O presidente da Vibra Energia (antiga BR Distribuidora), Wilson Ferreira Júnior, vai assumir o comando da recém-privatizada Eletrobras, conforme apurou o Estadão. O executivo, com quatro décadas de experiência no setor elétrico, já informou à Vibra sua intenção de renúncia, segundo informou nesta quarta-feira, 20, a empresa ao mercado.
O retorno de Ferreira à ex-estatal vem sendo costurado pelos principais fundos que investiram na companhia desde antes da oferta de ações que marcou a privatização da empresa. Os fundos, aliás, teriam feito a ponte para garantir a volta do executivo ao cargo.
Outros executivos foram sondados, mas, ainda segundo fontes, foi difícil encontrar um nome de consenso entre todos. Pesou a favor da escolha de Ferreira o fato do executivo, desde o início das discussões, ter mostrado grande vontade de voltar à presidência da Eletrobras.
A operação de privatização da Eletrobras, realizada no início de junho, mobilizou também as pessoas físicas, já que o governo federal permitiu o uso do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS) na oferta.
O Conselho da Eletrobras será alterado no início de agosto, no dia 5, em assembleia de acionistas. Apenas depois disso que o nome de Ferreira será apresentado formalmente. As conversas entre os principais investidores e o executivo, que vinham acontecendo ao longo das últimas semanas, ganharam tração mais recentemente, até o acordo entre as partes ser firmado no início da semana.
As ações da Eletrobras têm apresentado valorização após o processo de privatização. Uma das apostas do mercado é de que haverá ganho de eficiência da empresa e, por isso, há uma expectativa com os nomes que serão escolhidos para o alto-escalão da empresa. Para o conselho de administração já foram indicados nomes como Ivan Monteiro, Marcelo Gasparino e Vicente Falconi, todos com bastante experiência em colegiados.
A Eletrobras foi privatizada em uma oferta de ações que somou R$ 33,7 bilhões. A participação da União foi diluída e cai para abaixo de 35%, o que significou a perda do controle da empresa.
Ferreira foi indicado à presidência da Eletrobras no governo de Michel Temer, em 2016, e ficou no cargo até 2021. Uma de suas missões na época foi a de preparar a empresa para a privatização. Já na Vibra, ele ajudou na última oferta de ações que marcou a saída integral da Petrobras da companhia e trouxe para a empresa a pauta da transformação energética, além da distribuição de combustíveis, de olho na energia limpa.
Em entrevista recente ao Estadão, Ferreira destacou a Vibra como um caso de sucesso de privatização. O executivo citou, por exemplo, que houve um “choque de custos” e ganho de eficiência. Disse também que estava muito feliz no comando da empresa.
A Vibra agora terá que ir atrás de um substituto. A empresa informou ao mercado que já está trabalhando nos trâmites do processo, algo que está sendo conduzido pelo seu conselho de administração. Ferreira seguirá no cargo até o seu desligamento, cuja data ainda não foi definida.
O executivo deixa a Vibra com as ações em queda de 25% desde o início do ano. Os papéis, no entanto, chegaram a acumular mais de 50% durante o curto período em que esteve à frente da empresa.
Procurado pela reportagem, Ferreira não retornou até o momento.
Fernanda Guimarães