Ministro do MME explica as metas para o etanol do Brasil apresentadas à ONU

Na semana passada o Ministro de Minas e Energia, Eduardo Braga, foi ao Senado Federal e detalhou a visão brasileira sobre o papel do etanol e da bioeletricidade do bagaço de cana na matriz energética brasileira.

Os slides apresentados pelo ministro não deixaram qualquer dúvida sobre o que o país espera dos derivados da cana para os próximos 15 anos.

Conforme o ministro, para 2030 o Brasil definiu como meta que o etanol e a energia elétrica da cana terão uma participação na matriz energética de 16%, o mesmo nível dos últimos dez anos no Brasil. Incluindo o biodiesel, o nível sobe para 18%.

MME: metas do Brasil no iNDC

A explicação de Eduardo Braga é a mesma apresentada pelo novaCana.com logo após o discurso da presidente Dilma Rousseff na ONU, porém divergente da interpretação da Unica. Na visão da entidade que representa as usinas, a meta de 18% incluiria apenas etanol e biodiesel, excluindo a bioeletricidade.

Porém, no Senado Federal, o MME colocou a meta para 2030 ao lado do resultado obtido em 2005 e 2014, com o etanol junto da bioeletricidade na matriz energética. Ou seja, espera-se para os próximos 15 anos um crescimento orgânico, com a energia dos derivados da cana permanecendo no mesmo nível do passado (veja gráfico abaixo).

Cop 21: participação do etanol e do bagaço de cana na matriz energética

Apego insustentável

Outra meta do iNDC que a Unica acaba se apegando é a que diz que o Brasil pretende alcançar em 2030 uma participação de 23% das energias renováveis, excluindo a energia hídrica, na geração de eletricidade. Esta meta agrupa três principais energias: solar, eólica e bioeletricidade.

O problema do setor sucroenergético se apegar a este ponto reside em dois fatos relevantes. O primeiro é que o governo já estabeleceu a participação da biomassa da cana, junto com o etanol, em outro item do iNDC, em 16%.

Além disso, um slide apresentado por Braga na semana passada mostrou que o crescimento real esperado pelo governo está no biodiesel, na energia solar e na energia eólica. Agrupadas sob a definição “outras”, estas fontes devem mais que dobrar a participação na matriz, passando de 4,1% para 9,8%. (veja slide abaixo).

Matriz energética: derivados da cana, eólica, solar e biodiesel na COP 21

Notem que no slide acima o ministro usou o percentual em relação a matriz energética e não em relação a geração de energia elétrica.

Esta visão sobre o desenvolvimento destas três fontes renováveis tem origem no Plano Decenal de Expansão de Energia, produzido pelo próprio governo sobre a evolução da capacidade instalada de geração de energia. O estudo, lançado recentemente, projeta os próximos dez anos, cinco a menos que o proposto no iNDC, mas suficiente para evidenciar onde estarão os incentivos do governo.

Neste trabalho o governo espera que a capacidade instalada de energia eólica saia de 5 GW em 2014 (ou 3,7% do total instalado, considerando todas as fontes) para 24 GW em 2024, alcançando assim 11,6% de participação. Já a capacidade de energia solar — que hoje é insignificante — atingiria 7 GW em dez anos (3,3% de participação).

Para a biomassa da cana o crescimento é apenas de manutenção da sua participação, saindo de uma presença de 8,3% entre todas as fontes, para 8,7%. No entanto, isto representa um crescimento orgânico importante, pois a capacidade instalada teria que ir de 11 GW (verificada em 2014) para 18 GW em 2024.

Ficou claro que o governo não possui planos de estimular o desenvolvimento do setor sucroenergético. No que tange ao etanol, esta proposta que servirá de base para a COP 21 não aproveita o potencial que esta indústria tem a oferecer em duas frentes fundamentais: econômica — evitando a importação de gasolina — e ambiental — com a substituição de um combustível fóssil por um renovável.

De um lado o governo reconhece o problema da falta de combustível nacional para abastecer o mercado e as vantagens ambientais do etanol, de outro estabelece metas que ignoram estes dois problemas. A diferença é que agora a inconsistência deixou de ser sinalizada — com a falta de estímulos — e virou meta nacional.

Julio Cesar Vedana é diretor de redação do novaCana

Etanol e Cana direto em seu email

Antes de sair, cadastre-se para receber as principais notícias do setor
Obrigado, não quero ficar informado.
Esqueci minha senha close modal