do Acordo de Paris. Atualmente, mais de 60 países têm trabalhado para aumentar a mistura de renováveis nos combustíveis fósseis com o objetivo de descarbonização.

“A vantagem da adoção de uma política de mistura de combustíveis é que ela promove a redução instantânea da pegada de carbono de toda a frota, além de reduzir a poluição. O Brasil é um grande campo de testes e comprova a segurança da mistura, com toda a gasolina comercializada contendo 27% de etanol anidro e sendo utilizada em carros importados”, avalia Gussi.

Ele observa que o RenovaBio foi criado para atender as metas autodeclaradas da COP21, no âmbito do Acordo de Paris. O objetivo é reduzir a intensidade de carbono da matriz de transportes, por meio do aumento da participação dos biocombustíveis, incluindo biodiesel e etanol feitos a partir de diferentes matérias-primas, e da criação de um mercado de crédito de carbono (CBio). O RenovaBio, que entrou em vigor em 24 de dezembro de 2019, deve reduzir pelo menos 100 milhões de toneladas as emissões de GEE em 10 anos.

Atributos do etanol

De acordo com os dados citados pela Unica, o etanol praticamente zera a dispersão de partículas, poluente muito agressivo para a saúde, pois consegue penetrar as partes mais profundas do pulmão, bem como a de hidrocarbonetos tóxicos, componente cancerígeno presente na gasolina, e a emissão de hidrocarbonetos poliaromáticos, componentes cancerígenos gerados na queima do diesel.

O biocombustível também reduz a emissão de monóxido de carbono em relação à gasolina. A porcentagem varia dependendo da calibração do motor, mas pode atingir cerca de 20%.

Outra vantagem do etanol, segundo a entidade, é que se trata de um produto de baixa toxidez e biodegradável. Ou seja, em caso de acidentes de derramamento ou de vazamento, resulta em impacto ambiental de pequena monta e é biodegradado em poucos dias.

Por outro lado, os combustíveis derivados de petróleo (gasolina e diesel), apresentam elevada toxidez ambiental e requerem muito tempo para biodegradação natural, o que resulta em impacto ambiental elevado, necessitando com frequência medidas de remediação da área contaminada, quando isso é possível.


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