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Para Unem, mercado demandará oferta 14% maior de etanol para SAF e hidrogênio

Evento promovido pela Novozymes inicia apontando a relevância do setor de etanol de milho e o contexto do biocombustível no cenário macroeconômico


NovaCana - Publicado: 04 Out 2023 - 15:45 | Atualizado: 04 Out 2023 - 17:25
Para Unem, mercado demandará oferta 14% maior de etanol para SAF e hidrogênio

Presidente executivo da Unem, Guilherme Nolasco, e sócia-fundadora da Nord Research, Marilia Fontes, durante a nona edição do Teco Latin America

Macroeconomia, mercado de biocombustíveis, políticas públicas e novos produtos para o etanol: estes temas são relevantes para compreender o cenário do renovável feito a partir do milho. Por conta disso, eles marcam presença na nona edição do Teco Latin America, que reúne especialistas do setor entre os dias 4 e 5 de outubro, em São Paulo (SP), para debater o atual cenário e as perspectivas da indústria de etanol de milho.

O presidente executivo da União Nacional do Etanol de Milho (Unem), Guilherme Nolasco, aponta os novos caminhos para o etanol a partir da reforma de etanol para hidrogênio além do SAF. “Haverá um aumento de 14% no etanol demandado ante o que se produziu em 2022 para atender a demanda de hidrogênio, combustível de aviação e outros produtos”, diz.

Ele ainda observa melhorias de cenários do mercado de biocombustíveis entre o ano passado e o atual. “Temos um setor de investimento a médio e longo prazo. Havia um cenário mais sombrio em 2022, quando os biocombustíveis foram desonerados e o etanol perdeu a sua competitividade frente a gasolina; estamos recuperando em 2023”, detalha Nolasco.

Ele ainda cita a retomada da tributação do etanol importado e as alterações no RenovaBio: “Os preços de commodities estavam acima dos valores usuais e havia sinais de insegurança no RenovaBio, com mudanças nas metas. Também temos isso reestabelecido”.

Para Nolasco, a mudança de governo trouxe inseguranças para o setor, mas ele avalia que as políticas públicas atuais têm se mostrado favoráveis. Segundo o executivo, elas têm mostrado que a agenda de descarbonização é importante.

Além disso, durante a abertura do evento, o diretor do negócio de bioenergia da Novozymes na América Latina, Fabrício Leal Rocha, detalhou que o setor de biotecnologia sempre demandará atenção da indústria. “É preciso estar atento aos sinais e às mudanças de comportamento. A transição energética é a oportunidade de revitalização da América Latina”, declara

Influências macroeconômicas

A sócia-fundadora da Nord Research, empresa do mercado financeiro focada em soluções para os pequenos investidores, Marilia Fontes, apresentou os principais pontos relacionados à macroeconomia, detalhando que a inflação global é um desafio econômico ainda bastante relevante.

Ela relata que, em geral, a inflação em países emergentes tem mais dificuldade de ceder; ainda assim, no Brasil, há um ciclo monetário em que há controle e possibilidade de queda nas taxas. Ao mesmo tempo, os países desenvolvidos ainda não estão neste mesmo caminho.

Fontes explica que esse cenário é inédito na história, uma vez que o oposto é mais comum. “As taxas de juros terão que ser mais pacientes com o seu próprio ciclo de queda, apesar da inflação mais controlada”, ela complementa, referindo-se a países emergentes.

“O que está segurando o PIB brasileiro é o agro, que tem mais aumento de produtividade, além do potencial relacionado à questão de transição energética”, Marilia Fontes (Nord Research)

Apesar da inflação americana dar sinais de melhoras, a economista pontua que há riscos. “A economia e empréstimos são pré-fixados [nos EUA], enquanto no Brasil a maioria são pós-fixados. Quando os juros sobem aqui, eles fazem efeito muito mais rápido”, explica.

Fontes também chama atenção para a economia chinesa, que está com atividade fraca e com redução de PIB. No país há, ainda, envelhecimento populacional e dificuldade de desenvolvimento, com a China não sendo mais um mercado de trabalho de baixo custo. Logo, ela acredita que a Índia pode acabar suplantando esse espaço.

Para o Brasil, por sua vez, Fontes cita uma desinflação consistente, com quedas da taxa Selic. “Em preços de serviços há queda, mas menor, ainda demandando atenção do Banco Central”, afirma e completa” Poderíamos pensar em uma Selic mais baixa e rápida, mas não parece que vai ocorrer, será uma redução mais parcimoniosa”, explica.

Ainda assim, a sócia-fundadora da Nord observa que o Brasil tem uma das maiores dívidas do mercado emergente e, portanto, precisará de mais receita.

Gabrielle Rumor Koster – NovaCana
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