2ª Geração

“O mercado está muito demandado para um produto que só a gente tem”, diz CEO da Raízen

Ricardo Mussa comenta o potencial de produção do etanol de segunda geração e as vantagens do modelo de negócio e das tecnologias adotadas pela companhia


NovaCana - 29 out 2021 - 16:14

Imagine se, em vez de 1 litro de etanol, uma usina de cana-de-açúcar produzisse 1,5 litro com a mesma quantidade de matéria-prima. Segundo o CEO da Raízen, Ricardo Mussa, isso não somente é possível como já está sendo feito na unidade da companhia em Piracicaba (SP). O “segredo”, na verdade, já é de conhecimento do setor: o etanol celulósico, também conhecido como etanol de segunda geração (E2G).

De acordo com Mussa, o potencial da gigante sucroenergética é de 2 bilhões de litros do biocombustível celulósico, considerando uma fabricação total de 4 bilhões de litros de E1G. “O interessante dessa tecnologia é que a gente consegue aumentar em 50% a produção de etanol sem precisar de um pé de cana a mais”, garante e completa: “Você tem um produto que é feito a partir de um resíduo e consegue aumentar muito a produção sem precisar aumentar a área plantada”.

Ele ainda ressalta que o E2G pode ser vendido a preços mais altos que o etanol convencional. No caso da Raízen, o prêmio médio é de 70% sobre o valor do E1G – mas a companhia já chegou a registrar variações de 90% entre os etanóis. “A gente está conseguindo prêmios fantásticos. Este produto está muito demandado, principalmente nos mercados europeu e americano”, conta.

O executivo ainda comemora vendas referentes à produção de plantas futuras, feitas com até nove anos de antecedência, como aconteceu em contratos firmados em agosto deste ano. “O mercado está muito demandado para um produto que somente a gente tem. É um exemplo claro do potencial que isso tem para a nossa indústria”, declara.

A principal vantagem do etanol celulósico, segundo ele, está em sua menor pegada de carbono. O biocombustível emite cerca de 80% menos carbono na atmosfera em comparação com a gasolina e em torno de 30% a menos ante o etanol de primeira geração de cana-de-açúcar.

Estes números foram destacados pelo CEO da Raízen durante apresentação na 21ª Conferência Internacional Datagro sobre Açúcar e Etanol, realizada em São Paulo (SP). Segundo os valores divulgados pela empresa, o E2G emite o equivalente a 16 gramas de dióxido de carbono por megajoule, enquanto o E1G de cana-de-açúcar emite 23 gCO2/MJ. Já o E1G de milho gera 58 gCO2/MJ, enquanto a gasolina chega a até 87 gCO2/MJ.

Leia mais no texto completo (exclusivo para assinantes):

- Aproveitamento integral da energia da cana
- Valor já investido pela Raízen em tecnologia
- Vantagens da planta de E2G integrada à usina de E1G
- Principais mercados para o E2G e suas características
- Potencial do biogás
- Aposta na economia circular
- Novos termos: parque de biotecnologia


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